Digital-first: como a Copa de 2026 vai mudar o seu jeito de torcer
Com 48 seleções e 104 confrontos, a maior Copa de todos os tempos será a primeira digital-first da história. No YouTube, a CazéTV transmitirá todas as partidas
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Minha memória anda péssima, especialmente com os 40 virando a esquina e duas gestações no currículo. Ainda assim, lembro da final da Copa de 1994 como se fosse ontem. Eu tinha oito anos e assistia aos pênaltis na casa dos meus avós. Quando Baggio se aproximou da bola, mentalizei com todas as minhas forças: “VAI ERRAR!”, como se eu tivesse os poderes da Matilda. Segundos depois, a bola subiu. Passei parte da infância convicta de que aquele título era mérito da força do meu pensamento.
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Parece bobagem, mas são memórias assim que constroem o laço entre nossas histórias e eventos dessa magnitude. Viver o futebol é uma experiência que passa por muitas camadas. É a emoção inerente a ganhar ou perder, a experiência de viver uma catarse coletiva, um momento de orgulho nacional (OK, nem sempre). E, por aqui, aprendemos a fazer isso ao longo de décadas nos reunindo diante da estrela da sala: a televisão.
Especialmente na última década, esse hábito tem se transformado. Segundo a PNAD Contínua TIC de 2025, embora quase todos os lares tenham TV, o acesso ao sinal aberto e pago caiu, enquanto o espaço do streaming vem crescendo. O consumo via TVs conectadas (CTV) também aumenta. No YouTube, já são mais de 80 milhões de brasileiros assistindo pela tela grande da TV, unindo o conforto do sofá com a liberdade da internet.
A Copa de 2026 será um marco nessa transição. Com 48 seleções e 104 confrontos, a maior Copa de todos os tempos será a primeira digital-first da história. No YouTube, além de toda a cobertura de bastidores, lances e comentários, a CazéTV, num acordo com a FIFA, transmitirá a totalidade das partidas. Embora a TV aberta mantenha a exibição de metade dos jogos — incluindo as finais e os da Seleção Brasileira —, o universo completo da competição estará acessível gratuitamente apenas no ambiente digital, consolidando o canal estrelado por Casimiro Miguel no YouTube como o destino definitivo para acompanhar o torneio.
Isso vai gerar um movimento de inclusão digital impulsionado pelo afeto e pelo esporte. Veremos netos e avós descobrindo juntos o caminho para aquele clássico que não passará na TV linear, transformando a tecnologia em uma ponte entre gerações. Mais do que uma mudança de plataforma, é uma evolução de linguagem: sai a formalidade da transmissão tradicional e entra a interatividade e a autenticidade que aproxima quem assiste de quem comunica.
Mauricio Portela, Head de Conteúdo da CazéTV, me disse que a aposta para reter essa nova audiência é justamente essa conexão genuína. “Muita gente vai assistir à CazéTV pela primeira vez. Temos confiança de que, ao conhecer nossa forma de transmitir — com atrações divertidas, um elenco muito bem informado, criadores espalhados pelo Brasil e junto às grandes seleções do mundo — muitos podem se apaixonar por essa experiência. Vamos viver uma Copa especial com a nossa comunidade e, ao mesmo tempo, abrir as portas para receber uma nova audiência que esperamos que siga com a gente por muito tempo”.
Se o boom das lives de música na pandemia abriu as portas da nossa sala para o YouTube, a Copa de 2026 tem a chance de ampliar ainda mais esse comportamento. É claro que ainda há desafios: a ampliação do acesso a TVs conectadas, que, segundo dados da Comscore de 2025, atingiu 64% da população digital no Brasil, ou mesmo o delay em relação à TV aberta. No entanto, esse é um gargalo que, em breve, a tecnologia resolverá e que, aliás, não parece ter incomodado a audiência em outras transmissões. Prova disso foi o sucesso do Mundial de Clubes de 2025, em que a partida entre Flamengo e Bayern de Munique na CazéTV alcançou mais de 6,5 milhões de visualizações simultâneas no Brasil.
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Esta edição chega cercada de perguntas em aberto: veremos o surgimento de um novo ídolo nacional? Há chance real para o Hexa? O campo continua gramado, mas o espetáculo agora é múltiplo e conectado, com a tecnologia aproximando gerações em torno de uma nova forma de torcer, em que grito da torcida vem também do chat ao vivo. Enquanto as respostas não chegam, eu pergunto: você já parou para pensar em como a sua relação com a TV mudou ao longo dos anos?
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
