Belo Horizonte se prepara para alcançar um recorde neste fim de semana por meio do samba e do pagode. Das 17h15 deste sábado (21/2) até as 17h15 de domingo (22/2), o Espaço CentoeQuatro, na Praça Rui Barbosa, recebe músicos para o Pagode que não acaba, evento que ambiciona realizar a roda musical mais longa de que se tem registro no mundo, considerando os dois estilos.

A iniciativa, que conta com entrada gratuita mediante retirada de ingressos (que estão acabando), prevê 24 horas de música sem interrupções. O encerramento da maratona fica a cargo de Leci Brandão, ícone do samba brasileiro e primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira, que sobe ao palco às 18h de domingo. 

O cronômetro posicionado acima do palco não deixa dúvidas: o desafio é realidade. O evento começou com uma contagem regressiva e agora corre contra o tempo — e o cansaço — para entrar para a história da capital mineira.

Devido a um pequeno atraso de 15 minutos no início da programação, a jornada musical agora tem encerramento previsto para o domingo, às 17h15. Inicialmente, começaria às 17h. A adesão popular superou as expectativas iniciais. Até o momento, a organização contabiliza cerca de 15 mil ingressos retirados.

Matheus Brant é o idealizador do projeto. Embora reconheça que eventos gratuitos e de longa duração possuem uma quebra natural de público, o fluxo constante desde as primeiras horas confirma o sucesso do formato.

Nos bastidores, o clima é de adrenalina. O maior desafio técnico reside nas transições. "Nossa expectativa de produção é se, de fato, os músicos não vão parar. Não depende só da nossa vontade, mas da adesão deles. Está tudo alinhado, e todos estão dispostos, mas o momento de maior tensão é justamente a cada troca de banda", revela.

O embrião

A ideia surgiu de forma espontânea em 2024. Matheus recorda que a proposta nasceu durante uma conversa informal com amigos quando um pagode chegava ao fim. "Por que não fazer a roda mais longa do mundo?", explica.

Embora o projeto não tenha sido selecionado inicialmente para a Virada Cultural em 2024, ganhou fôlego ao ser aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, contando com o apoio da Cemig e da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult).

Para manter o som vivo durante o período, a organização convocou 12 grupos residentes de casas tradicionais de Belo Horizonte, como Três Pretos Bar, Bar do Cacá e Simplicidade. Entre os confirmados estão Afobei, A Firma, Resenha do Edgard, Feijoada Completa, Tradicionalmente, Sassarica, Simplicidade, Samba da Roda de Saia, Samba do Arco, Samba da Madrinha, Bigode, Samba da Meia-Noite e Samba da Madrugada - os dois últimos, escalados estrategicamente para os horários que lhes dão nome.

Cada grupo conta com cantoras e cantores convidados. Adriana Araújo, Gisele Couto, Fernando Bento, Raquel Moreira, Janamô, Ronaldo Coisa Nossa e Dona Eliza são alguns desses nomes. Houve ainda a preocupação de a roda não ser exclusivamente masculina, por isso, o convite ao Samba da Roda da Saia, que tem só mulheres.

Matheus conta que procurou o Guinness Book para registrar a proeza em Belo Horizonte. Foi informado pelos responsáveis de que não há registro, no famoso “livro de recordes”, de duração de roda de samba e pagode. Portanto, não havia recorde a ser quebrado, mas a categoria seria criada para que o evento pudesse ser certificado.

“Criaram mesmo a categoria e chegaram a me enviar as regras". Entre elas as que dizem que a repetição de músicas só pode acontecer com intervalo de quatro horas e que o som não pode parar em momento algum durante as 24 horas. "Para ser certificado, tem-se de pagar um valor absurdo, US$ 26 mil. Então, não estamos concorrendo a um lugar no Guinness”, explica o músico e produtor.

Além da música

Apesar de não ter obtido autorização da prefeitura para realizar a roda em via pública, o evento ocupará um trecho lateral na Rua da Bahia, com infraestrutura de alimentação, banheiros e oficinas gratuitas. No domingo, a partir das 11h, o público poderá participar de formações sobre percussão, dança e gestão de rodas de samba.

Para Matheus, o acontecimento vai além do exótico título mundial. "As rodas de samba ocuparam a cidade de forma intensa nos últimos anos. Este evento sintetiza esse espírito de catarse coletiva e diversão pura."

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Pagode que não acaba
21 e 22 de fevereiro (sábado e domingo)
Das 17h de sábado às 17h de domingo (Show de Leci Brandão às 18h)
Espaço CentoeQuatro (Praça Rui Barbosa, 104, Centro – BH)
Entrada gratuita (ingressos via Sympla) - https://www.sympla.com.br/evento/pagode-que-nao-acaba/3306365

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