Muitas armadilhas no caminho dos atletas
O esporte de alto rendimento exige muito sacrifício. Os atletas precisam abdicar de grande parte da vida social desde muito novos
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Em entrevista ao podcast “10 & Faixa”, comandado pelo ex-jogador Diego Ribas, o armador De Arrascaeta fez algumas revelações interessantes. Uma delas foi a que era muito “rebelde” quando chegou ao Cruzeiro, em 2015, ficando irritado por ser colocado na reserva por Vanderlei Luxemburgo, assim como aconteceu no Flamengo de Abel Braga, em 2019.
Irritado, “avacalhava” jogos-treino do time reserva da Raposa, tentando gols olímpicos quando devia buscar companheiros em cobranças de escanteios ou abusando dos lances individuais quando o correto seria buscar tabelas ou tentar passes e lançamentos. Em determinada atividade, chegou a marcar um gol contra depois de ser cobrado por Dedé.
“Eu olho para trás e fico impressionado com as coisas que fazia”, reconheceu o uruguaio, que diz ter amadurecido bastante para se tornar um dos principais jogadores da América do Sul nos últimos anos.
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De Arrascaeta não foi o único nem será o último jovem a colocar a carreira em risco. A inexperiência, a falta de orientação ou os conselhos errados, os falsos amigos, a superexposição, os ganhos acima da média do restante da população, motivos não faltam para desviar as promessas do bom caminho.
Durante a carreira de jornalista, convivi com inúmeros jogadores talentosos que se perderam pelo caminho. Alguns não suportaram a pressão por resultados. Outros, não conseguiram evoluir tática ou fisicamente. E há aqueles que simplesmente não tiveram comportamento adequado, sendo emprestados pelos grandes clubes à agremiações menores até chegarem a um ponto sem volta na carreira.
O esporte de alto rendimento exige muito sacrifício. Os atletas precisam abdicar de grande parte da vida social desde muito novos para atingir os objetivos. Nem todos se dispõem a isso.
Mesmo os que passam pelo estreito funil da elite precisam se manter atentos. Como ocorreu com De Arrascaeta, podem perder a paciência com a reserva. E em esportes coletivos, respeito à hierarquia é fundamental.
Com o advento das redes sociais a exposição dos atletas, especialmente do futebol, aumentou bastante. Antes, os dirigentes conseguiam “abafar” algumas situações que hoje se tornam públicas com facilidade, mesmo quando não interessam a nenhuma das partes. Para evitar maior prejuízo, os clubes acabam negociando algumas joias antes do desejado e/ou por valores abaixo do que valem. Ruim para todo mundo.
Que os garotos talentosos se conscientizem cada vez mais da chance de ouro que têm em mãos – ou nos pés, no caso dos que praticam o esporte bretão. Sei que não é fácil fugir das tentações, mas é possível se divertir sem abrir mão do profissionalismo.
Um ano diferente do outro
O futebol prova a cada dia que é um uma “caixinha de surpresa”, como diriam os antigos. Não há fórmula do sucesso. Às vezes, uma equipe vencedora mantém o treinador e a base da equipe, mas não consegue repetir as boas atuações da temporada anterior, como mostra o Flamengo comandado por Filipe Luís neste início de 2026.
Claro que temos de levar em conta que os jogadores rubro-negros estão muito longe da melhor forma física. Mas o time tem errado coisas básicas.
No Cruzeiro, o desafio de Tite é repetir o sucesso obtido por Leonardo Jardim em 2025. Para muitos, como os principais atletas são os mesmos do ano passado e o grupo ainda ganhou o luxuoso reforço de Gerson, seria obrigação, no mínimo, manter o bom desempenho.
Não é tão simples. Os jogadores podem ser os mesmos, mas estão um ano mais velhos. A forma de atuar também foi exaustivamente estudada pelos adversários. E o novo treinador, obviamente, tem conceitos diferentes, que precisam de tempo para serem implementados.
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O problema é a falta de paciência. Inclusive de muitos analistas.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
