Segundo turno antecipado, a democracia do 'déjà vu'
Conter a inflação e gerar empregos já não garantem respaldo, no máximo, evitam o impeachment do governante
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Não por acaso, mas como expressão de uma transição da ordem global, as eleições presidenciais na Colômbia, no Brasil, no Peru, entre outras democracias ocidentais, estão sendo definidas no “photochart”. Esquerda e ultradireita se confrontam já no primeiro turno, ofuscando candidaturas com um discurso independente. Nas situações em que há segundo turno, ele se consolida como uma reprise, um “déjà vu”. Mas a ordem do dia expõe a realidade de eleitores com posições cada vez mais cristalizadas entre campanhas. Governos eleitos não conseguem avançar em popularidade e desempenho: as políticas públicas parecem operar quase que de forma independente em relação ao humor do eleitorado. Conter a inflação e gerar empregos já não garantem respaldo, no máximo, evitam o impeachment do governante.
Governos democráticos populares parecem coisa do passado. Na monarquia parlamentarista da Grã-Bretanha, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer – já de saída – sente na pele as dificuldades. Menos de dois anos depois de ter conquistado uma vitória eleitoral esmagadora que prometia acabar com o caos na política britânica, anuncia a sua renúncia, em meio ao descontentamento de eleitores, frustrados com os seus padrões de vida e insatisfeitos com a imigração ilegal, bode expiatório das democracias europeias. O próximo primeiro-ministro será o sétimo desde o referendo do Brexit, que completou 10 anos. Registra-se a maior rotatividade na cadeira em quase 200 anos, desde o fim da gestão de Robert Jenkinson, 2º Conde de Liverpool (Partido Tory), que foi primeiro-ministro por 14 anos sob a monarquia do rei Jorge IV. Após um derrame cerebral que o afastaria da função, o Reino Unido mergulhou em grande instabilidade com diversas ascensões e quedas de chefes de governo.
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No Brasil, o pleito presidencial de outubro sugere, neste momento da pré-campanha, uma nova antecipação do segundo turno. Escândalos do Banco Master à parte, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT) mantêm a polarização. Entre as três candidaturas que tentam se apresentar como terceira via, a de Renan Santos (Missão) é aquela com maior potencial, ainda assim, com chance reduzida de alterar o esperado desfecho do enfrentamento entre lulistas e bolsonaristas. Bolsonaristas sabem que Flávio Bolsonaro perdeu alguns pontos entre independentes – mas contam com a resiliência do nicho bolsonarista “raiz”, imune ao enquadramento dos fatos oferecido pela mídia. Além disso, têm expectativa de que o escândalo vá se alastrar no PT de Jaques Wagner, expandindo os “danos”, o que poderá ser bom prognóstico de que, em algum momento, a evolução das investigações entrarão em banho-maria.
Os algoritmos do dissenso que regulam as comunicações no planeta tendem a romper com a tradicional lógica das eleições presidenciais em dois turnos. Esses sistemas foram desenhados para que no primeiro o eleitor faça a sua escolha livremente e, no segundo turno, a estrutura da competição privilegie candidaturas com potencial para alianças interpartidárias, algo como uma espécie de “força centrípeta” da política. Se no plano nacional o enfrentamento de lulistas e bolsonaristas está precificado no primeiro e, se houver segundo turno em São Paulo, mais rico estado da federação, a dinâmica se reproduz: Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) dão a versão local da polarização. Também o segundo turno foi, naquele estado, antecipado para o primeiro, com a desistência das candidaturas de Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (União). Encerrar a fatura em turno único deixaria o governador, com a máquina na mão, com mais liberdade para se mobilizar em eventual segundo turno do pleito presidencial.
Minas é uma das poucas unidades federativas em que nem lulistas nem bolsonaristas definiram os seus palanques da sucessão estadual. Tal omissão no estado pêndulo – que também é o estado indicador dos humores nacionais – deixa o pleito em suspenso. Três nomes postos – Mateus Simões (PSD), Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB) – outros prováveis nomes não definidos, como Cleitinho (Republicanos) e no PSB – Jarbas Soares Júnior, Josué Gomes da Silva, Clésio Andrade e Julvan Lacerda. Bastará que um dos polos que se enfrentam nacionalmente se posicione, para que o outro responda. A depender de quem serão os nomes, a disputa em primeiro turno em Minas poderá caminhar de lado, e diferentemente de São Paulo, se tornar a exceção que faz a regra.
Dança de cadeiras
A deputada estadual Leninha (PT), que é vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, assumiu a presidência da Casa pela terceira vez nesta legislatura. Ela substitui Tadeu Leite (MDB), interinamente à frente do governo de Minas até a próxima quinta-feira (25). O governador Mateus Simões está em viagem a Londres, onde participará de evento sobre mudanças climáticas. Leninha foi a primeira mulher a comandar o Legislativo mineiro, ainda que por um curto período.
Ex-gay
O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) publicou vídeo nas redes em que pilota uma motocicleta sem capacete e “ensina” a como dar carona “fugindo da aparência do mal”. Depois de orientar o acompanhante a se sentar de costas, o parlamentar, que se intitula ex-gay, explica que o homem não deve roçar nele durante a viagem. Em certa passagem do vídeo, Isidório explica: “Assim não. Você já viu ex-gay dar... Vai procurar um jegue, rapaz. Vou botar um homem roçando em mim? É de costas, meu filho. De costas”. De acordo com o parlamentar, a Bíblia orienta os fiéis a fugir da “aparência do mal” e diz que, apesar da idade, não é “besta”.
Tá com Deus
Não foi a primeira vez em que o Pastor Isidório divulgou a sua “conversão” e tenta pregar para homossexuais. Durante o carnaval deste ano, o deputado publicou um vídeo em que prega para um folião: “Eu também era [gay] 34 anos atrás. Eu não tinha Jesus. Jesus não mudou minha vida? Ele muda a sua também. Esse furico aqui agora é de Deus.”
Ataques cibernéticos
Audiência de consensualidade realizada nesta segunda-feira, no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), reuniu representantes de prefeituras lesadas em 2025 por ataques cibernéticos que desviaram recursos de suas contas da Caixa Econômica Federal. Participaram da reunião a Associação Mineira dos Municípios (AMM), a Caixa Econômica Federal e o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em audiência pública realizada na Assembleia em outubro de 2025, prefeitos apresentaram o desfalque. Monte Sião, no Sul de Minas, sofreu um golpe de quase R$ 6 milhões, roubados por meio de 54 transferências bancárias no dia 29 de setembro de 2025.
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Trinta e quatro votos deram a vitória a João Paulo (PSD) na disputa pela prefeitura de Reginópolis (SP), a cerca de 400km da capital paulista. Na eleição suplementar realizada no domingo (21), João Paulo recebeu 1.880 votos, o equivalente a 50,46% dos votos válidos. Seu único adversário, Marquinho Bastos (União), obteve 1.846 votos, ou 49,54% dos votos válidos. A diferença entre os candidatos, de 34 votos, foi inferior ao total de votos nulos (90) e brancos (56) registrados no pleito.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
