À espera do senador Cleitinho (Republicanos) para compor em Minas o palanque da sucessão presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e também montar a chapa mineira ao Palácio Tiradentes, o PL teve uma boa e duas más notícias neste fim de semana. A boa notícia é que, diferentemente do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que deixou o campo lulista sem uma candidatura “natural” ao governo de Minas, Cleitinho dá sinais de que será candidato. Ele, que lidera as pesquisas de intenção de voto, declarou neste fim de semana, em evento na cidade de Pescador, no Vale do Rio Doce: “Sabe por que quero vir candidato a governador? Pra cuidar de cada um de vocês (...) É por vocês, é para cuidar de quem precisa”. Ao lado de Cleitinho no palco, estavam lideranças da cidade, além do deputado federal Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos.
Embora Cleitinho sinalize que será candidato, a primeira má notícia: sem ter formalizado a sua pré-candidatura, aos interlocutores, deixa indicações ambíguas, a depender do dia da conversa. A segunda má notícia para o PL: tudo indica que, ao contrário de uma candidatura “ideológica”, que abrace acriticamente todos os posicionamentos do bolsonarismo - como talvez defendam alguns “autênticos”, Cleitinho tem avisado em vários eventos públicos, e voltou a fazê-lo em Pescador, que não pretende adotar o discurso de “demonização” da esquerda, um dos eixos com o qual o bolsonarismo polariza o debate. “Eu tenho de trabalhar pra quem é de esquerda, pra quem é de direita e pra quem não é nada. Tenho obrigação de trabalhar para todos vocês, porque todo mundo paga o meu salário rigorosamente em dia”, avisou ele.
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Quando se reuniu, em 3 de junho, no aeroporto de Patos de Minas, com Flávio Bolsonaro, que buscava uma definição de seu palanque em Minas – Cleitinho além de postergar a resposta, tratou de assinalar que o seu vice seria Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos e ex-presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), filiado ao Republicanos e que, diverge, em vários temas da família Bolsonaro. “Se vocês entenderem que precisam lançar um nome, podem lançar. Não tenho ciúme de homem, não. Para nós, estrategicamente, é bom, pois no segundo turno não temos como caminhar com o candidato do Lula. Agora, se quiserem vir comigo, é no meu tempo e do meu jeito”, avisou Cleitinho, considerando que fez vários gestos para o PL no ano passado, mas a legenda estava empenhada em uma composição com o governador Mateus Simões (PSD).
Mais recentemente, em meio ao embate entre Flávio Bolsonaro e a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), Cleitinho classificou a situação de “briga de família” e que não se envolveria. Mas, ao mesmo tempo, defendeu Michelle, que vem sendo atacada em perfis da direita, segundo ela, coordenados dos Estados Unidos – em referência não explícita a Eduardo Bolsonaro e seus apoiadores.
Com o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe, e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli filiados ao PL, a legenda conta com as duas opções para candidatura própria ao governo de Minas. Pelas hesitações de Cleitinho, cresce o entendimento de que Medioli, que em princípio demonstrou interesse em concorrer para a Assembleia Legislativa, se prepara para disputar o governo de Minas. Medioli já deu declarações públicas de que considera arriscado esperar por Cleitinho, que pode desistir, além de ter considerado um erro o PL apoiar eventual chapa “puro-sangue” do Republicanos ao governo de Minas. “Se o senador decidir realmente não entrar nessa disputa, e anunciar isso somente em julho ou agosto, o PL se encontraria em uma situação paradoxal de deixar apenas um candidato da direita no páreo: o governador Mateus Simões, que apoia Romeu Zema. Isso seria uma catástrofe para o candidato do PL, com a perda de milhões de votos em Minas Gerais”, disse Medioli.
Nomeado
Eleito em 4 de março, em votação unânime, para a segunda vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tadeu Leite (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, foi nomeado para a função pelo governador Mateus Simões (PSD) nessa segunda-feira (29), em Montes Claros, quando a capital de Minas foi simbolicamente transferida para o município do Norte de Minas, dentro do programa “Governo Presente”. Tadeu Leite vai seguir à frente do Legislativo estadual até o fim de seu mandato e assumir a cadeira no TCE entre dezembro deste ano e fevereiro de 2027.
Frente ampla
O ex-procurador geral de Justiça Jarbas Soares Junior (PSB), pré-candidato ao governo de Minas, afirma que buscará outras forças para a composição com a Federação PT-PV-PCdoB, caso seja escolhido para representá-la na sucessão estadual. “Acredito na frente ampla. Vejo que os partidos do nosso campo também não querem restringir alianças, querem mudar o estado”, afirmou. Ele disse também que não tem preconceitos com ideologias, desde que os valores sejam democráticos. “É hora de pensar em união, em Minas e apenas em Minas, em uma frente ampla, como defende Marília Campos (PT)”, declarou. Entre as legendas que Jarbas Soares projeta para abrir diálogo, em acordo com os partidos da frente, estão os federados PP e União, neste momento, inclinados para a composição com o governador e pré-candidato Mateus Simões (PSD), à espera da definição nacional.
Fã número 1
O vereador Pedro Rousseff (PT) deixou, em suas redes sociais, homenagem ao avô, o advogado Igor Rousseff, falecido no último sábado, 27. “Hoje se foi meu avô, Igor Rousseff. A primeira pessoa que acreditou em mim e me fez entrar na política. Homem simples, honesto e trabalhador. Viveu a vida da maneira que quis: sempre rodeado de amigos e da família”, escreveu. Pedro Rousseff contou que depois de ter visto a irmã mais nova, Dilma Rousseff ser torturada e presa durante a ditadura militar – e também se tornar a primeira mulher a se eleger para a Presidência da República – Igor tinha pavor da política e sempre aconselhava o neto a “não mexer com isso”. Mas quando Pedro Rousseff bateu o pé, há cinco anos, e se decidiu, o avô mudou de opinião. Tornou-se o apoiador mais engajado.
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Tchó-Tchó
O vereador de Teófilo Otoni João Gabriel (PT) vai lançar a sua pré-candidatura para deputado federal nesta terça-feira, 29, em plenária virtual, da qual participarão, entre outras lideranças, a pré-candidata ao Senado Federal Marília Campos (PT), a presidente estadual do PT, deputada Leninha, o deputado estadual Betão e o pré-candidato do MDB ao governo de Minas, Gabriel Azevedo. João Gabriel faz dobradinha com Daniel Sucupira (PT), ex-prefeito de Teófilo Otoni, pré-candidato a deputado estadual.
