Galo precisa ajeitar finanças e voltar a ganhar taças
É preciso que o torcedor entenda o momento, apoie e seja paciente. A construção demanda tempo, espera e confiança. Não se arruma a casa do dia para a noite
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A Copa do Mundo acabou, o Brasil fez um papel vexatório, mas o Brasileirão voltou com alguns jogos interessantes. Gostei muito do jogo em que o Galo empatou com o Bahia por 1 a 1, mas que poderia ter sido 3 a 3, 4 a 4, tamanha a quantidade de oportunidades criadas pelas duas equipes. A parada para a Copa, a chamada intertemporada, foi boa para ambas as equipes, pois seus treinadores, Barba e Ceni, mostraram que conseguiram entrosar bem as peças e o futebol jogado pra frente, em busca do gol, me agradou bastante. É sabido que o Atlético não contratou reforços, pois está ajeitando a sua casa financeira, mas um centroavante, aquele cara com o cheiro do gol, é preciso contratar, e esse é um dos pedidos do treinador. Também não é fácil achar esse cara no mercado, mas é preciso ir atrás.
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Quando o torcedor sabe que seu time tem dono e que é SAF, ele imagina que tem dinheiro jorrando à vontade. A coisa não funciona assim. As SAFs têm compromissos de pagar dívidas passadas, de escalonar com seus credores e de ajustar as finanças. E nenhum dono vai ficar tirando dinheiro de suas empresas para por num clube a fundo perdido. Claro que nesse primeiro momento, sempre que urgente, os donos fazem aportes, mas o torcedor precisa entender que não pode imaginar R$ 500 milhões num mês, mais R$ 500 milhões no outro. As dívidas dos clubes são impagáveis, e se não houver responsabilidade no escalonamento dessas dívidas, vira uma bola de neve. O Atlético fez um aporte, recentemente, para deixar de pagar mais de R$ 100 milhões de juros anuais. Isso é responsabilidade.
Eu já disse que o modelo a ser copiado é o do Flamengo, que ficou de 2013 à 2018 pagando suas dívidas, ajustando sua situação financeira, e, por acaso, ganhou a Copa do Brasil naquele ano. Depois, ficou 5 anos na penumbra, até que de 2019 para cá começou a ganhar tudo, contratar grandes jogadores, pois a casa estava arrumada. Tornou-se um clube superavitário e hoje, junto com o Palmeiras, outro clube muito bem gerido, disputa as principais taças. O Atlético não é diferente dos outros 18 clubes da Série A, pois está na mesma situação, com seus problemas, dívidas e responsabilidades. Tem um elenco na conta do chá e todos sabemos que não tem condições de ganhar taças. Porém, é preciso que o torcedor entenda o momento, apoie e seja paciente. A construção demanda tempo, espera e confiança. Não se arruma a casa do dia para a noite.
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Seria fácil gastar uma fortuna, montar um timaço e ganhar num ano, para depois endividar ainda mais o clube e ficar tanto tempo sem ganhar nada. É melhor o processo inverso, onde se ajusta as finanças, fica um tempo sem ganhar e parte para as conquistas, como clube superavitário. Sei que o torcedor é paixão e emoção, e se lixa para dívidas, mas ele tem que lembrar que são elas que corroem a estrutura e que não permitem sucessos sucessivos. Então, a escolha é sua, atleticano: você prefere ficar um tempo sem ganhar nada e depois se tornar um grande vencedor ou ganhar uma vez, como em 2021, o melhor ano dos anos 20, e ficar como está agora, com um time limitado e sem possibilidades de taças? Isso serve para todos os outros 17 clubes do Brasil. Ou se organizam financeiramente ou vão amargar anos e anos sem conquistas.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
