Por mais cuidadosa que seja a curadoria de um projeto musical, é muito difícil acertar nas escolhas. Quando isso acontece, o projeto cai no gosto do público, que não só lota o teatro como fica sempre de olho nas atrações. É o que acontece com “Uma voz, um instrumento”, que, na última quinta-feira (23/7), encerrou a sua temporada 2026. A edição teve apresentações mensais, desde março. Zeca Baleiro e Swami Jr. fecharam a programação com uma apresentação emocionante em homenagem a Dolores Duran (1930-1959), cereja do bolo de encontros musicais que, ao longo de cinco meses, reuniram Dori Caymmi e Alice Caymmi, Otto, Patrícia Ahmaral com Sergio Pererê, Pedro Morais e Marcelo Veronez, Tiê e Vítor Santana.

 

 

UM DOS GRANDES

Swami não escondeu a satisfação de fazer parte da programação que comemorou os 10 anos do projeto criado por Pedrinho Alves Madeira. "É maravilhoso", elogiou. O show apresentado pelo violonista e por Zeca Baleiro foi o único dos cinco que não foi feito sob medida para o projeto. Swami contou que, em outubro do ano passado, recebeu convite do Sesc 14 Bis, de São Paulo, para criar um show homenageando um grande nome da música brasileira, e que ele estivesse acompanhado por um artista contemporâneo importante. "O que foi para mim surpreendentemente fácil. As minhas primeiras lembranças musicais são de meu pai, em casa, tocando Dolores Duran". Escolher Zeca Baleiro também foi fácil. Meu parceiro, meu irmão querido, um dos grandes da música brasileira."


PARCEIRO DA VIDA

Zeca, por sua vez, disse ser uma grande honra cantar o repertório de Dolores Duran ao lado de Swami, "um parceiro da vida". O cantor lembrou que Dolores morreu em 1959, aos 29 anos. "Deixou uma obra curta, embora muito rica e muito intensa", observou. Contou que o nome verdadeiro da cantora era Adiléia Silva da Rocha. "Um amigo propôs um dia o nome Dolores Duran porque parecia nome de cantora de bolero, apaixonada, intensa como ela era. O nome caiu muito bem. Eu, por muito tempo, achei que Dolores era o nome de batismo", disse, reconhecendo "ser uma honra cantar uma obra tão intensa, feminina, apaixonada e sofrida também."


NOS DOIS

Fora do script, logo após elogiar a produção musical de Minas e compositores como Lô Borges, Milton Nascimento, Celso Adolfo, Paulinho Pedra Azul, Zeca citou sua admiração por "Nós dois", de Celso Adolfo, e cantou a canção de improviso, contando com a ajuda da plateia para lembrá-lo de trechos da letra que escapavam à memória do maranhense.


"CRY ME A RIVER"

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Um dos momentos mais emocionantes foi quando a voz de Dolores tomou conta do teatro. Zeca e Swami escolheram apresentar ao público a gravação de "Cry me a river", standard da música norte-americana, na voz da cantora. "Ela era uma intérprete incrível, cantava em vários idiomas. Quando Edith Piaf ia ao Rio de Janeiro, ela que era sua intérprete. Ela andava pra cima e pra baixo com Sarah Vaughan, com todas essas cantoras maravilhosas", contou Swami. Outro registro de Dolores tocado em off foi a bem-humorada "Prece de Vitalina", parceria dela com Chico Anysio e representante de sua aproximação com os ritmos nordestinos.

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