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Entre mensagens que chegaram por via oficial, em notas de embaixadas e publicações em mídias sociais de chanceleres e chefes de Estado, o presidente Lula recebeu mais de 200 reconhecimentos de sua reeleição. O presidente chinês, Xi Jinping, o russo Vladimir Putin, o francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez estão entre os líderes mundiais que parabenizaram Lula. Manifestaram-se Itália, Chile, Paraguai, Colômbia, Peru, Japão, todos eles governos de direita, e até El Salvador de Nayib Bukele, modelo que serve de inspiração para o bolsonarismo na área de segurança pública. Há um trio, contudo, que ainda resiste: os Estados Unidos de Donald Trump, a Argentina de Javier Milei e Israel, neste momento, em processo eleitoral.
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Enquanto o mundo sela a reeleição de Lula (PT), que se tornou inspiração no enfrentamento da direita não tradicional mundo afora, Flávio Bolsonaro (PL) protagonizou uma fuga rocambolesca. Para isso, teve o apoio do ministro Alexandre de Moraes, que ao apreender os seus passaportes na sequência de sua derrota eleitoral, deu-lhe a narrativa de “vitimização”.
Flávio cruzou a fronteira do Brasil com a Argentina, às 22h50 de terça, 27, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. Estava acompanhado da mulher, Fernanda, e das filhas, Carolina e Luiza. Às 23h30, a família embarcou em um voo privado da companhia Baires Fly S.A com destino a Guayaquil, no Equador, de onde seguiu para Miami: pousou na quarta-feira (28), às 10h23.
Uma vez nos Estados Unidos, o candidato derrotado à Presidência da República, divulgou uma carta em que se apresentava como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Causou tanta perplexidade, inclusive entre aliados, que o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais apoiadores da família Bolsonaro, reagiu afirmando que entendia o sentimento de Flávio, mas "o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente".
Minutos depois, Flávio republicou o texto nas redes sociais sem a frase de teor golpista, reclassificando-se como “líder do Brasil”. Ao menos quatro versões do documento circularam, mas só as duas últimas foram publicadas pelo próprio senador. Donald Trump, que acolheu Flávio e a sua família nos Estados Unidos preferiu dar um passo atrás: afirmou que não irá se envolver na turbulência
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Na prática, quais são as consequências de os Estados Unidos, a Argentina e Israel não reconheceram a reeleição de Lula? Quem explica é Dawisson Belém Lopes, professor de Política Internacional da UFMG. As repercussões ocorrem principalmente no plano diplomático, sem qualquer validade jurídica do pleito em si. Por uma razão simples: tipicamente, Estados nacionais não reconhecem governos; reconhecem apenas os de igual estatuto – ou seja: reconhecem outros Estados. “O fato de EUA e Europa terem reconhecido, num passado recente, o governo de Juan Guaidó, na Venezuela, até gerou mimetismo por parte de Jair Bolsonaro, no Brasil, mas aquilo era uma ruptura com a tradição”, explica ele.
Do ponto de vista político, o não reconhecimento de Trump é combustível para o bolsonarismo raiz seguir acusando “fraude” na eleição brasileira, na qual o PL elegeu 121 deputados federais, entre os quais, Renato Bolsonaro (SP), irmão de Jair e Renan Jair Bolsonaro (SC), filho de Jair com a segunda esposa. Conquistou ainda mais 19 cadeiras no Senado, entre as quais, uma para Michelle Bolsonaro e a outra para Carlos Bolsonaro. Elegeu também seis governadores.
Mas a esta altura, Flávio vai se isolando dentro do próprio PL, que já admitiu a vitória de Lula. Como se sabe, Jair Bolsonaro está preso por tentativa de golpe de Estado. Mas, a família não parece ter aprendido a lição.
Agenda
O governador eleito Cleitinho (Republicanos) fez visita de cortesia nesta quarta, 28, ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Antonio Anastasia. Chegou acompanhado de Gabriel Azevedo (MDB), que integra a equipe de transição do governo e está cotado para assumir a Secretaria de Estado da Educação. Foi uma conversa amena, recheada de histórias e comentários sobre o estilo de ex-governadores como Hélio Garcia, Itamar Franco e Aécio Neves. Anastasia lembrou que Hélio Garcia tinha um estilo lacônico. Mas, ao mesmo tempo em que falava pouco, quando não queria se posicionar sobre algum tema, adorava se comunicar por gestos. Ambíguos. O interlocutor deixava o encontro sem saber se havia recebido um “sim”, um “não” ou um “talvez”.
As fofocas
Com a experiência de quem conviveu mais de 20 anos na rotina administrativa do governo de Minas – foi secretário dos governos Hélio Garcia, Aécio, vice-governador e governador reeleito – Anastasia confidenciou a Cleitinho que aprendeu a ter muito cuidado com as fofocas. Segundo o ministro, os “palácios” são ambiente propício.
Consultas
Em paralelo aos trabalhos das equipes de transição, o governador eleito Cleitinho (Republicanos) tem mantido uma intensa agenda com especialistas em políticas públicas em consultas com foco nas diversas áreas de governo.
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Na muda
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ) cogita deixar o comando da bancada na próxima legislatura. Interlocutores comentam que ele anda insatisfeito com o fato de o 1º vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ) estar afinado com Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, em articulação para que a legenda sustente a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a Presidência da Casa. Motta tem o apoio do presidente reeleito Lula (PT). Dos 121 deputados federais eleitos do PL, cerca de 50 oriundos do Centrão, MDB, entre outras legendas, estariam engajados nessa movimentação, já de olho em um quinhão suplementar de emendas parlamentares.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.