Jaeci Carvalho
Jaeci Carvalho

O impedimento semiautomático é uma grande mentira

É preciso dizer também, que quem opera o dispositivo é humano e todo humano comete erros, a favor e contra

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A Fifa instituiu o impedimento semiautomático como sendo uma grande revolução, mas o que vimos na Copa do Mundo e estamos vendo agora no Brasileirão é vergonhoso. O maior árbitro da história do Brasil, Arnaldo Cezar Coelho, já deu sua nota e disse que o dispositivo é uma vergonha, e que veio para atrapalhar ainda mais o futebol: “o impedimento é caracterizado quando a bola sai dos pés de quem deu o passe e não na hora em que o atacante recebe”, diz Arnaldo. É verdade. Quando a gente observa o lance em que sai o gol de Samuel Lino, contra o São Paulo, quando a bola sai dos pés do lançador, Wallace Yan, não está em posição de impedimento. Quando a câmera mostra a ponta da chuteira dele à frente do defensor do São Paulo, há um erro gigantesco, pois não é ali que o impedimento se caracteriza e sim na hora em que o passe foi dado. Yan estava em posição normal, antes dos zagueiros são-paulinos. Um erro crasso, que custaram dois pontos ao Flamengo.

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É preciso dizer também, que quem opera o dispositivo é humano e todo humano comete erros, a favor e contra. Isso vai acontecer na competição toda, pois a CBF comprou a ideia, então, a cada rodada, teremos reclamações fortes, pois lances como os de domingo podem definir um título. O bandeirinha hoje não tem mais nenhuma função, e os árbitros são reféns do VAR. Gente, será que o bandeirinha não viu o exato momento em que a bola saiu dos pés de quem deu o passe? Ele tem que estar colocado sempre na linha do último defensor. Normalmente os árbitros antigos se baseavam pelo barulho da bola, na hora em que o passe é dado, pois eles têm que ter um olho no “peixe e outro no gato”. É tudo muito confuso e o VAR, até aqui, não tem sido solução para nada. Ao contrário, no Brasil, ele até tem atrapalhado demais. Sou a favor de tecnologias que venham para dirimir erros crassos, como uma penalidade mal assinalada, uma bola que ultrapassou ou não a linha do gol e por aí vai. O que não pode é o VAR interferir em decisões acertadas do árbitro de campo e induzi-lo ao erro, e é exatamente isso que tem acontecido no futebol brasileiro.

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Outra necessidade é a International Board, junto com a Fifa, acabar com o impedimento por milímetros. Uma ponta de chuteira, uma unha, uma franja. Isso é uma covardia com quem faz o gol. Em defesa dos árbitros, é preciso que se dê um basta nos jogadores. O juiz marca algo e logo é cercado por 10 atletas, cada um reclamando de um jeito. Isso precisa acabar. Na Copa do Mundo, a gente não vê árbitros sendo cercados, ainda que cometam erros crassos, nem tampouco, na Europa. Simulações continuam de forma descarada. No fim de semana teve um jogador de um clube, que nem foi tocado, mas simulou, como se tivesse tomado um soco na cara. Que vergonha! Outro espertalhão, do Fluminense, caiu fora de campo, e foi se arrastando para dentro do campo, para parar o jogo e ser substituído. Onde está o cumprimento da nova regra, onde simulação deixa o substituto 1 minuto fora e a equipe com 10 em campo? Nosso futebol está doente e agoniza em todos os aspectos. Clubes quebrados, pagando salários de Europa, jogadores “fingindo que jogam e clubes fingindo que pagam”, arbitragens caóticas, violência exagerada e tantas falcatruas que a gente vê. E o torcedor, ávido pela volta do nosso verdadeiro futebol, pagando caro, lotando estádios para assistir a jogos horríveis, onde a bola rola apenas 45 minutos de um total de 100 minutos, com os acréscimos. Ou todos nós, inclusive a imprensa, mudamos nossa postura, ou nossa “galinha dos ovos de ouro”, que um dia foi invejada pelo mundo todo, vai sucumbir. Nos orgulhamos de sermos os únicos pentacampeões do planeta bola, mas esquecemos que isso aconteceu num passado longínquo e que o futebol que praticamos hoje é de quinta categoria.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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