Veja destaques do fim de semana da Campanha de Popularização Teatro e Dança
Primeiro fim de semana da 51ª edição do evento tem espetáculos veteranos na programação e também estreias; há opções para público adulto e infantil
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No palco, as bailarinas Dudude Herrmann e Lina Lapertosa protagonizam uma performance marcada pelo improviso, em que o jogo cênico explora os múltiplos sentidos do verbo “quebrar”. As duas se entregam a movimentos que refletem suas vivências na dança na montagem “Q BRÔ”, em cartaz desta sexta (9/1) até segunda na Funarte, dentro da programação da 51ª Campanha de Popularização Teatro e Dança. A performance é uma das estreias desta edição do evento, que elenca 41 espetáculos em cartaz neste fim de semana.
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“Q BRÔ” estreou em junho do ano passado, no CCBB-BH. “Foram três semanas com casa cheia”, lembra Dudude. “Para nós, foi uma grata surpresa, porque esse espetáculo é da ordem do humano, da natureza humana. Ele não obedece às questões do corpo social, mas às da arte, do corpo de invenção. Acredito que as pessoas traduzem isso do modo que querem”, afirma.
A performance começou a ser desenhada em 2019, na casa de Dudude, no distrito de Casa Branca. O nome “Q BRÔ” surgiu despretensiosamente, quando um prato caiu e se quebrou enquanto as bailarinas tomavam café. No ano seguinte, o projeto foi interrompido pela pandemia e por outra quebra, desta vez física: do pé de Dudude.
“Caminho torto”
Havia, no entanto, a necessidade de alcançar camadas interpretativas mais profundas. “Veio a ideia de que a gente precisava falar de integridade, falar de amor. Esse amor puro. Então, voltando o olhar um pouco para trás, eu via quantas coisas precisavam ser quebradas e despedaçadas para que a gente, seguindo esse caminho torto, pudesse se desviar daquilo que não é bacana”, destaca Dudude.
Essas ideias ganham forma tanto no movimento dos corpos das bailarinas quanto nos galhos de árvores usados como elementos cênicos. Tortos e quebradiços, eles se integram ao conceito do espetáculo, incorporando um componente oriundo da natureza.
Ao som de Patti Smith, Max Richter e Ryuichi Sakamoto, as intérpretes performam a partir de suas experiências na dança. Ambas pertencem à mesma geração, mas têm formações distintas. Dudude formou-se no Trans-Forma Centro de Dança Contemporânea, que renovou a cena mineira nos anos 1970. Já Lina Lapertosa tem formação clássica e foi a primeira bailarina da Companhia de Dança do Palácio das Artes.
“O grande barato do ‘Q BRÔ’ é a soma das diferenças. Eu e a Lina temos escolas distintas, e é isso que move a maneira como cada uma apreende os estados de dança dentro do espetáculo. Há um acolhimento das diferenças. Elas se desdobram em várias camadas e se encontram em um comum”, afirma Dudude.
“Mistérios de Agatha Christie”
Outra estreia na Campanha é “Os mistérios de Agatha Christie”, apresentado no Teatro da Biblioteca Pública de Minas Gerais, em sessão única neste domingo (11/1). A peça parte de “A ratoeira”, dramaturgia escrita pela própria Agatha Christie em 1952, na qual um grupo de estranhos fica preso em uma mansão isolada depois que ocorre um assassinato. O confinamento leva a revelações sobre passados sombrios e, naturalmente, à descoberta do culpado.
“Os mistérios de Agatha Christie”, no entanto, apenas se inspira na premissa de “A ratoeira” (mantendo nomes de alguns personagens), funcionando como uma espécie de continuação da obra da Rainha do Mistério. A estrutura narrativa do espetáculo é metaficcional, com a história se desenrolando inteiramente dentro da mente de Agatha Christie.
Em cena, Molly – a única personagem que sobrevive em “A ratoeira” – é assassinada, o que leva os detetives Hercule Poirot e Miss Marple a iniciarem uma investigação. Elementos da vida da própria Agatha são incorporados à dramaturgia, como a traição do primeiro marido, Archibald, e seu amplo conhecimento sobre venenos, adquirido durante o período em que trabalhou como enfermeira na Primeira Guerra Mundial.
“A peça também faz referências a outras obras, como ‘O assassinato de Roger Ackroyd’, ‘Assassinato no Expresso do Oriente’, além da autobiografia que escreveu”, conta Luisa Leão, autora do texto e diretora do espetáculo.
Em “Os mistérios de Agatha Christie”, o público terá papel fundamental na resolução do crime. “Deixamos pistas entre os espectadores. À medida que a peça avança, a plateia vai nos ajudando a desvendar o assassinato por meio desses indícios”, comenta Luisa.
51ª CAMPANHA DE POPULARIZAÇÃO DO TEATRO E DANÇA
Até 8 de fevereiro, em diferentes espaços de Belo Horizonte e Betim. Programação completa no site Vá ao teatro. Os ingressos podem ser adquiridos por R$ 25 no site ou nos postos de venda do Sinparc:
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- Shopping Cidade (Rua Tupis, 337, Centro, piso GG, loja 05, em frente ao cinema),
- Shopping Pátio Savassi (Av. do Contorno, 6.061, Funcionários, piso L3, no foyer do teatro) e
- Shopping Monte Carmo (Av. Juiz Marco Túlio Isaac, 1.119, Ingá Alto).
Nas bilheterias dos teatros, os valores são diferentes, determinados pela direção de cada espaço.