O mapa do poder no TJMG
Vicente de Oliveira Silva recebeu 86 votos em sessão especial do Tribunal Pleno contra 59 votos obtidos pelo desembargador Maurício Torres Soares
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A vitória do desembargador Vicente de Oliveira Silva para a presidência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para o biênio 2026-2028 consolida a hegemonia interna do mesmo grupo do desembargador Pedro Bittencourt, que elegeu os dois últimos presidentes José Arthur de Carvalho Pereira Filho (2022-2024) e Luiz Carlos Corrêa Junior (2024-2026). Atual superintendente administrativo adjunto da Corte, Vicente de Oliveira Silva recebeu 86 votos em sessão especial do Tribunal Pleno contra 59 votos obtidos pelo desembargador Maurício Torres Soares, ex-presidente da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), que foi derrotado no último pleito em segundo escrutínio por Corrêa Junior. Maurício Torres Soares teve o apoio do desembargador Nelson Missias, liderança no TJMG.
Entre 12 cargos em disputa, o grupo de Pedro Bittencourt elegeu 10. Além de Vicente para a presidência, Márcio Idalmo Santos Miranda para primeira vice-presidência; Manoel dos Reis Morais para a segunda vice-presidência; Shirley Fenzi Bertão, para a terceira vice-presidência; Raimundo Messias Júnior, para a corregedoria-geral de Justiça; e Leopoldo Mameluque, vice-corregedor geral de Justiça. Entre os sete desembargadores eleitos para o órgão especial – composto por 25 desembargadores, entre os quais cinco da direção e 13 mais antigos –, cinco integram o grupo de Pedro Bittencourt: Eveline Félix; Maria Lúcia Cabral Caruso; Alexandre Santiago; José Luiz de Moura Faleiros; e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. O grupo de Nelson Missias apoiou a eleição para o órgão especial dos desembargadores Wilson Almeida Benevides e Agostinho Gomes de Azevedo.
Foi a partir da eleição de Pedro Bittencourt, em 2014 – quebrando a tradição da presidência por antiguidade no TJMG –, que o núcleo desse grupo começou a se formar, reunindo, entre outros, os desembargadores Wagner Wilson, Luís Carlos Corrêa Junior, André Leite Praça, Mônica Libânio e Fernando Brant. Naquele pleito, Pedro Bittencourt venceu a disputa em segundo escrutínio contra o desembargador José Tarcízio de Almeida Melo, que teve o apoio do grupo liderado por Joaquim Herculano e Nelson Missias.
Na eleição seguinte, de 2016, o grupo de Pedro Bittencourt apoiou a eleição de Hebert Carneiro, que morreu em 2018, ao final da sua presidência. No pleito de 2018, Nelson Missias elegeu-se presidente, derrotando Carlos Levenhagen. Em 2020, Nelson Missias apoiou a eleição de Gilson Lemes, que venceu o pleito mas, no exercício da presidência, houve ruptura: em 2022, Gilson Lemes se juntou ao grupo de Pedro Bittencourt para eleger José Arthur de Carvalho Pereira Filho.
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Neste pleito de 2026, dezessete desembargadores – entre os quais quatro mulheres – concorreram aos seis cargos de direção do TJMG. Apenas uma mulher foi eleita, Shirley Fenzi Bertão. Enquanto na disputa da primeira vice-presidência Sandra Fonseca foi ao segundo escrutínio contra Márcio Idalmo Santos Miranda; na disputa da segunda vice-presidência, a desembargadora Juliana Campos Horta de Andrade perdeu por poucos votos para Manoel dos Reis Morais. Concorrendo de forma independente para a corregedoria-geral de Justiça, a desembargadora Kárin Liliane de Lima Emmerich e Mendonça teve apenas 12 votos. Em fevereiro, ela foi vencida no julgamento que absolveu um acusado de estuprar uma menina de 12 anos. A desembargadora teve moções de aplausos e apoio em todo o país por sua posição.
Desde a instalação do TJMG, em 1874, em Ouro Preto, com sete desembargadores que consolidaram a estrutura judiciária da província, o órgão nunca foi presidido por uma mulher. As duas únicas desembargadoras que já concorreram à Presidência foram Mariângela Meyer, em 2022, e a desembargadora Áurea Brasil, em 2024.
Pacheco e Messias
O senador Rodrigo Pacheco (PSB) não tornou pública a sua posição em relação à sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de Jorge Messias, advogado-geral, nesta quarta-feira, 29. Mas tem afirmado aos seus interlocutores que irá à CCJ votar favoravelmente a Messias e, depois, consolidará apoio em plenário. O senador mineiro já elogiou publicamente Jorge Messias, considerando-o um quadro tecnicamente preparado e com grande capacidade para ter a sua indicação aprovada no Senado Federal.
Posse
Em reunião nesta terça-feira, 27 de abril, com o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, o deputado federal Odair Cunha (PT) vai acertar os detalhes da sua posse, que deve ser confirmada para 27 de maio. O parlamentar foi eleito pela Câmara dos Deputados em substituição ao ministro Aroldo Cedraz, que se aposentou.
Em campanha
O deputado federal Domingos Sávio (PL) e o senador Carlos Viana (PSD) fizeram o giro pela 9ª Abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol, em Uberaba, na sexta-feira passada. Ambos concorrem ao Senado Federal. Em discurso, Carlos Viana trocou passe com Domingos Sávio: “Se Deus permitir que estejamos lá, temos de fazer rearranjo nos poderes da República e em especial no Supremo Tribunal Federal (STF). Se for preciso vamos fazer impeachment de ministro, vamos fazer”, afirmou Viana.
Biocombustível
A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), também pré-candidata ao Senado, fez declarações em apoio ao agronegócio. “ É o triângulo mineiro que hoje se consolida como um polo de biocombustível e também de bioeletricidade através da cana de açúcar. Então é açúcar, etanol e também agora bioeletricidade. Isso é muito importante para o nosso estado e para o nosso país, é desenvolvimento”, disse.
Paraguai
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O Consulado Honorário do Paraguai vai ser instalado em Belo Horizonte nesta terça-feira, 28, em cerimônia na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O evento marca a abertura de uma representação diplomática do país no estado e a nomeação do empresário João Mello como cônsul honorário, com a função de articular relações institucionais, comerciais e de cooperação entre Minas Gerais e o Paraguai.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
