CARNAVAL 2026

De Ney a Rita: escolas de samba do Rio de Janeiro homenageiam artistas

A escritora mineira Carolina Maria de Jesus e o manguebeat também são tema de enredos das agremiações que desfilam a partir deste domingo (15/2), na Sapucaí

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A música e a literatura brasileiras vão marcar presença na Marquês de Sapucaí nos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial deste ano. Ney Matogrosso, Rita Lee (1947-2023), a escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977) e o movimento manguebeat, encabeçado por Chico Science (1966-1997), serão homenageados, respectivamente, pela Imperatriz Leopoldinense, que desfila no domingo (15/2), Mocidade Independente de Padre Miguel, Unidos da Tijuca, ambas na segunda-feira, e Acadêmicos do Grande Rio, na terça.

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O enredo “Camaleônico”, proposto pelo carnavalesco da Imperatriz, Leandro Vieira, e lançado em maio do ano passado, é estritamente baseado na obra e no universo estético de Ney Matogrosso, sem viés biográfico. O samba, assinado por 12 compositores da agremiação verde e branca de Ramos, parte da representação de um artista que não se encaixa em definições.

A escola promete uma celebração exaltando a sensualidade, o prazer e a potência da liberdade de ser e existir.


A Imperatriz aposta em uma estética em que elementos humanos e animais se misturam, assim como a ideia de masculino e feminino, para traduzir um artista que sempre fez do corpo e da performance um ato político e transgressor.


“O Ney é uma bandeira do direito a ser quem se é”, disse Vieira. Transgressão é também a palavra que melhor se aplica à homenageada pela Mocidade Independente, com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, proposto pelo carnavalesco Renato Lage.


Fã de carteirinha

Pelo segundo ano consecutivo de volta ao comando da escola que o consagrou nos anos 1990, quando venceu três carnavais, Lage diz que sempre teve vontade de prestar tributo à Rainha do Rock. “Sou fã de carteirinha, sempre fui.

A Rita Lee, por ser uma artista moderna, ousada, irreverente, acho que cabia muito bem com a cara da Mocidade”, disse. A escolha da artista como enredo da Mocidade Independente foi anunciada em 22 de maio do ano passado, Dia de Santa Rita de Cássia, considerada santa das causas impossíveis.


O músico Roberto de Carvalho, viúvo de Rita, promete estar com a família na avenida desfilando pela Mocidade. A agremiação também confirmou a presença da atriz Lília Cabral, que está se preparando para encarnar a cantora nos palcos, no espetáculo “Rita Lee: balada da louca”, inspirado em sua segunda autobiografia.

Mel Lisboa, que também já interpretou Rita no teatro, é outra personalidade anunciada para o desfile da Mocidade.


A Unidos da Tijuca batizou seu samba enredo apenas com o nome da homenageada, “Carolina Maria de Jesus”. Natural de Sacramento (MG), ela chegou a São Paulo em 1947, depois de viajar com a mãe por cidades do interior. Na capital paulista, instalou-se na favela do Canindé, de onde saía diariamente para trabalhar como catadora de papel. Considerada uma das vozes mais potentes da literatura brasileira, Carolina retratou a vida nas favelas e as desigualdades sociais.


Na Avenida e no cinema

Seu livro mais conhecido, “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, publicado em 1960, teve grande repercussão no Brasil e no exterior, foi traduzido para 14 idiomas e vendeu mais de 3 milhões de exemplares. O carnavalesco responsável é Edson Pereira, com consultoria da historiadora Fernanda Felisberto.


Além da Sapucaí, a vida da escritora estará também nas telas dos cinemas, com o longa “Carolina – Quarto de despejo”, dirigido por Jefferson De, que tem estreia prevista para o segundo semestre.
Penúltima escola a desfilar pelo Grupo Especial, a Acadêmicos do Grande Rio vai transportar Pernambuco para o Sambódromo com o enredo “A nação do mangue”, que presta homenagem ao movimento manguebeat e ao seu principal expoente, Chico Science, fundador da banda Nação Zumbi.

A escola de Duque de Caxias promete mergulhar na lama dos manguezais para mostrar que de lá podem brotar cultura, mudanças políticas e sociais.

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O carnavalesco Antônio Gonzaga diz que o enredo traça um paralelo entre as periferias do Nordeste e da Baixada Fluminense. Ao participar do programa “Sem censura”, da TV Brasil, ele afirmou que sempre gostou do manguebeat e que traçar esse paralelo com os movimentos das periferias da Baixada, também cercada de mangues, foi o pulo do gato para fazer o enredo dar certo. À frente da bateria, Mestre Fafá já adiantou que ela fará referências ao frevo e ao maracatu. 

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