Oscar britânico

Robert Aramayo venceu DiCaprio, Chalamet, Hawke, Jordan e Plemons no Bafta

Ator inglês do filme 'I swear' levou o drama de quem tem a Síndrome de Tourette para a tela, derrotando cinco astros americanos no 'Oscar britânico'

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Desafiando todas as previsões, o inglês Robert Aramayo, de 33 anos, venceu a categoria de Melhor Ator na 79ª edição do Bafta, no último domingo (22/2), por seu papel na comédia dramática “I swear”.

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Surpreendendo crítica e público, ele derrotou os astros americanos Leonardo DiCaprio (“Uma batalha após a outra”), Ethan Hawke (“Blue moon”), Michael B. Jordan (“Pecadores”), Jesse Plemons (“Bugonia”) e Timothée Chalamet (“Marty Supreme”). No chamado “Oscar britânico”, Aramayo também levou a estatueta de Estrela em Ascensão, concedida pelo público.


Robert Aramayo não está começando agora. Nascido em Hull, na Inglaterra, desde criança participou de montagens na escola. Aos 16 anos, descobriu a universidade americana Julliard, referência mundial no estudos de música, dança e dramaturgia. Dois anos depois, chegou a Nova York, ingressou nesta faculdade e se formou em teatro.


Aramayo estreou em 2016 na televisão, participando da sexta temporada da série “Game of Thrones”, interpretando a versão jovem de Eddard Stark. No cinema, participou do filme “Animais noturnos”, no mesmo ano.

Mulher está de pé e segura bebê observado pelo ator Robert Aramayo, ajoelhado. Na frente dele, deitada, está a mãe da criança, que acabou de dar à luz
Robert Aramayo em 'Game of thrones', série que marcou sua estreia na televisão HBO/divulgação


Desde 2022, o ator vive o elfo Elrond na série “Os anéis do poder” (Prime Vídeo), baseada na saga “O Senhor dos Anéis”. A terceira temporada já está confirmada, prevista para o final deste ano.

Sem previsão de estreia no Brasil, “I swear” (2025) conquistou também a estatueta de Melhor Direção de Elenco concedida pelo Bafta.

Ator Robert Aramayo veste figurino dourado e olha para o lado em cena da série Os anéis do poder
Robert Aramayo como Elrond em 'O senhor dos anéis: Os anéis do poder', cuja terceira temporada está prevista para o fim deste ano Prime Video/divulgação


O filme mostra a trajetória de John Davidson, que tem Síndrome de Tourette, doença que faz com que as pessoas emitam sons e movimentos involuntários.


O escocês Davidson, interpretado por Aramayo, participa de importante campanha de conscientização sobre Tourette. A trama se passa na Escócia, nos anos 1980. O jovem David enfrentou bullying, agressões físicas e a dificuldade de manter amizades e relacionamentos amorosos. Na época, quase nada se sabia sobre a doença.

Insultos involuntários para rainha e atores negros 


Dirigido por Kirk Jones, o longa revela situações reais vividas por Davidson, inclusive quando foi homenageado pela realeza britânica, em 2019. O ativista recebeu a honraria das mãos da própria Elizabeth II. Nervoso, ele gritou xingamentos direcionados à rainha, comportamento decorrente da síndrome.


Neste domingo, Davidson fez insultos racistas a Michael B. Jordan e Delroy Lindo enquanto os atores apresentavam uma categoria no Bafta.

John Davidson, militante da campanha de esclarecimento sobre a Síndrome de Tourette, com a medalha que recebeu da rainha Elizabeth II, em 2019. Ele sorri para a câmera e abraça um cachorro preto
John Davidson, militante da campanha de esclarecimento sobre a Síndrome de Tourette, com a medalha que recebeu da rainha Elizabeth II, em 2019 Tourette Scotland/reprodução

Na segunda-feira (23/2), Davidson divulgou comunicado, ressaltando que a plateia foi avisada, antes do início da cerimônia, sobre os tiques característicos de sua condição e agradeceu ao Bafta o convite para participar da festa do cinema britânico.


“Apreciei o anúncio feito ao auditório antes da gravação, avisando a todos que meus tiques são involuntários e não são um reflexo das minhas crenças pessoais”, disse Davidson.


“Fiquei encorajado pela salva de palmas que se seguiu a este anúncio e me senti acolhido e compreendido em um ambiente que normalmente seria impossível para mim”, afirmou. “Fico, e sempre fiquei, mortificado se alguém considerar que meus tiques involuntários são intencionais”, destacou.

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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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