Emanuel Carneiro narra as emoções da vida ‘No ar’
Radialista com 65 anos de trabalho dedicados à Itatiaia, ele lança nesta segunda-feira (2/3), na sede do CDL, o livro recheado de casos memoráveis
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“Campeão do Gelo” graças aos bem-sucedidos amistosos no inverno europeu de 1950, o Clube Atlético Mineiro viveu, no entanto, dissabores na primeira excursão de um time brasileiro àquele continente, no pós Segunda Guerra.
Um imbróglio com o dirigente alemão que havia comandado a temporada deixou os jogadores no frio e sem passagem para retornar ao Brasil.
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Foram dias tensos. Augusta, uma senhora muito religiosa que adorava o Galo, não se fez de rogada. Organizou uma novena diária, ao cair da tarde, na casa de uma amiga, no bairro da Serra.
Na hora do terço, Manelzinho, o filho de 7 anos da dona da casa, era chamado para acompanhar. Até que o governo de Minas, com Milton Campos à frente, bancou as passagens. “Menino, foi a reza que trouxe o Atlético de volta”, Augusta tinha certeza.
“Um garoto de 7, 8, 9 anos escolhe um clube para torcer por causa do pai, de um jogador ou da cor da camisa. A minha história de atleticano é por causa da novena”, afirma Emanuel Carneiro.
Com 65 anos de seus 82 de idade passados na Itatiaia, o jornalista e radialista conta essa e outras histórias no livro “No ar”. O lançamento será nesta segunda-feira (2/3), na sede da CDL.
Não é um livro sobre a rádio que comandou até 2021, quando ela foi vendida para o empresário Rubens Menin. Tampouco um volume de memórias.
“Fiquei na Itatiaia (fundada por seu irmão, Januário Carneiro, em 1952) dos 13 aos 78 anos. Comecei como office-boy, passei por vários departamentos. Vivi muitos momentos pontuais de Belo Horizonte, do Brasil, do futebol, da política.”
"DNA de radialista"
Com a colaboração do jornalista Chico Brant, Carneiro costurou passagens da sua vida profissional. Há histórias dramáticas, como o rompimento da barragem da Pampulha (1950) ou a queda do avião da família Chaffir, no Pico da Bandeira (1968), mas também casos divertidos.
Desde 2023, ele está à frente da emissora Light. “Vou lá para não perder o DNA de radialista. É uma equipe de 22 pessoas, e está dando muito certo.”
A ideia para o livro “No ar” veio, de acordo com Carneiro, de encontros com pessoas – amigos e ouvintes da “Turma do bate-bola”, programa do qual ele se despediu assim que deixou a Itatiaia – que lhe pediam detalhes de um caso e outro.
“Não tenho pretensão nem capacidade para me tornar escritor”, afirma. Boa parte do material fotográfico vem do acervo do Estado de Minas.
Ainda que as histórias que o livro traz abarquem diversos temas, o futebol é onipresente. Repórter de campo em 1968, Carneiro foi para a capital paulista acompanhar a estreia do atacante Buião, que havia trocado o Atlético pelo Corinthians.
O “timão” estava numa seca de vitórias, havia 12 anos que não vencia o Santos. Na partida contra o time santista no Pacaembu, o Corinthians venceu por 2X0.
No final do jogo, já enrolando os fios do microfone no gramado, Carneiro foi chamado por um torcedor. Depois de muita insistência, foi atendê-lo.
“Pega um tufo da grama e traz pra mim, por favor.” Sem entender, lá foi ele. Pegou o tufo e entregou. “Jurei que o dia que o Corinthians ganhasse do Santos eu ia comer terra”, disse o fanático, que engoliu de uma vez só. “Com terra e tudo”, relembra Carneiro.
Aquela cena, que ele não esquece, “representou a paixão do torcedor, que perde a noção das coisas, da família, do serviço, em função do futebol”. Ainda que atleticano desde a novena de dona Augusta, Carneiro diz que soube dividir as coisas.
“Na Itatiaia, sempre disse que locutor e repórter podiam ter clube. Mas preservar a imparcialidade é fundamental.”
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“NO AR”
• Lançamento do livro de Emanuel Carneiro. Nesta segunda (2/3), a partir das 19h, na Câmara de Dirigentes Lojistas (Avenida João Pinheiro, 495, Funcionários). Valor do livro: R$ 60.