Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

Neutralidade e projeto de poder

PP e União não nutrem projeto particular: sabem que o comando do Executivo – mais débil entre os Poderes da Republica – precisará negociar governabilidade em sua mesa

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Neutros no plano nacional em relação à disputa presidencial, o Republicanos e a Federação União Progressista aguardam o resultado da sucessão presidencial para programar o seu futuro. PP e União não nutrem projeto particular: sabem que o comando do Executivo – mais débil entre os Poderes da Republica – precisará negociar governabilidade em sua mesa. E assim como foi em Lula 3, ganhar de porteira fechada ministérios e órgãos de poder econômico não significará necessariamente respaldo de toda a bancada do União e PP no Congresso. Se Lula se reeleger, a Federação União Progressista seguirá pródiga numa espécie de “apoio pão duro” e parlamentares divididos: ao Norte e Nordeste mais boa-vontade; ao Sul e Centro-Oeste um ânimo mais negativo.

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Diferentemente da Federação União Progressista, o Republicanos tem projeto de poder. Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, provavelmente será reeleito em primeiro turno: assim se inclina a dinâmica da disputa, com apenas duas fortes candidaturas, e Fernando Haddad (PT) e do próprio governador.

A se confirmar tais projeções, Tarcísio de Freitas iniciará, já em 5 de Outubro, a campanha presidencial de 2030. Ele se programa para aderir aos palanques estaduais aliados, principalmente do Republicanos país afora. Minas Gerais está na mira: se o senador Cleitinho (Republicanos) alcançar o segundo turno como indicam neste momento as pesquisas de intenção de voto, Tarcísio de Freitas estará em campanha por Minas.

O governador de São Paulo pretende rodar o país também para reforçar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), assim quitando os seus débitos com a família que o assentou na cadeira do Poder Executivo paulista. Tarcísio de Freitas sabe que poderia ter sido um candidato à Presidência da República mais competitivo do que Flávio Bolsonaro, com potencial para convergir forças políticas, inclusive o Centrão, para o seu palanque. Para manter o controle do campo da direita, contudo, o ex-presidente Jair Bolsonaro vetou o governador de São Paulo. Bolsonaro preferiu manter um herdeiro sanguíneo à frente de seu capital eleitoral. Assim agem os homens de família.

Entre os 26 estados e o Distrito Federal, em 13, inclusive Minas Gerais, a Federação União Progressista não se juntou aos candidatos aos governos locais do PT ou do PL comprometidos com as respectivas candidaturas nacionais ao Planalto. Os dois partidos também não estão em palanques de candidaturas lulistas ou bolsonaristas nas sucessões estaduais de Roraima, Rondônia, Amazonas, Mato Grosso, Goiás, Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

Em nove estados a Federação União Progressista está coligada com candidaturas que apoiam Bolsonaro, inclusive São Paulo. Em cinco estados, está com Lula, entre os quais Amapá, de Davi Alcolumbre (União-AP). Já o Republicanos optou pela neutralidade nas sucessões de 13 estados, sem o PL ou o PT em seus palanques. Minas é exemplo disso: Cleitinho empurrou com a barriga a definição de sua candidatura, levando o PL a lançar Flávio Roscoe ao Palácio Tiradentes. O senador tem inclinação bolsonarista, mas preferiria neste momento não aderir à polarização, já que pesca eleitores populares do bolsonarismo ao lulismo.

Ao fim e ao cabo, o mapa das alianças estaduais revela quem quer apenas manter a chave do cofre e quem alinhava para ganhar a chave do Planalto. União e PP seguem fiéis à sua natureza: no governo, por definição, independentemente de quem sente na cadeira presidencial, mas não necessariamente na sustentação do governo. Já o Republicanos aceita pagar o pedágio imposto pelo clã Bolsonaro em 2026 para construir, no pragmatismo das urnas estaduais, a sua própria escalada futura.

Auditoria

O Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) a nova abordagem metodológica que orientará a auditoria financeira do Balanço Geral da União (BGU) a partir do exercício de 2026. No novo arranjo institucional, a auditoria financeira do BGU passará a ser conduzida integralmente pelo TCU. Entre os órgãos envolvidos no processo está a Controladoria-Geral da União (CGU). A mudança tem como objetivo ampliar a uniformidade metodológica dos trabalhos e fortalecer a análise integrada dos saldos contábeis, das transações e das divulgações relevantes nas demonstrações contábeis da União.

Vice-prefeitos

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu por unanimidade, nesta quinta-feira, 13, que o vice-prefeito que substituir o prefeito nos seis meses anteriores à eleição pode disputar o mesmo cargo na eleição seguinte. No entanto, a regra permite uma única reeleição aos chefes do Poder Executivo. O TSE afirma que uma nova candidatura na sequência configuraria um terceiro mandato consecutivo. O entendimento é baseado no parágrafo 5º da Constituição Federal. O entendimento é que a substituição do titular nos seis meses anteriores à eleição configura exercício do mandato.

Lives

As transmissões ao vivo pela internet também estão sujeitas às regras da campanha das eleições deste ano. A partir de domingo, 16, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral, candidatos poderão usar esse formato para promover as candidaturas. Dia 15 de agosto marca o fim do prazo para registro das candidaturas. Durante a pré-campanha, pré-candidatos podem fazer lives para apresentar ideias, projetos e posições políticas, além de divulgar a pré-candidatura, desde que não haja pedido explícito de voto. A proibição não se limita ao uso de expressões como “vote em”: outras palavras ou expressões que transmitam o mesmo pedido também podem caracterizar propaganda eleitoral antecipada.

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Futebol

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira, 13, projeto de lei que reconhece o futebol praticado no Brasil como manifestação da cultura nacional. O texto segue agora para análise do Senado. Por recomendação do relator em Plenário, deputado Marcos Braz (PSDB-RJ), foi aprovada a versão da Comissão de Cultura para o Projeto de Lei 1842/25, do deputado Helio Lopes (PL-RJ).

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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