Banda criada em 2012 em Itacarambi, comunidade ribeirinha às margens do rio São Francisco, no extremo Norte de Minas Gerais, a Apoenah quer ampliar seus horizontes. É com esse intuito que o grupo, fundado por Raimundo Nonato Borges de Oliveira, Iridan Ramos de Oliveira Borges e Weslen Santos Silva, chega a Belo Horizonte, para apresentar o show “Maretas bailarinas: o olhar além dos barrancos”, neste sábado (21/2), no Cine Theatro Brasil, com entrada franca.
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O repertório será totalmente autoral e inclui músicas registradas no álbum “Pequenos sertões” (2017) e outras lançadas de forma avulsa. Raimundo Nonato explica que a Apoenah nasceu no contexto do Movimento Barrancarte, que atua na preservação e revitalização da cultura do sertão mineiro.
Ele diz que o núcleo central do grupo se filia à tradição familiar do Reis das Pastoras, uma manifestação similar à Folia de Reis, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Itacarambi.
“É um costume centenário que me foi transmitido pelos meus avós e que fala do nascimento do menino Jesus. Saímos pelas ruas da cidade anunciando a boa nova, com músicas vibrantes”, diz, acrescentando que a banda surgiu para reverberar essa manifestação típica daquela região.
Ele destaca que a música da Apoenah, contudo, vai além do que se ouve no Reis das Pastoras, incorporando diversos outros elementos que constroem uma ponte entre ancestralidade e contemporaneidade.
Experimentação musical
“Fazemos fusões rítmicas de distintos gêneros musicais, misturando guitarra e baixo com zabumba e outros instrumentos de percussão característicos do sertão mineiro.
Há quem diga que tocamos música regional, mas preferimos o termo experimentação musical para definir nosso trabalho, porque funde muitas coisas: tem baião, tem canções de origem indígena, tem uma pegada de capoeira, tem rock e também tem o folclore local, ligado ao São Francisco e às manifestações populares”, ressalta.
Ele pontua que as apresentações da Apoenah não se limitam à execução das músicas, incluindo declamação de poesias, teatralidade e elementos das artes plásticas.
“Mais do que um show, costumamos dizer que é uma intervenção poético-musical, com textos que eu escrevo costurando o roteiro, evocando causos da nossa região e do rio São Francisco”, diz. Além de Raimundo Nonato (guitarra e voz), Weslen Silva (baixo e voz) e Iridan Borges (voz), a formação atual conta com mais sete percussionistas.
Sobre o nome com que o show é batizado, Raimundo Nonato explica que ele também alude à cultura ribeirinha e à paisagem do São Francisco. “Maretas são pequenas ondas, típicas de rios. Quando os barcos passam, elas ficam como bailarinas, dançando em movimentos que parecem coreografados”, comenta.
Com relação ao “olhar além dos barrancos”, ele diz que é um manifesto orientado pelo desejo de diminuir o distanciamento histórico e geográfico entre as diferentes regiões do estado.
“Queremos mostrar nosso trabalho e nossas potencialidades artísticas para além das barrancas do São Francisco, porque nossa região costuma só aparecer por um viés negativo, pela pobreza ou pelas tragédias. Queremos mostrar que arte e cultura pulsam por aqui.
Ao ampliar os horizontes, estamos estimulando outros artistas da região”, diz, destacando que a circulação da Apoenah se dá graças a um projeto aprovado no Fundo Estadual de Cultura. “Qualquer pessoa pode seguir esse caminho”, incentiva.
Sobre as letras e poesias que escreve, ele ressalta que passam por temas como a natureza, o cotidiano e as lutas do povo sertanejo, promovendo uma conexão entre as gerações e preservando a memória cultural de Itacarambi. “Cantos do sertão”, “Dedo de prosa catrumana”, “Delírios da viagem”, “Lamentação étnica”, “Pátria desamada” e “Morena pintada” são algumas das canções registradas no álbum “Pequenos sertões”.
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“MARETAS BAILARINAS: O OLHAR ALÉM DOS BARRANCOS”
Show da banda Apoenah, nesta sexta-feira (20/2), às 21h, no Grande Teatro Unimed-BH do Cine Theatro Brasil (Av. Amazonas, 315, Centro). Entrada franca, com retirada de ingressos pela plataforma Eventim.
