Sem conchavos, Cleitinho cortará cargos políticos
O futuro governo tem pressa para que a medida possa render novos recursos em um orçamento engessado e comprometido por um déficit de R$ 10,5 bilhões
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Além de tentar renegociar a dívida com o governo federal, o governador eleito Cleitinho (Republicanos) prepara uma reforma administrativa para buscar recursos e viabilizar seu projeto. O alvo principal são os cargos políticos e comissionados. A missão foi dada por ele ao seu vice, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). Eles identificaram indícios de abusos e excessos após a briga entre o atual governador, Mateus Simões (PSD), e seu ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP). Depois do rompimento, Simões adiantou que demitiria os 500 ocupantes de cargos políticos de indicação de Aro.
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O futuro governo tem pressa para que a medida possa render novos recursos em um orçamento engessado e comprometido por um déficit de R$ 10,5 bilhões. “O Estado está quebrado. Vamos ter que economizar e fazer mais com uma estrutura menor. A estrutura administrativa foi ampliada demais nos últimos anos. O 1º governo de Zema foi de austeridade; já o 2º, ficou só no discurso. Havia 500 cargos na Secretaria de Governo. O que esse pessoal estava fazendo? Com o fim do acordo político entre eles, dispensou 500 pessoas. Tem alguma coisa errada ali; em conselhos de estatais, muitos cargos na Secretaria de Comunicação, onde há uma estrutura muito grande. Na nossa avaliação, dá para fazer um bom governo com uma estrutura menor e com mais eficiência. Vai ter enxugamento, sim”, adiantou Falcão.
De acordo com ele, será preciso de muito dinheiro para fazer tudo que prometeram. “Dinheiro não cai do céu. Tem que priorizar. Além de buscar uma negociação mais vantajosa para Minas na dívida, do fim de várias isenções fiscais, a reforma administrativa vai trazer economia e colocar as coisas para rodarem com mais agilidade e eficiência”, pontuou o vice-governador eleito.
Sem conchavos
Falcão disse que as estruturas montadas para acomodar partidos políticos serão desfeitas. “Graças a Deus, não fizemos conchavos políticos durante a campanha. Isso é da política, mas ganhamos sem fazer isso. Um ônus a menos”, disse.
Destravar processos
Junto do enxugamento de cargos, haverá também a simplificação de processos, especialmente na área ambiental. “Em um estado que tem a mineração e o agro, como pilares de sustentação econômica, que dependem muito da Secretaria de Meio Ambiente. Vamos acelerar o desenvolvimento do estado, sem corrupção e sem permitir que exista mineração degradante, sem contrapartida e que não seja sustentável. Estima-se que há investimentos de R$ 50 bilhões parados por questão de burocracia. Não pode ficar esperando anos.”, disse Falcão. Segundo ele, o dever de casa grande é destravar a burocracia enquanto a infraestrutura é mais demorada.
Especialistas em gestão
A reforma administrativa do governo Cleitinho está contando com a assessoria do Instituto Áquila, Fundação Dom Cabral e a Falconi Consultores de Resultado. Esses especialistas de gestão vão atuar na transição e na administração dos primeiros 100 dias e “nas primeiras entregas para apresentar o DNA do governo”.
Narrativa do déficit
Sob a orientação de Mateus Simões, sua equipe fez uma ginástica contábil para que o déficit orçamentário ficasse menor do que o que recebeu do antecessor Fernando Pimentel (PT). Inicialmente, disseram que o rombo para 2027 seria de R$ 5 bilhões, depois reajustaram para R$ 7,5 bilhões e, agora, atualizaram para R$ 10,5 bilhões, o que é 500 milhões menor do que a herança de R$ 11 bilhões do petista. Para isso, cortaram R$ 200 milhões do orçamento da Secretaria de Agricultura, que caiu de R$ 1,3 bi para R$ 1,1 bi e outros milhões de outras pastas. Após oito anos do partido Novo, o déficit é próximo do antecessor, mas a dívida dobrou de R$ 100 bilhões para cerca de R$ 200 bilhões por falta de pagamento.
Cleitinho não é ‘pitbull’
O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Lucas Vieira (PSB), passou os últimos quatro dias se defendendo de ataques de bolsonaristas após anunciar apoio a Lula (PT). Os primeiros torpedos partiram do clã Azevedo. Os irmãos de Cleitinho, Gleidson e Eduardo, o xingaram e pediram a saída dele da comissão de transição do governador eleito. Atrás deles, outras vozes raivosas os seguiram. “Isso mostra que uma ala do bolsonarismo é perversa, intolerante e preconceituosa. Nem todos são assim, mas o radicalismo sequestrou uma parte da direita com muito ódio”, atestou o prefeito e dirigente da entidade municipalista. Apoiador de Flávio Bolsonaro, o governador eleito ignorou a hidrofobia e manteve Lucas em sua comissão.
Articulação ‘the flash’
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Os aliados de Cleitinho Azevedo foram surpreendidos com a rápida articulação que culminou com a escolha do deputado Doorgal Andrada (PP) para ser o futuro presidente da Assembleia. Estranharam, mas não irão se meter, cientes da independência do Legislativo ante influências externas, especialmente do governador. Decidida em tempo recorde, na semana passada, a pressa da composição buscou também se vacinar contra eventuais influências dos resultados do segundo turno presidencial. Doorgal já tem, pelo menos, o apoio de 60 dos 77 deputados. Falta apenas se entender com o PT para alcançar a unanimidade.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.