
Paradise in Flames faz show de lançamento de "Blindness" nesta sexta
Banda mineira lança hoje (14/6) álbum que une black metal, música erudita e baião. Disco é inspirado em "Ensaio sobre a cegueira", obra de Saramago
Mais lidas
compartilhe
Siga noA ideia de um álbum conceitual foi semeada durante a pandemia de COVID-19, em 2020, inspirada em discos como “Metropolis pt. 2: scenes from a memory” (1999), da banda norte-americana de metal progressivo Dream Theater, e germinada a partir da escolha de um tema que dialogava com o livro "Ensaio sobre a cegueira" (1995), do português José Saramago (1922-2010).
Seguindo a cartilha de óperas-rock como “Tommy” (1969) e "The wall" (1979), respectivamente, dos ingleses The Who e Pink Floyd, mas com outra proposta, unindo corais, vocais que vão do soprano ao gutural, orquestrações e até elementos de baião à sua aura black metal (uma das vertentes mais pesadas do gênero heavy metal), a banda mineira Paradise in Flames lança seu quinto disco, a ópera-metal "Blindness", que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (14/6).
No mesmo dia, em evento que começa às 19h no Mister Rock e conta com o também mineiro Old Audrey's Funeral e o paulista Desalmado, o grupo nascido em Santa Luzia, em 2002, apresenta seu novo trabalho na íntegra.
14/06/2024 - 04:00 Paulo Ricardo desembarca em BH com a turnê de "Rock popular" 14/06/2024 - 04:00 A Banda Mais Bonita da Cidade faz show em BH neste sábado (15/6) 14/06/2024 - 04:00 Lagum celebra 10 anos de carreira com show intimista e no Arena Hall em BH
“No nosso disco anterior, ‘Act One’ (2021), já tínhamos uma pequena história contada em duas músicas, ‘The sinner’ e ‘Delirium’. E essa experiência nos ajudou a ter uma visão do que seria escrever um álbum conceitual”, recorda o guitarrista, vocalista e líder do Paradise in Flames, André Damien. A cantora Opus Mortis, o tecladista e vocalista Guilherme Alvarenga, o baixista Robert Aender e o baterista SJ Bernardo completam o time que gravou “Blindness” e seu predecessor.
Polarização política
A história do novo álbum começou a ser esboçada a partir das impressões de André sobre a polarização política no Brasil e a pandemia.
“Estava-se misturando política e religião. E a religião prejudicava a parte da ciência. Indaguei com a banda que as pessoas estavam ficando ‘cegas’. Veio a reflexão de como seria se ninguém mais enxergasse, em um mundo em que a religião cria uma doença. Existiriam as pessoas que buscam o poder, falsos profetas que fingiriam não enxergar para dominar um rebanho, e as pessoas ‘cegas’ por seguir essas ideias causadas pelo credo”, relata Damien.
Sobre a questão da “cegueira”, o guitarrista estava ciente de que “José Saramago já havia escrito algo sobre isso”. “Comecei a associar o roteiro que estava criando ao livro ‘Ensaio sobre a cegueira’. A história do disco é completamente diferente, porém a parte filosófica é muito próxima, essa questão do comportamento humano e do instinto de sobrevivência, de não confiar no seu semelhante porque não se enxerga”, enfatiza.
A narrativa alia letra à musicalidade de cada faixa. “Por exemplo, a faixa ‘The priest’ fala de uma missa em que o padre sabe que há impostores na igreja, fala que ‘tudo é em nome de Deus’ e pede aos súditos para delatar as pessoas que vão contra a igreja. Para criar o clima, pensamos muito nos cantos gregorianos. A letra tem que passar a emoção junto com a música. E um álbum conceitual é como se fosse uma única música em um disco de 40 minutos”, comenta.
Baião com metal
Ainda sobre a simbiose das partes sonora e lírica, o líder do Paradise aponta “Black wings”, que une baião com metal, como “carro-chefe” da obra. “Essa música nasceu até um pouco antes da pandemia. A gente estava em ensaio, e o Guilherme veio com a ideia de se criar um ‘blast beat baião’”, ressalta. Blast beat ou metranca é um padrão rítmico de bateria em subgêneros do metal, como black e death metal, e que faz uso de baquetadas rápidas alternadas ou coincidentes na caixa e no chimbal ou ride.
“O Samuel deu a ideia de colocar instrumentos de forró, sanfona, zabumba, triângulo, chocalho, e assim criamos esse clima de baião para a música”, conta. A faixa ficou “guardada” até emergir como um dos capítulos de “Blindness”, em uma conexão com o livro “Vidas secas” (1938), de Graciliano Ramos (1892-1953). “O interessante é que o baião traz uma vibe mais feliz, alegre e dançante, mas, ao misturar com o black metal, resultou em um clima sombrio”, complementa André.
Outro ponto exaltado pelo guitarrista são os diferentes personagens da trama, evidenciados pelos vocais dele e dos de Guilherme e Opus Mortis, além dos do frontman do grupo mineiro Eminence, Bruno Paraguay, convidado para a canção “The cure”.
“É a música mais curta do disco (com pouco mais de três minutos) e tem quatro pessoas cantando ao mesmo tempo, o que resulta em um jogo de vozes”, diz o guitarrista.
“As camadas sinfônicas trazem identidade de teatralidade. Os vocais criam identidade aos personagens. Uma ópera possui vários personagens que dialogam entre eles, e o fato de o Guilherme, a Opus e eu cantarmos nos permite criar essa teatralidade. Começo uma frase, outra pessoa interrompe falando por cima, isso resgata a ideia de ópera. Será um grande desafio apresentar o álbum na íntegra, esperamos que o público compareça, pois será um show memorável para a história da banda”, assinala.
PARADISE IN FLAMES
Show de lançamento do álbum “Blindness”. Nesta sexta-feira (14/6), a partir das 19h, no Mister Rock (Avenida Tereza Cristina, 295 – Prado). Abertura: Old Audrey's Funeral e Desalmado. Ingresso + CD físico: R$ 55. Ingresso + LP preto: R$ 143. Ingresso + LP vermelho: R$ 148,50. Meia solidária: R$ 33. À venda na plataforma Sympla