Quem foi Carolina de Jesus, a escritora tema de enredo do carnaval
Conheça a trajetória da mineira, autora de 'Quarto de despejo', homenageada pela Unidos da Tijuca, na Marquês de Sapucaí
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O nome de Carolina Maria de Jesus brilhou na Marquês de Sapucaí neste carnaval, trazido à avenida como enredo da escola de samba Unidos da Tijuca, que desfilou na madrugada desta terça-feira (17/2). A homenagem no Rio de Janeiro colocou em evidência a história de uma das mais importantes escritoras do Brasil, cuja vida e obra continuam impactando leitores décadas após sua morte.
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Nascida em Sacramento, no Triângulo Mineiro, em 1914, Carolina mudou-se para São Paulo em 1937. Cerca de 10 anos depois, em 1947, estabeleceu-se na favela do Canindé, onde trabalhou como catadora de papel para sustentar seus três filhos. Foi nesse cenário de extrema pobreza que ela manteve o hábito da leitura e da escrita, registrando seu cotidiano em diários feitos com cadernos encontrados no lixo.
Do diário ao best-seller
A grande virada em sua trajetória ocorreu em 1958, quando o jornalista Audálio Dantas a conheceu enquanto fazia uma reportagem sobre a inauguração de um parque infantil na comunidade. Impressionado com a força de seus escritos, ele a ajudou a organizar e publicar os diários. O resultado foi o livro "Quarto de despejo: Diário de uma favelada", lançado em 1960.
A obra se tornou um fenômeno editorial instantâneo. A primeira tiragem, de 10 mil exemplares, esgotou-se em poucos dias. O livro foi posteriormente traduzido para mais de 13 idiomas, levando o nome de Carolina para o mundo. No livro, ela narra de forma crua e poética a fome, a violência e a luta diária pela sobrevivência, oferecendo uma perspectiva inédita sobre a realidade das margens da sociedade brasileira.
O sucesso de "Quarto de despejo" a tirou da favela, mas a escritora continuou a enfrentar desafios, incluindo o preconceito racial e social. Ela publicou outros livros, como "Casa de alvenaria", que narra sua vida após a fama, mas nenhuma obra alcançou o mesmo impacto estrondoso da primeira.
Carolina Maria de Jesus faleceu em 1977, deixando um legado literário de valor inestimável. Nos últimos anos, sua obra tem sido redescoberta e celebrada com a intensidade que merece, recebendo títulos póstumos como o de doutora honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2021. A homenagem da Unidos da Tijuca consolida seu lugar como uma figura central na cultura e na literatura do país.
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* Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
