Deixem a vida privada de Neymar em paz
As atitudes dele fora de campo são questões pessoais e privadas, e, quanto a isso, ninguém tem o direito de questionar
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Neymar foi dos melhores de sua época, encantou a todos nós quando surgiu no Santos, teve belíssima passagem pelo Barcelona, como coadjuvante de Messi, Iniesta e Xavi, ganhando a Champions League de 2015. Mas no PSG, onde deveria ter sido protagonista, fez grandes jogos, mas não conseguiu levar o time ao troféu maior da Europa.
Uma coisa é preciso dizer: na Seleção Brasileira, Neymar jogou sozinho e não teve nenhum craque sequer para dividir a responsabilidade com ele. Ainda assim, poderia ter feito mais, pois sua técnica e requinte são inquestionáveis.
As atitudes dele fora de campo são questões pessoais e privadas, e, quanto a isso, ninguém tem o direito de questionar. Eu faço uma única ressalva, que foi a festa que ele deu durante a pandemia de COVID-16, em sua mansão, enquanto tinha gente morrendo sufocada, nas casas ao lado. Como era uma questão mundial, achei que ele poderia ter evitado tal festa, ainda que seus convidados estivessem testados. Mas aí também é da cabeça de cada um.
Talvez ele não se importasse muito com a vida de quem o avizinhava. No mais, a vida dele não diz respeito nem a mim, nem a ninguém. Temos que analisá-lo apenas dentro de campo, onde ele se tornou um ex-jogador em atividade há tempos.
Os “neymarzetes” se vangloriam de ele ter ganhado a primeira medalha de ouro para o Brasil na Olimpíada de 2016, no Rio. Contra o time sub-20 da Alemanha, e nos pênaltis. Se gabam também de ele ter 80 gols pela Seleção Brasileira, a maioria contra seleções de qualidade duvidosa, jogando 10 amistosos por ano. Não tem um gol contra uma Argentina, Inglaterra, França, Alemanha, que tenha sido decisivo. Uma artilharia que na verdade nada significa.
O ciclo Neymar na Seleção Brasileira, para mim, acabou, assim como sua carreira no futebol, a não ser que ele queira jogar na MLS, que ampara todos os idosos do futebol. Casemiro e Griezmann acabaram de chegar. Aqui, ele terá espaço de celebridade, vai ganhar muito mais dinheiro e encerrará sua carreira sendo ovacionado pelos inocentes torcedores norte-americanos, os poucos que gostam de futebol.
Eu gostaria que Carlo Ancelotti desistisse de dirigir a Seleção Brasileira. Ele não deu certo e não dará. E temo que ele tenha em Neymar o carro chefe de sua equipe. Sim, se ele se curvou aos patrocinadores, convocando um jogador sem condições de atuar, quem me garante que não o chamará para os insignificantes amistosos de setembro?
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Só espero que o torcedor brasileiro dê uma banana para a Seleção e para a CBF, e não volte a torcer enquanto não houver renúncia coletiva na entidade, com a chegada de novos dirigentes, gente que tenha jogado bola e saiba gerir: Gilberto Silva, Kaká, Ronaldo Fenômeno. Vivemos o pior período de nossa história no futebol e Neymar não é o único culpado. Ele faz parte de uma engrenagem arcaica, retrógrada e ultrapassada. Deixem Neymar em paz em sua vida privada, e, no futebol, o esqueçam, pois ele é apenas um ex-jogador em atividade.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
