Traído no PSD, Pacheco tenta dar o troco em Simões
Pacheco busca muito mais um partido do que viabilizar a disputa ao governo de Minas
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A uma semana de definir o destino político e partidário, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) reuniu-se, nesta terça (20), com o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira. Pré-candidato a governador, lançado pelo presidente Lula (PT), Pacheco busca muito mais um partido do que viabilizar a disputa ao governo de Minas. Como senador, não pode ficar sem uma legenda em função do desempenho da atividade legislativa.
Em Brasília, as especulações sobre a conversa incluem a disputa em Minas. O PP de Ciro Nogueira é aliado da pré-candidatura a governador de Mateus Simões, atual vice-governador, que tomou para si o PSD de Pacheco. A intenção de Pacheco seria, se candidato for, filiar-se ao União Brasil, que está federado ao PP.
Se houver um desfecho nesse sentido, os estragos seriam grandes para Simões e seu principal aliado em Minas, Marcelo Aro (PP), que é pré-candidato a senador.
O senador acalentava o sonho de ser governador de Minas como o de ministro do Supremo Tribunal Federal. No primeiro caso, foi traído pelo próprio partido, que filiou o concorrente dele e adversário, Mateus Simões. No segundo, Lula escolheu outro nome (Jorge Messias) para o STF.
Pacheco agendou encontros para a próxima semana com aliados com o objetivo de avaliar seu rumo. Quer ouvir a todos antes de anunciar a decisão: sair da vida pública ou não.
Lula chama Pacheco
O presidente Lula também agendou encontro com o senador antes que ele defina seu rumo, para uma última tentativa de convencê-lo a entrar na disputa mineira. A previsão é de que, até o final da semana que vem, Pacheco desça do muro.
Aécio: sonho ou pesadelo
Nessa temporada de pré-candidaturas, o deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, já foi incentivado a disputar novamente o cargo de governador de Minas e até de presidente. Na avaliação de aliados, para governador, o movimento seria muito trabalhoso, tendo que morar na capital e viajar por todo o estado. Para presidente, ao contrário, a campanha é mais midiática, via TV. O tucano vem se aconselhando com o ex-presidente Michel Temer (MDB), que não tem votos, mas influência sobre a cúpula de seu partido. Perder para presidente seria menos feio do que buscar sem sucesso a reeleição de deputado federal, sinalizando fim de carreira. Entre o sonho e o pesadelo, ele se desdobra para, como presidente tucano, manter vivo, pelo menos, o PSDB. Já seria uma vitória política pessoal.
Caixa alto nas eleições
Dezenove partidos receberam, no ano passado, R$ 1,1 bilhão a título de fundo partidário e outros R$ 102 milhões das multas eleitorais arrecadadas. O fundo representa uma das principais fontes de recursos públicos para a manutenção dos partidos. As cinco siglas que receberam os maiores repasses são PL (R$ 208,5 milhões); PT (R$ 152,3 milhões); União Brasil (R$ 116,8 milhões); Republicanos (R$ 95 milhões) e PSD, com R$ 91,2 milhões.
Primos pobres
As legendas que menos receberam do fundo foram Cidadania, com R$ 15,5 milhões; Rede Sustentabilidade (Rede), R$ 13,1 milhões, e PV, com R$ 12,8 milhões.
Novo é dos sem fundo
Como o partido Novo, outras nove legendas registradas no TSE não têm direito ao fundo por não atingir a cláusula de desempenho prevista na Constituição Federal. A cláusula impõe ter, para a Câmara dos Deputados, no mínimo, 3% dos votos válidos em nove estados ou eleger pelo menos 15 deputados federais em nove estados. Esse foi o principal motivo pelo qual o vice-governador Mateus Simões trocou o Novo pelo PSD para viabilizar financeiramente sua candidatura a governador neste ano, além, é claro, do tempo de TV.
Racionamento na Grande BH
Três fatores trazem risco de falta de água na Grande BH. Os reservatórios do sistema Paraopeba estão em estado crítico; a mineradora Vale não cumpriu obrigação, após a tragédia de Brumadinho, de construir sistema de captação para compensar os danos. Por último, a captação do Rio das Velhas está cada vez mais dependente das chuvas. Tudo somado, há risco de racionamento geral. O alerta é do deputado estadual Professor Cleiton (PV), que aciona o Ministério Público, a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas para cobrar solução do governo mineiro.
Vagas para pessoas negras
Ante a omissão do governador Zema, a Assembleia Legislativa de Minas promulgou lei que reserva 20% das vagas de concursos públicos para pessoas negras no estado. A norma é oriunda de projeto de autoria das deputadas petistas Andréia de Jesus, Beatriz Cerqueira e Leninha, e foi aprovada em dezembro de 2025. O texto foi promulgado pela Assembleia porque o governador perdeu o prazo para sancioná-lo e não comunicou o fato ao Legislativo.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
