Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
Em Minas

'Inês é morta' na sucessão mineira

Depois de cozinhar o PL em banho-maria e se esquivar do palanque de Flávio Bolsonaro, o Republicanos volta a fazer gestos ao bolsonarismo

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O senador Cleitinho (Republicanos) chega à disputa ao governo de Minas com a visibilidade e o recall de imagem de um político “popular”, conservador e antissistêmico. A forte presença nas redes atrai o eleitorado frustrado com a política. Ao acompanhar as novas alianças com ex-adversários insultados no passado, que se somam às idas e vindas de Cleitinho, o PL, que desde junho propunha uma coligação, considerou a aposta no senador incerta. Tratou de garantir o palanque próprio a Flávio Bolsonaro (PL) no estado: lançou Flávio Roscoe (PL), presidente licenciado da Fiemg. “Minas é Flávio”, é o slogan. Flávio chega à disputa pela tração do bolsonarismo.

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Ainda no campo da direita conservadora de viés bolsonarista está o governador Mateus Simões (PSD), que se sustenta na máquina do estado e, agora, conta também com o tempo de propaganda eleitoral gratuita para exibir o seu marketing de governo. Mateus Simões arrancou a Federação União Progressista dos braços de Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Estado de Governo e candidato ao Senado, que, rompido com o governador, foi se aninhar no colo de Cleitinho. A aposta de Aro: se agarrar à garupa de Cleitinho e tentar ressuscitar as alianças que firmou com prefeitos, quando no governo. Já Mateus emprega o combo “máquina” para recuperar prefeitos conquistados por Aro e “tempo de propaganda”, para se apresentar à população mineira.


Se são três candidaturas ao governo de Minas concorrendo pelo voto do eleitor bolsonarista e da direita conservadora, para o Senado, a corrida não está menos disputada: Domingos Sávio (PL), Marcelo Aro, Carlos Viana (PSD) e Marco Antônio Costa (Novo), o Superman, são concorrentes competitivos do mesmo campo político.


Na direita não bolsonarista, ao centro e à esquerda outros três candidatos de partidos com bancada federal disputam um lugar ao sol do segundo turno. Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato ao governo de Minas em 2022, tem recall que o posiciona bem nas pesquisas de intenção de voto. A chegada de Patrus Ananias (PT) à sucessão estadual – depois da longa espera frustrada de lulistas pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB) – altera, contudo, as projeções de voto em Kalil. A candidatura de Patrus sai com a tração do lulismo. Ela tende a operar como um “dique”, represando o eleitor do PT e da esquerda, que em eleições passadas, fluiu para Kalil.


Dois ex-prefeitos de Belo Horizonte, Patrus e Kalil correm em faixa similar do eleitorado. E encontram ainda, ao centro, o emedebista Gabriel Azevedo, que tenta falar para o eleitor não polarizado. Gabriel se lança em voo solo. Nem o PDT nem o MDB já posicionaram os nomes ao Senado. Patrus tem a chapa completa com a ex-prefeita de Contagem Marília Campos concorrendo ao Senado e a ex-deputada federal Áurea Carolina (Psol) na corrida pela segunda vaga.


Numa pré-campanha de tamanha turbulência como a mineira, com vários cavalos de pau ao longo da última semana, pode se dizer que ainda muito possa acontecer nos quatro dias que antecedem o registro final das candidaturas. A esta altura do jogo, contudo, depois de cozinhar o PL em banho-maria e se esquivar do palanque de Flávio Bolsonaro, o Republicanos volta a fazer gestos ao bolsonarismo, propondo a unidade do campo em torno de Cleitinho. Mas, para o primeiro turno, já não há clima, nem confiança. Quando mira a montanha-russa do Republicanos, o PL dobra a aposta em seu próprio palanque. Em “Os Lusíadas”, Camões relata a fúria de Dom Pedro I (1320-1367) contra o pai, o rei Afonso IV, mandante da execução da galega Inês de Castro, amada do filho. Dom Pedro se lançou em guerra civil contra o pai. Após a morte de Afonso IV, ao ascender ao trono, Pedro entendeu que o poder não a traria de volta. Camões se imortalizou também com a célebre máxima: “Inês é morta”.

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JK

A Câmara Municipal de São Paulo realizou nessa segunda, 10, o debate “50 anos sem JK: O resgate da verdade histórica”. Autoridades, acadêmicos e especialistas palestraram sobre Juscelino Kubitschek no mês em que se completa meio século da morte do ex-presidente da República, ocorrida em 22 de agosto de 1976. As circunstâncias da morte de JK foram um dos pontos centrais do debate, do qual participou Robson Sávio Reis Souza, ex-coordenador da Comissão Estadual da Verdade de Minas Gerais. Em 2013 e 2014, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, instalada naquele Legislativo municipal, reuniu, após um extenso trabalho de investigação, 114 circunstâncias, evidências, indícios e provas para concluir que o ex-presidente foi vítima de um atentado. A Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva, da Assembleia Legislativa de São Paulo, e a Comissão Estadual da Verdade de Minas Gerais chegaram à mesma conclusão.

Assassinado

Mais recentemente, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, órgão de Estado que atua em âmbito federal, divulgou um relatório com mais de mil páginas concluindo que JK foi assassinado em um atentado perpetrado pelo regime militar. Presentes na sessão Serafim Melo Jardim, amigo e ex-secretário particular de JK, presidente do Museu Casa de Juscelino, em Diamantina; Alamiro Velludo Salvador Netto, professor titular do Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e parecerista jurídico do Caso JK; Maria Victoria Benevides, professora e autora de livro sobre o ex-presidente; Lea Vidigal, advogada e historiadora; além de outros acadêmicos e especialistas no tema.

Prefeitos mobilizados

Prefeitos e prefeitas de todo o país pretendem aproveitar o primeiro esforço concentrado do Congresso Nacional deste semestre eleitoral nesta semana para pressionar as respectivas bancadas a aprovarem a PEC 253/2016 antes das eleições de outubro. A proposta de emenda à Constituição confere legitimidade à Confederação Nacional de Municípios (CNM) para ingressar no Supremo Tribunal Federal com ações direitas de inconstitucionalidade (ADI) e ações declaratórias de constitucionalidade (ADC).


Presença

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O presidente da Associação dos Municípios Mineiros (AMM) e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira (PSB), estará em Brasília nesta terça-feira, 11, para cobrar apoio da bancada mineira. A AMM agora tem um ranking para avaliar a atuação dos parlamentares mineiros em relação à pauta municipalista. A aprovação da PEC 253 é considerada essencial para as cidades mineiras, porque ajuda a colocar um freio nos impactos financeiros sobre os orçamentos municipais a cada pauta-bomba aprovada pelo Legislativo, sem indicar a fonte de custeio.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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