Depois de ocupar o pátio com uma mostra fotográfica sobre os 70 anos da TV Itacolomi, o Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte (MIS BH) inaugura, nesta terça-feira (3/2), a primeira exposição interna de 2026. Intitulada “Do traço ao pixel: Memórias da animação brasileira”, a mostra é dedicada à história do cinema de animação no país e tem visitação gratuita.
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A abertura ocorre às 19h e contará com discotecagem em vinil do grupo Alta Fidelidade. Com curadoria do cineasta e professor Sávio Leite e da artista visual Soraia Nogueira Garabini, a exposição reúne obras, documentos, originais, objetos e materiais de estúdios, organizados de forma cronológica. O percurso começa nas primeiras caricaturas e vinhetas animadas do início do século 20 e segue até as produções digitais do século 21.
Entre os destaques estão materiais de Otto Guerra e Alê Abreu, dois nomes centrais da animação brasileira. O público poderá conhecer conteúdos ligados aos universos dos desenhos “Bob Cuspe” e “Rê Bordosa”, além de materiais do longa “O menino e o mundo”.
Primeiro filme
“A mostra começa a partir do ‘Kaiser’, que é considerado o primeiro filme de animação brasileiro. Esse filme se perdeu ao longo do tempo e sobreviveu apenas em um único fotograma”, explica o coordenador do MIS BH, Thiago Veloso Vitral. A imagem deu origem a um quadro que está presente na exposição.
“Do traço ao pixel” reúne ainda originais de “Piconzé”, do japonês Ypê Nakashima, um dos primeiros longas-metragens de animação produzidos no Brasil. Parte desse acervo está sendo exibida em Minas Gerais pela primeira vez.
Um núcleo especial é dedicado à presença das mulheres na animação brasileira. Entre os nomes abordados estão a professora mineira Maria Amélia Palhares, pioneira no ensino da animação, e a artista Tânia Anaya.
“Quando falamos em ‘do traço ao pixel’, estamos falando do risco feito à mão, de uma prática mais rudimentar e espontânea, até chegar ao pixel, às tecnologias digitais de hoje”, pontua Veloso.
Para ele, a animação ocupa um lugar importante na formação de público para o audiovisual. “É geralmente pela animação que o cidadão, ainda quando jovem, é fisgado pelo audiovisual”, observa. “Esse primeiro contato tem um peso enorme na relação das pessoas com as artes.”
Com mais de 90 mil itens, entre películas, VHS, materiais de áudio, cartazes e roteiros, o MIS BH atua na preservação da memória audiovisual de Belo Horizonte. “Nosso desafio permanente é preservar esse patrimônio e, ao mesmo tempo, democratizar o acesso, seja por meio de exposições, pesquisas, publicações ou do canal do museu no YouTube”, afirma o coordenador.
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“DO TRAÇO AO PIXEL: MEMÓRIAS DA ANIMAÇÃO BRASILEIRA”
Abertura nesta terça-feira (3/2), às 19h, no Museu da Imagem e do Som (Avenida Álvares Cabral, 560, Lourdes). Entrada gratuita, com visitação de quarta a sábado, das 10h às 18h.
