Cachaça é estrela de um dos melhores jantares do ano
Chefs mineira e paulistana assinaram menus com inspiração na bebida, no Festeja do restaurante Trintaeum
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Para o fim do ano faltam pouco mais de três meses e, até lá, alguns jantares devem movimentar a pauta, mas não é exagero dizer que o encontro das chefs Ana Gabi Costa, do Trintaeum, e Janaína Torres, do Dona Onça, de São Paulo, na última quarta (9/9), no restaurante da chef mineira, entra disparado na lista dos melhores do ano.
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Os sete tempos apresentados no menu do Festejo: Trintaeum Celebra a Cachaça passaram com louvor nos quesitos sabor – todos deliciosos e deixando aquele gostinho de quero mais – e apresentação dos pratos – delicadeza, com destaque para a Salada de frutas marinadas na Cachaça Copan e o Porco, mel e Cachaça Copan.
CACHAÇA
Antes de começar o serviço, Ana Gabi disse que aquela noite era muito importante para ela por vários motivos. “Primeiro, porque, quando a gente começou o trabalho de cachaça aqui no Trintaeum, falei para nossa equipe querida que a gente não ia abrir as portas do mundo para a cachaça não, a gente ia dar bicudo.
A gente ia insistir para poder contar para o mundo o quão a cachaça é importante para a gente, povo mineiro”, ressaltou. “A cachaça faz parte da construção do nosso sistema alimentar em Minas. Não à toa, ela é preparada muito dentro da cozinha. E é essa conexão que eu tenho: cozinhar com a cachaça dentro da panela.”
HOMENAGEM
Ana Gabi disse ainda que, conforme manda a tradição do Festejo, o encontro celebra, além de um tema – a cachaça – também a chef convidada, Janaína Torres. “Para a gente, é um prazer enorme poder receber quem representa tanto território da gastronomia brasileira e tem tanto a ensinar para a gente, muito mais do que já ensinou”, disse, agradecendo a presença da chef paulistana.
TRADIÇÃO
Por sua vez, Janaína elogiou os mineiros. “Falar de Minas Gerais é falar da gente, é falar de quem nós somos, da nossa tradição, das casas, né, do dia a dia, da cozinha, da técnica cotidiana, que é pós-colonização, mas que perdura, que virou tradição, e que se enraizou aqui de forma tão positiva, tão humana e com tanto orgulho. Todo mineiro cozinha muito bem”, afirmou.
TIQUIRA
Janaína contou um pouco da história da cachaça. Lembrou que há relatos que a Tiquira seja a primeira cachaça do mundo, feita pelos indígenas. “E acabou descobrindo essa cachaça, não a Tiquira, que era feita da mandioca, que talvez seja o produto nativo brasileiro, mas a gente aprendeu, então, com a chegada dos portugueses, das imigrações, dos africanos, a conhecer a cana-de-açúcar, que não é nossa, que não é brasileira nativa, mas, quando ela nasce no Brasil, ela torna-se a brasileira.” Ao longo das edições, o projeto recebeu Flávio Trombino, Onildo Rocha e Roberta Sudbrack, grandes nomes da cozinha brasileira.
CRIATIVIDADE
No menu de sete etapas, o consomê de porco, cogumelos e cachaça foi o sinal de que a noite seria surpreendente, seguido de salada de frutas marinadas e pastel de queijos mineiros para compartilhar.
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Destaque para o The Modernist Amburana, uma homenagem de Ana Gabi à galinhada do Bar da Dona Onça, preparado com cachaça Amburana. Janaína assinou porco, mel e cachaça; e a receita de abóbora, músculo, couve e arroz embriagado fecha a ala dos salgados. Na sobremesa, de Ana Gabi, o clássico gelado de queijo de cabra, desta vez acompanhado de compota de cajuí e melaço de cachaça, e Jana Torres levou seus brigadeiros.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.