Arte e filosofia
Teoria singular de Susanne K. Langer entrelaça filosofia da arte, epistemologia, filosofia da linguagem e antropologia filosófica
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Nascida em Nova York em 1895, Susanne K. Langer demonstrou precocemente gosto pela filosofia e pelas artes, sobretudo pela música. Seu vasto currículo é surpreendente e excepcional, porque raramente encontrado em sua época, quando as mulheres não eram escutadas.
Ela concluiu o bacharelado em 1920, orientada por Sheffer, o mestrado em 1924 e o doutorado em 1926, orientada por Whitehead. Estudou no Radcliffe College. Publicou “The practice of philosophy” (1930) e “An introduction to symbolic logic” (1937). Fundou a Association for Symbolic Logic e se distanciou da filosofia analítica, voltando-se para a filosofia da cultura proposta por Cassirer, de quem traduziu “Linguagem e mito” (1946).
Em “Filosofia em nova chave” (1942), examinou diferentes “formas simbólicas”, incluindo a música, que a conduziu à abrangente filosofia da arte elaborada em “Sentimento e forma” (1953), no qual todas as artes são exemplos da criação de formas expressivas e simbólicas do sentimento humano.
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O livro “Problemas da arte: dez conferências filosóficas” (1957) é agora relançado em Belo Horizonte, com primor, pela Quixote. Na capa, a obra “Substância” (2023), de Niura Bellavinha. O projeto gráfico é de Guili Seara.
Adrienne Dengerink Chaplin, pesquisadora da obra de Langer, assina a quarta capa. Ainda há o apêndice “A abstração na ciência e a abstração na arte”, de Langer.
Tradução e ensaio introdutório são assinados por Clovis Salgado Gontijo, pesquisador colaborador e pós-doutorando do Departamento de Filosofia da UFABC e professor do Seminário Provincial Sagrado Coração de Jesus, em Diamantina. Desde 2020, o especialista integra o Suzanne K. Langer Circle.
Salgado ressalta, na tela “A vocação de São Mateus”, de Caravaggio, gestos potentes e outros elementos que a constituem e ilustram pontos fundamentais da filosofia da arte de Susanne K. Langer. Pontua que Langer examina tais problemas fundamentais não sob perspectiva neutra, como historiadora da filosofia, mas a partir da sua teoria singular, na qual filosofia da arte, epistemologia, filosofia da linguagem e antropologia filosófica se encontram profundamente entrelaçadas.
“Problemas da arte” nos apresenta o fruto de amadurecidas reflexões elaboradas pela autora em aproximadamente duas décadas, depois do best-seller “Filosofia em nova chave” (1942), seu primeiro estudo sobre a significação musical, e a abrangente filosofia da arte elaborada em “Sentimento e forma” (1953).
Interessante ponto: a investigação da identificação da obra de arte com “forma viva”, observada por Aristóteles e Schiller, no seu âmbito biológico e pelo papel do sentimento, não só nas obras de arte, mas nos organismos, em especial no ser humano, na possibilidade de que “a racionalidade emerja como uma elaboração do sentimento”. Na subjetivação da natureza, um contraponto à objetivação do sentimento efetuada pelo artista como a matriz da mentalidade humana.
Langer aponta o papel fundamental em significância ou a “carga de significância” de uma obra de arte. O tema interessa à psicanálise por ser a arte uma expressão da subjetividade, capaz de promover a sublimação do sofrimento. Desde o trabalho de Nise da Silveira, mostrou-se capaz de uma suplência estabilizadora no tratamento de pacientes esquizofrênicos, como demonstram obras expostas no Museu do Inconsciente.
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O livro foi lançado este mês e haverá palestra sobre a filosofia de Langer em 16 de abril, às 18h, na Escola de Design da Uemg.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
