Minha bola de cristal veio com defeito
Farei minhas previsões, mas alertando que elas têm grandes chances de serem absolutamente furadas
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O Campeonato Brasileiro começou mais cedo este ano, cerca de dois meses antes ao que nos acostumamos nas últimas temporadas. Isso torna ainda mais difícil uma de nossas práticas preferidas: adivinhar o desempenho dos participantes.
Se antes os estaduais davam algum embasamento, mas não evitavam que errássemos bastante os prognósticos, agora realmente damos “chutes no escuro”. Podemos nos balizar pelos nomes que cada clube dispõe, mas, com a “invasão” estrangeira no nosso futebol, muitos deles nós nunca vimos em ação ou vimos muito pouco.
Salvo fissurados em futebol no nível hard e profissionais contratados pelos clubes para elaborar relatórios de desempenho de possíveis alvos de contratações, não dá tempo de acompanhar todos os jogadores das principais ligas. Pode-se encontrar melhores momentos da maioria na internet, onde também é possível saber facilmente como anda o desempenho de cada um de acordo com os números por temporada. Mas dizer que conhece o referido atleta a fundo, aí costuma ser forçação de barra.
Justamente por isso, farei minhas previsões já alertando que elas têm grandes chances de serem absolutamente furadas. Entre os favoritos ao título, seguem Flamengo e Palmeiras, mas nem isso afirmo de forma categórica. Afinal, todos sabem o quanto é difícil manter o ritmo após uma temporada de glórias, como teve o rubro-negro, enquanto no alviverde Abel Ferreira tenta retomar o bom caminho.
De resto, vejo tudo muito igual. Coloco Atlético e Cruzeiro como duas grandes incógnitas, o primeiro por desde o ano passado procurar o melhor caminho sob o comando de Jorge Sampaoli, enquanto o segundo tem de se adaptar à entrada de Tite no lugar de Leonardo Jardim, que levou a equipe ao terceiro lugar no ano passado.
Para completar, o Galo está passando por grande reformulação. A Raposa, por sua vez, manteve seus principais destaques e apostou suas fichas na contratação de Gerson. A dúvida é como ele se encaixará no time celeste – ou se o time se adaptará ao estilo dele.
Também não sei o que esperar de equipes que têm bons jogadores e bons treinadores, mas vivem momento financeiro turbulento, como Santos e Corinthians. Ou do Fluminense, do instável técnico Luis Zubeldía. Nem mesmo do Bahia, mais uma vez comandado por Rogério Ceni e que desfruta as benesses de pertencer a um grupo de investimentos multinacional, ou do Bragantino, que vive situação administrativa semelhante.
Menos ainda de Botafogo e Vasco, do São Paulo ou dos gaúchos Grêmio e Inter. Ou do Mirassol, surpresa do Brasileiro 2025, no qual terminou em quarto lugar, garantindo vaga na Copa Libertadores. Conseguirá o time paulista, novamente sob a batuta do competente Rafael Guanaes, repetir a façanha? Já Vitória, que escapou por pouco da degola no ano passado, está no mesmo nível dos quatro que subiram: Athletico-PR, Chapecoense, Coritiba e Remo.
Como a janela de transferências está aberta até 3 de março, só a partir da quinta rodada deveremos ter um panorama mais claro da situação. Enquanto isso, vamos nos divertindo com os jogos e conhecendo mais jogadores.
O céu é o limite
Uma pesquisa da empresa de consultoria BDO mostra que cerca de 90% dos clubes das quatro divisões da Inglaterra deverão registrar prejuízo financeiro em 2025. Até mesmo os ricos da Premier League têm dificuldades para manter a estabilidade financeira.
Por aqui, depois de o Cruzeiro anunciar a contratação de Gerson por cerca de R$ 170 milhões, o Flamengo fechou o retorno do também meio-campista Lucas Paquetá por inacreditáveis R$ 260 milhões. Em ambos os casos, não estão inclusos os salários e luvas dos reforços.
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Não sou especialista em finanças, mas, se continuar assim, não sei se o futebol vai se sustentar. Meu medo é que seja uma bolha e que ela não demore a estourar.
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