Flávio e aliados culpam Cleitinho por derrota em Minas
O futuro governador não buscou nem mobilizou os eleitores dos candidatos aliados derrotados na eleição estadual Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD)
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Eduardo Bolsonaro discorda. O irmão 03 avalia que o problema foi o deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL) por causar rejeição em outras regiões, como o Nordeste, mas Flávio e aliados culpam Cleitinho Azevedo. Para eles, faltou empenho do governador eleito e que ele deveria ser e assumir a “chefia da campanha” no estado.
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Após o primeiro turno no qual havia saído vencedor, Flávio chegou a dizer que não confiava em Cleitinho. Nas primeiras horas após a apuração do 2º turno, eles avaliaram que ele teria consolidado a imagem de “não confiável”. De acordo com a tese, o futuro governador não buscou nem mobilizou os eleitores dos candidatos aliados derrotados na eleição estadual, Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD). “Só o Roscoe trabalhou e ele não tem votos. A derrota de Minas está na conta do Cleitinho”, disse um observador.
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Como dissemos aqui, na quinta (22), Cleitinho ficou mineirinho e quietinho no segundo turno eleitoral. Apoiou Flávio, declarou voto, usou adesivo e participou do último ato do presidenciável em BH, no dia 24 passado, mas não foi além disso. Quando esteve em Juiz de Fora, na Zona da Mata, no dia 16, o candidato Lula o aconselhou a ficar “quietinho” e que, assim, ele só teria a ganhar.
Tudo somado, Lula virou em 76 cidades mineiras e reduziu a vantagem do rival em 322. Itabirito, a 60km da capital na Grande BH, deu a maior virada pró-Lula e se transformou em símbolo da mudança no segundo turno. Na única cidade mineira que visitou na etapa final, Capelinha (Jequitinhonha), o bolsonarista tomou a virada também.
Medo a Flávio foi maior
Em Minas, como no país, prevaleceu o medo de uma possível volta dos bolsonaros ao poder. No primeiro turno, diante de um quadro de cerca de 20 mil candidatos, a maioria de direita, o discurso apontava Lula, o STF e o ministro Alexandre de Morais como os principais vilões. Prevaleceu o medo da continuidade de Lula, Flávio venceu e a direita ganhou a maioria dos estados e das cadeiras no Congresso Nacional. Já no segundo turno, com apenas dois candidatos, o quadro ficou despoluído e o eleitor conseguiu avaliar e comparar um e outro candidato. Aí, o vilão e o medo mudaram.
AMM: Lula e Cleitinho
O presidente da Associação Mineira de Municípios e prefeito de Iguatama (Oeste), Lucas Vieira (PSB), quer ser a ponte entre Cleitinho e o presidente Lula. Nessa terça (27), durante reunião com o futuro vice-governador, Luís Falcão, defendeu que as trajetórias de vida comuns entre Lula e Cleitinho podem ser o ponto de partida para uma interlocução republicana. Lucas integra a comissão de transição do futuro governador e fala com a autoridade de quem lidera a entidade de 853 municípios mineiros. No segundo turno, ele apanhou de bolsonaristas por ter declarado apoio a Lula e por ter trânsito entre integrantes do PT e do governo federal.
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Histórico de fujões
A fuga de Flávio para debaixo das asas de Trump reafirma o histórico da família Bolsonaro e de bolsonaristas investigados pela Justiça. O pai dele, Jair, ainda na condição de presidente, também se debandou para os EUA, inaugurando a operação para não passar a faixa presidencial a Lula, em 2022. Foi copiado pelo ex-chefe da Abin, o delegado Alexandre Ramagem e pela deputada federal Carla Zambeli, para fugir dos inquéritos. O filho Eduardo foi pra lá também, mesmo tendo mandato de deputado federal. Ganhou asilo para se esconder da Justiça e conspirar contra seu país. A estratégia agora é repetida por Flávio que, também com mandato de senador, evadiu-se um dia após ser derrotado. De lá, quer seguir o exemplo do venezuelano Juan Guaidó: sob o argumento de ser exilado político, disse que irá organizar um governo paralelo.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.