Na sórdida lista dos maiores serial killers da história, John Wayne Gacy (1942-1994) ocupa um lugar de destaque. Na década de 1970, ele estuprou e matou 33 adolescentes – boa parte deles foi enterrada no subsolo de sua casa, na região metropolitana de Chicago.
Conhecido como o “Palhaço assassino”, dado sua obsessão pela figura cômica – também se vestia como tal para animar eventos beneficentes –, já ganhou algumas séries documentais. Com oito episódios, “Devil in disguise: John Wayne Gacy” é a primeira narrativa ficcional em torno dele. Produção da Peacock, está disponível no Prime Video.
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A série é assinada por Patrick Macmanus, que já se aventurou no gênero em “The girl from Plainville” (2022), em que Elle Fanning vive a adolescente que teria atiçado um colega a se matar por meio de mensagens de texto, e “Dr. Death” (2023), com Joshua Jackson interpretando o cirurgião que mutilou vários pacientes. Ambas são também baseadas em crimes reais.
“Devil in disguise” se contrapõe aos títulos assinados por Ryan Murphy para a série “Monstros”, da Netflix, porque se nega a mostrar os assassinatos. Mesmo a violência, quando aparece, não é explícita. Ela também enfatiza as vítimas, mostrando os jovens – eles tinham entre 14 e 21 anos – com as famílias e uma perspectiva de futuro.
A narrativa tem início no final de 1978, quando a família de Robert Piest (Ryker Baloun) denuncia o desaparecimento do garoto de 15 anos. Ele foi a última vítima de Gacy, pois a partir da investigação a polícia começou a descobrir os corpos. O próprio Gacy, vale dizer, confessou seus crimes em uma noite de bebedeira.
A partir deste início, “Devil in disguise” vai e volta no tempo. Todos os episódios, a partir do segundo, trazem como título o nome de uma (ou mais) vítima. Tais personagens ganham vida na tela – no final de cada capítulo, vemos imagens reais dos jovens. Entremeando as narrativas, acompanhamos a trajetória de luz e sombra do próprio assassino.
EMPREITEIRO RESPEITADO
Gacy é interpretado de forma excepcional por Michael Chernus (o abobalhado Ricken, de “Ruptura”). Na vida civil, ele é um sujeito afável, um pouco falastrão, que adora contar o quão importante ele é (era um empreiteiro respeitado, e boa parte das vítimas era de jovens contratados para serviços de construção).
Ao mesmo tempo em que animava crianças doentes em hospitais, era de uma perversidade terrível com os jovens que levava para casa. As nuances com que Chernus traz para o personagem chamam a atenção – o espectador percebe o exato momento em que o simpático bonachão se torna um voraz assassino.
Além dele, acompanhamos em especial seu advogado (papel de Michael Angarano) e do principal investigador (Gabriel Luna), que tomou o caso como uma missão pessoal. A história segue por muitos anos até a injeção letal que acabou com Gacy, após 14 anos no corredor da morte. Mas nem este momento (tampouco o caso no tribunal) é enfocado pelas câmeras.
O tempo todo a série parece mostrar que o que importa são as vidas que nunca mais foram as mesmas após o encontro com Gacy. Porque além dos jovens mortos, a história ainda cobre as suas famílias e as vítimas que sobreviveram ao ataque. Sem recair no melodrama puro e simples, “Devil in disguise” dá um banho em outras produções do gênero, com uma integridade que continua ressoando após o fim da série.
“DEVIL IN DISGUISE: JOHN WAYNE GACY”
- A série, em oito episódios, está disponível no Prime Video
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- John Wayne Gacy tem sua trajetória apresentada nos seguintes documentários: “Conversando com um serial killer: O palhaço assassino” (três episódios, na Netflix); “Segredos sórdidos: Dean Corll e John Wayne Gacy” (dois episódios, na HBO Max); e “John Wayne Gacy: Palhaço assassino” (seis episódios, na Claro Video).
