Ao centro do ringue eleitoral, segue o rito
Novos vazamentos virão e parlamentares sabem que serão pegos no fogo cruzado entre André Mendonça e Moraes. Parte da cúpula da Câmara foi citada numa lista, com cerca de 100 nomes
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A 20 dias do primeiro turno da sucessão presidencial, o Supremo Tribunal Federal (STF) monta o patíbulo para decidir sobre o primeiro julgamento da história de um togado. Alexandre de Moraes foi o relator das investigações da tentativa de golpe de estado e quem apresentou o voto principal pela condenação dos réus do núcleo crucial, entre eles, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL). Prestou um serviço fundamental à estabilidade democrática. Mas, pelas informações divulgadas, Moraes enroscou-se na teia de Daniel Vorcaro. As conversas e relações impróprias do ministro com ex-banqueiro foram expostas ao público pelo ministro André Mendonça, indicado para a função por Jair Bolsonaro. Mendonça foi anunciado como “ungido” pela ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, aquele que simbolicamente, conduziria a luta do “bem” contra o “mal”.
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Nem a “realpolitik” nem as igrejas evangélicas cultivam santos. Tal como esperado de um agente político, Mendonça atropelou ritos e calculou o timing eleitoral para atirar em Moraes. Deu ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, a narrativa da “vitimização” de sua família: ao desmoralizar o “algoz” de Bolsonaro, a credibilidade do ministro foi atingida, ainda que o caso nada tenha a ver com o julgamento dos atos de 8 de Janeiro.
O STF, que como ocorre mundo afora, já é alvo de discursos da alt-right porque freia impulsos de governantes autoritários, por aqui, dá lá os seus motivos adicionais. Moraes não foi o único a cultivar relações com Vorcaro. Obviamente não se deve estimular uma falsa equivalência, mas, não se pode tampouco deixar de apontar que Dias Toffoli, Luiz Fux, Kássio Nunes Marques, Gilmar Mendes e André Mendonça mantiveram distintos níveis de relacionamento direto ou indireto – como familiares de primeiro grau beneficiados com contratos ou mimos do ex-banqueiro – que precisam ser detalhados e esclarecidos. Se no Poder Judiciário em geral, foi naturalizada certa promiscuidade entre bancas de familiares e as cortes; passa da hora de este assunto ser seriamente regulamentado. Por que se aceitou tal imoralidade até aqui?
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Como relator do caso Master – agora afastado por Edson Fachin – André Mendonça controlava o tempo do processo, com poder para pinçar, de uma longa lista de envolvidos, quem mandava ao patíbulo da opinião pública. Entre as muitas revelações dos últimos dias, que se obtém da quebra do sigilo das investigações do Caso Master pleiteada por Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e a própria Procuradoria Geral da República está, em primeiro lugar, a informação de que Flávio Bolsonaro é oficialmente investigado pela Polícia Federal (PF) por sua associação com o banqueiro Daniel Vorcaro para o suposto financiamento do filme Dark Horse. A investigação, requerida em julho pela Polícia Federal apura se Flávio cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Áudios e mensagens do celular de Vorcaro indicam que Flávio pediu R$ 134 milhões a Vorcaro, tendo recebido mais de R$ 60 milhões, segundo a PF.
Com a quebra de sigilo, sabe-se, agora também, de relatório do Coaf, que a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, recebeu R$ 19,2 milhões em transferências feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Ao todo, a conta movimentou R$ 57,1 milhões no período em 26 lançamentos registrados por Zettel. O valor é cerca de 60 vezes superior ao faturamento anual presumido da igreja, estimado em R$ 950 mil. A unidade Belvedere foi fechada em março deste ano e fazia parte da Lagoinha Global, presidida pelo pastor André Valadão.
Novos vazamentos virão e parlamentares sabem que serão pegos no fogo cruzado entre André Mendonça e Moraes. Parte da cúpula da Câmara foi citada numa lista, com cerca de 100 nomes, encontrada numa churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, durante uma operação para averiguar a relação dele com o Master. A temperatura subiu mais nesta segunda, com outra operação autorizada por Flávio Dino, relator do caso sobre desvios e falta de transparência de emendas parlamentares, contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), um dos principais aliados de Mendonça. Foi Cezinha quem articulou um encontro reservado entre Mendonça e Vorcaro, em março de 2025.
Entre convescotes de bastidor, contas de passagem em templos e o uso tático da toga para o ringue eleitoral, no STF, hoje, segue o rito.
OAB e a crise
O presidente da OAB-MG, Gustavo Chalfun vai apresentar à imprensa nesta terça-feira, 15, manifesto assinado com demais entidades representativas, a apuração imediata das questões que envolvem a crise no STF.
Ipsemg
A Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa debate nesta terça-feira, 15, o plano de investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg). A audiência pública foi solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT). A reunião é motivada pelo aumento da arrecadação do Ipsemg em virtude da Lei 25.143, de 2025. A norma reajustou os valores de contribuição para o Ipsemg Saúde, que oferece assistência médica, hospitalar, farmacêutica e odontológica a servidores estaduais. A nova legislação atualizou os valores mínimo e máximo descontados dos contracheques. O piso de contribuição passou de R$ 34,55 para R$ 60, enquanto o teto foi reajustado de R$ 287,86 para R$ 500.
Facada
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou que o diretório estadual de Minas do União Brasil pague R$ 475 mil ao Tesouro Nacional. A cobrança se deve à aplicação irregular de recursos do Fundo Partidário nas contas de 2018. À época a legenda chamava-se DEM. Posteriormente o partido se fundiu com o PSL, do qual herdou robusta bancada eleita na carona de Jair Bolsonaro em 2018. Daí nasceu o União Brasil. O valor original da condenação era de R$ 277 mil, mas foi atualizado pela União Federal. Em plena campanha, a notícia não podia ser pior.
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Bateu, levou
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL) indeferiu nesta segunda-feira, 14, o registro da candidatura do advogado João Francisco de Assis Neto, o Dr. João Neto (Solidariedade), a deputado federal nas eleições de 2026. A decisão foi tomada após pedido de impugnação apresentado pelo senador Renan Calheiros (MDB), candidato à reeleição, que sustentou que uma condenação criminal de João Neto por lesão corporal contra uma mulher deveria produzir inelegibilidade. O Ministério Público Eleitoral também se manifestou pelo indeferimento. A impugnação não é definitiva e ainda pode ser contestada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.