Sophie Turner é aparentemente comum, mas enigmática em ‘O roubo’
Nova série do Prime Video com trama em torno de desvio de dinheiro de fundos de pensão para paraíso fiscal torna difícil distinguir heróis de vilões
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A nova aventura de Lara Croft ainda vai levar um tempo para estrear. Enquanto não a vemos como a heroína de “Tomb Raider”, Sophie Turner espanta o resto da poeira de Sansa Stark, de “Game of thrones”, em “O roubo”. Recém-chegada ao catálogo do Prime Video, a série de ação – e um pouco de drama – se passa no mundo financeiro de Londres.
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O mote já está no título. Mas não é um roubo comum. Na base de alguns cliques no computador, acontece um verdadeiro rombo: 4 bilhões de libras da Lochmill Capital, uma gestora de fundos de pensão, vai parar em paraísos fiscais. Essa grana toda era da aposentadoria de milhares de trabalhadores britânicos.
Sophie Turner é uma heroína bem ‘vida real’. Zara Dunne vive sozinha, longe da mãe mau caráter e alcoólatra e sem muitas perspectivas. A única diversão é se embebedar nos finais de semana (às vezes nos dias úteis, a fama dela não é lá muito boa, dadas as sucessivas ressacas) e esquecer a vidinha sem graça de funcionária do baixo escalão.
Mas ela é legal, tem um melhor amigo no trabalho, Luke (Archie Madekwe), tão festeiro e inconsequente quanto. Cada dia é mais um dia perdido, Zara explica à nova colega que vai trabalhar ao seu lado no processamento de transações da empresa. Mal a garota estreia na função, o mundo vem abaixo. O escritório chique é invadido por um grupo armado – todos devidamente disfarçados com próteses que dão às feições um ar meio alienígena.
Um grupo grande de funcionários é reunido em uma sala. O chefe dos bandidos exige que um funcionário do processamento vá para a frente do computador realizar a transação. Amedrontado, Luke ocupa o posto, pois é o chefe do setor. Mas a operação precisa de uma segunda pessoa – e é Zara a pessoa escolhida. O mal vence o bem e os pobres aposentados britânicos veem suas pensões sumirem, certo?
Não, pois nada é tão simples assim, descobrimos ainda ao final do primeiro episódio. Não é preciso somar 2 e 2 para compreender que Zara está envolvida na história. Mas o desdobramento é bem complexo, e vai ocupar, com altas doses de adrenalina – e algumas situações meio forçadas que a gente até deixa passar – os cinco episódios seguintes.
Logo logo aparecem outros personagens importantes. Um deles é Rhys Covac (Jacob Fortune-Lloyd), detetive da polícia londrina que se torna o parceiro improvisado de Zara na resolução de crimes. Assim como ela, ele tem seus próprios demônios pessoais.
A missão para recuperar os fundos se desdobra em várias ramificações, com a participação de outros poderosos e do MI5, que tem sua própria agenda. Em dado momento, torna-se complicado separar os heróis dos vilões.
Além deste cabo de guerra, “O roubo” sai em alguns momentos da seara da ação para fazer comentários sobre o mundo do dinheiro, a concentração de riqueza e a falta de objetivo das novas gerações. É interessante ver algum viés crítico em uma produção voltada para consumo rápido. Mas o melhor mesmo é a reviravolta sofrida por Zara ao longo da trama, que Sophie Turner apresenta de forma excepcional.
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“O ROUBO”
• A série, com seis episódios, está disponível no Prime Video.