Plano de Freire para arrastar Cidadania a Tarcísio sofre revés
A menos de duas semanas do fechamento da janela partidária de migrações que define as chapas proporcionais, o Cidadania vive insegurança jurídica
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Em meio às turbulências do período de definições e migrações partidárias para a montagem das chapas proporcionais, a direção original do Cidadania – que representa 65 dos 102 membros do diretório nacional e era presidida por Comte Bittencourt –, conseguiu anular na Justiça o congresso nacional convocado irregularmente com o propósito de eleger o deputado federal Alex Manente (SP) para a presidência nacional.
A legenda caminhava para se federar ao PSB e, no plano nacional, dar sustentação à candidatura à reeleição de Lula. Próximo ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Alex Manente operou para alterar o rumo do partido – ou pelo menos neutralizá-lo. Com o apoio de Roberto Freire, que se licenciara em caráter irrevogável entre 2023 e 2025 da presidência do partido, Alex Manente questionou judicialmente a reunião que oficializou a saída de Freire há três anos. Por uma falha técnica para o registro de atas no cartório, conseguiu tomar a legenda comandada por Comte, que mantém o apoio de 64% dos membros do diretório nacional.
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Sob a presidência de Roberto Freire, foi convocada uma reunião em 24 de fevereiro que, atropelando a maioria presente, também chamou um congresso em 4 de março, no qual foi eleito Alex Manente para a presidência. Mas, sem participação de 65 membros do diretório, em observância à determinação do estatuto do partido, o congresso foi anulado em decisão liminar do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. “As deliberações no Cidadania exigem maioria, é o estatuto. A Justiça reconheceu isso”, afirma João Marcelo, prefeito de Nova Lima e presidente estadual do Cidadania. “A maioria do diretório nacional convocou, com a assinatura dos 65 membros, outro congresso e, nele, elegemos novo diretório e nova comissão Executiva Nacional, que elegeu, em 06.03.2026, Comte Bittencourt para a presidência”, relata João Marcelo.
Ao lado de Roberto Freire, Alex Manente trabalhava para manter a federação do Cidadania ao PSDB e ampliá-la com o Republicanos, em respaldo à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Agora, Manente está de saída do Cidadania. O destino: o Republicanos. Manente perdeu judicialmente o controle do partido, que antes era organizado com quatro deputados federais e, nos estados, com bancadas – na Assembleia Legislativa de Minas são três deputados estaduais.
A menos de duas semanas do fechamento da janela partidária de migrações que define as chapas proporcionais, o Cidadania vive a insegurança jurídica iniciada com a intervenção de Alex Manente e Roberto Freire, em 2025. Essa disputa provoca a debandada de parlamentares e de eventuais nomes que, em princípio, comporiam as chapas proporcionais no estados. “A Justiça anulou o congresso realizado irregularmente para a eleição de Alex Manente. E nós estamos enviando para a Justiça Eleitoral as atas e assinaturas dos participantes da maioria do diretório nacional que realizou novo congresso, elegendo Comte Bittencourt”, afirma João Marcelo. “É uma guerra, uma batalha, mas estamos seguros que representamos a legitimidade da democracia partidária e vamos virar essa página”, afirma João Marcelo.
A se confirmar a transição com Comte na presidência, o Cidadania deverá integrar o leque de alianças para a reeleição de Lula. O grupo de Comte ainda tentará homologar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a federação com o PSB, o que precisa ser feito até a primeira semana de abril. Antes contudo, o Cidadania precisará desfazer a federação com o PSDB. Como a decisão liminar que anulou a eleição de Manente cabe recurso, esta será uma batalha longa que terá, como efeito imediato, impedir que o partido se organize para tentar sobreviver à cláusula de barreira.
Hospital Sete Lagoas
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) irá realizar nesta quinta-feira (19), a mesa de conciliação entre o governo do estado e a prefeitura para tratar da situação do Hospital Regional de Sete Lagoas e do repasse da gestão ao município, com a cessão do imóvel. A mesa de conciliação foi solicitada pela Secretaria de Estado de Saúde e pela Advocacia-Geral do Estado. Entre os pontos em discussão estão pendências relacionadas a convênios firmados para a construção do hospital. Também será discutida a possibilidade de um acerto financeiro entre estado e município, com a compensação de valores devidos entre as partes para extinção de dívidas mútuas.
Ato público
De saída da Rede, a deputada estadual Ana Paula Siqueira irá se filiar ao PT em ato público, em 27 de março, às 19h30, no Hotel Royal Center. A Executiva Estadual do PT aprovou a sua filiação por unanimidade. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva estará presente.
Omissão deliberada
A Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Fazenda Barreirinho (Assprofab), de Unaí, peticionou o Supremo Tribunal Federal (STF) requerendo o início das obras de pavimentação da rodovia que liga Unaí, no Noroeste mineiro, a Goiás, considerada estratégica para o escoamento da produção agropecuário e acesso da população aos serviços básicos de saúde e educação. A associação acusa “ omissão deliberada do estado” na abertura da licitação da obra. A associação critica o governador Romeu Zema (Novo), considerando que em vez de licitar a obra, faz ataques aos ministros da Corte Suprema.
Agronegócio
O promotor de Justiça e doutor em Direito Ambiental, Lélio Braga Calhau defende a criação, no âmbito do Ministério Público de Minas Gerais, de uma coordenação estadual especializada em questões que envolvem o meio ambiente o agronegócio. “Os conflitos socioambientais ligados à produção rural cresceram em complexidade, em escala e em impacto social”, justifica ele.
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Troca de dados
A Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa deu parecer favorável ao Projeto de Lei (PL) 4.568/25, de autoria da deputada Carol Caram (Avante), que estabelece diretrizes para política de integração fiscal-consumerista. A finalidade é promover a troca de informações e compartilhamento entre dados fiscais eletrônicos e os sistemas de atendimento e fiscalização dos órgãos de defesa do consumidor, por meio de plataforma digital.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
