Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

O declínio estatístico do "Novo"

Com a polarização política nacional tão ao centro do debate público, possivelmente a atenção ao governo de Minas tenha caído no ranking de interesses do eleitor

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O ex-governador Romeu Zema (Novo) talvez não tenha percebido que, em seu último ano de governo, a aprovação de sua gestão perdeu tração, já que a partir de agosto de 2025 dedicou-se a percorrer o país para divulgar a sua pré-candidatura à Presidência da República. Com o slogan “Brasil pra frente”, o lançamento naquele mês, em São Paulo, espalhou promessas de algo como uma “avalanche” em privatizações, fim de “privilégios”, críticas ao PT e ao ex-governador Fernando Pimentel – tema favorito de Zema. Mais recentemente, o ex-governador se entretém com o impulso à visibilidade nacional que alcançou pelo empurrãozinho do ministro Gilmar Mendes. Atacar o STF é o novo “veio”. A mineração começou promissora. Mas já vai se tornando cansativa pela repetição. As redes querem sempre mais.

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Com a polarização política nacional tão ao centro do debate público, possivelmente a atenção ao governo de Minas tenha caído no ranking de interesses do eleitor mineiro mediano. É curioso notar como indicadores de pesquisas nos municípios mineiros ao longo de 2025 apontavam para níveis mais altos de não resposta para a avaliação do governo Zema em relação ao governo Lula. Em outras palavras: sobre o governo federal, todo mundo tinha posição, a maioria cristalizada. Já em relação ao governo Zema... bom, a resposta era precedida de grande hesitação.

Zema há muito delegou a gestão do estado ao atual governador, Mateus Simões (PSD). Em fevereiro de 2025, exibia índices de aprovação que chegaram a 62%. Acreditou ter “gordura” para testar as redes. Desesperado para ser notícia nacional, Zema foi guiado por seu marqueteiro por polêmicas formas de comunicação nas redes. Para o bem ou para o mal, tornou-se “visível”. Em agosto de 2025, a aprovação desceu a 55% e, em abril deste ano, registra 52%. Dez pontos percentuais a menos, em pouco mais de um ano. É um respeitável tobogã, inclusive para quem não está em campanha (o que não é o caso). No mesmo período, a desaprovação do governo Zema saltou de 30% para 41%.

De governo “low profile”, que estava ali tocando o barco por tabela, chamou a atenção para si. E atenção sempre cobra o seu preço: em contraposição ao permanente show das redes; o eleitor parece anotar que há pouco a se comemorar quase oito anos depois do governo Pimentel. “Ter pago as contas e salários” como contrapartida a ter aumentado em 78,7% a dívida pública do estado – que saiu de R$ 114,68 bilhões em janeiro de 2019 para o saldo atual de R$ 204,97 bilhões –, talvez já não baste como principal eixo narrativo de campanha.

O mineiro não quer voltar à conjuntura dos anos Pimentel, como o partido Novo, de Zema, adora ameaçar. Mas tampouco quer comprar a narrativa de que foi “Zema quem acertou as contas”. Não foi. Teve em seu favor a conjuntura e a mão do STF, para não mencionar a sociedade mineira, que arca com o endividamento do estado. O mineiro tampouco deseja seguir nessa toada. Tem em seu imaginário coletivo a imagem do estado de JK e Tancredo Neves, lideranças que levaram Minas ao centro político do país.

Por tudo isso, a pesquisa Genial Quaest, que assina tais estatísticas, sustenta que 49% dos mineiros avaliam que Zema não merece eleger o seu sucessor; 42% afirmam o contrário. Adicionalmente, 44% querem que o próximo governador “mude totalmente” a forma de gerir o estado; 38% pedem mudanças apenas no “que não está bom”; e 13% querem a continuidade. A insatisfação é latente. E agora, parece não estar mais restrita ao enquadramento do governo federal, amarrado ao embate de uma comunicação pública polarizada – do bem contra o mal. Zema deixa uma aprovação de governo pífia, com pouca margem para se gabar do governo Lula. Diria Sêneca: “Ninguém se olha por dentro; todos preferem olhar para o vizinho. Esquecemos as nossas próprias feridas para contar as cicatrizes alheias”.

Josué no PSB

O empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva filiou-se ao PSB em 03.04.26 e registrou o cadastro na Justiça Eleitoral em 04.04.26, data limite para aqueles que desejam concorrer às eleições. Um dos articuladores do movimento foi o ex-deputado federal Virgílio Guimarães (PT), que viu no filho do ex-vice-presidente da República, Josué Gomes da Silva, possibilidade para concorrer ao governo de Minas na hipótese de o senador Rodrigo Pacheco (PSB) não aceitar o convite do presidente Lula (PT).

Aliado

Josué foi nome cogitado para concorrer à Presidência da República em 2018 e para ser vice na chapa de Lula, em 2022. Aliado próximo de Lula, foi candidato ao Senado pelo MDB em 2014, obtendo 3.614.720, - 40,18% dos votos válidos. Naquele pleito, Antonio Anastasia, então no PSDB, se desincompatibilizou do governo para concorrer ao Senado: elegeu-se para a vaga única com 5.102.987 – 56,73% dos votos válidos.

Terras raras

O Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) apresentada pela deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) e Rede Sustentabilidade que requerem a suspensão, em caráter liminar, da venda da mineradora Serra Verde à empresa americana USA Rare Earth. A Serra Verde é especializada na extração de terras raras em Goiás. O argumento é que a operação não cumpriu os requisitos legais e representa uma violação da soberania nacional.

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Contas da pandemia

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) emitiu parecer prévio pela aprovação, sem ressalvas, das contas da Prefeitura de Belo Horizonte referentes ao exercício de 2020, do então prefeito Alexandre Kalil (PDT). O voto do conselheiro substituto Telmo Passareli foi acompanhado pelos conselheiros Alencar da Silveira Jr., Licurgo Mourão e Adonias Monteiro. A análise abrangeu a execução orçamentária, o cumprimento de índices mínimos em áreas essenciais, os limites de endividamento e a aplicação de recursos vinculados. Entre os resultados, o município aplicou 25,4% da receita em educação, acima do mínimo constitucional de 25%, e 22,31% em saúde, superando o piso de 15%. Também foram respeitados os limites de despesas com pessoal e de endividamento, indicando equilíbrio fiscal ao longo do exercício.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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