Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

A chave do cofre e o cálculo da neutralidade

A bolada destinada ao financiamento de partidos foi dividida entre os diretórios nacionais de 19 legendas que superaram a cláusula de barreira em 2022

Publicidade

Mais lidas

As pesquisas de intenção de voto cumprem uma função particular neste momento em que estão abertas as janelas de oportunidades para as migrações partidárias: ajudam os atores mais pragmáticos do que ideológicos a lançarem as suas apostas. Em cenário de incerteza, com o incumbente e o desafiante em situação de empate técnico – e o país dividido entre rejeições – para o União, o PP, o MDB e o PSD – que nesse contexto lança o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite – a melhor aposta é a neutralidade.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Evitam se posicionar nacionalmente com Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL). Por um lado, isso significa que o tempo de antena dessas legendas não será destinado na disputa nacional a nenhum dos polos. Por outro lado, em cada estado, as lideranças partidárias estarão livres para, individualmente, fazer as escolhas políticas, segundo a conveniência local. Em alguns estados, apoiarão Lula; em outros, Flávio Bolsonaro. Irão se envolver nas campanhas e tomar lado, ali negociando pacotes de material de propaganda também com as campanhas aos governos dos estados. Mas são escolhas não amarradas a ideologias.

Partidos do centro e do Centrão têm, neste momento, um único objetivo: eleger deputados federais. Ter bancadas robustas na Câmara dos Deputados é mais importante do que eleger governadores e presidentes. Querem acesso aos recursos públicos. A distribuição do Fundo Partidário atingiu R$ 1,126 bilhão em 2025, um aumento de 2,4% em relação 2024, quando o montante chegou a R$ 1,099 bilhão.

A bolada destinada ao financiamento de partidos foi dividida entre os diretórios nacionais de 19 legendas que superaram a cláusula de barreira nas eleições de 2022. Em 2025, o Partido Liberal (PL) abocanhou R$ 192,2 milhões; o PT arrebanhou R$ 140,5 milhões; o União Brasil, R$ 107 milhões; o Republicanos, R$ 87,7 milhões; o Partido Social Democrático (PSD), R$ 84,2 milhões; o MDB, R$ 82 milhões; e o PP, R$ 71,2 milhões. Essas sete maiores legendas no Congresso Nacional ficaram com quase 70% dos recursos do fundo partidário. A menor bancada que passou a cláusula de barreira, o Partido Verde (PV), teve acesso a R$ 11,8 milhões.

São volumes robustos. Neste ano de eleições gerais, ao fundo partidário soma-se o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), popularmente conhecido como Fundo Eleitoral, fixado em R$ 4,9 bilhões. Os fartos bilhões são repartidos proporcionalmente ao peso das bancadas federais das legendas que superarem a cláusula de barreira. E neste pleito de 2026, o sarrafo subiu para 2,5% dos votos válidos ou a conquista de no mínimo 13 cadeiras. Ficar abaixo desta linha significa a míngua pelos próximos quatro anos. Pular acima dela, acesso aos fundos de financiamento público e ao tempo de propaganda partidária e eleitoral.

Se partidos querem muitos deputados federais para aceder a recursos públicos, parlamentares miram as emendas impositivas e de bancadas. Por tudo isso, partidos pragmáticos – ainda que com as suas preferências políticas – têm pouca disposição para entrar no ringue em que peleiam lulistas e bolsonaristas. E deputados têm pouca disposição para concorrer aos governos de estado. Preferem lançar-se para as prefeituras, no meio do mandato, porque em caso de derrota, têm para onde retornar. A vida é mais tranquila no parlamento: menos cobrança, menos fiscalização, viagens de representação a rodo, contratações em gabinetes em Brasília e no estado. Desse casamento de interesses, há ainda o bônus: independentemente do lado vencedor – se Lula ou Flávio Bolsonaro – haverá espaço para a composição com o governo federal, pela indicação de posições vantajosas aos parlamentares nas representações dos órgãos federais dos estados. A governabilidade passa, necessariamente, por esses partidos.


Rejeição

O governador Romeu Zema (Novo) alcança rejeição de 40% dos eleitores bolsonaristas do país. Já entre eleitores lulistas, 35% não votariam nele de forma alguma. Os dados são da mais recente pesquisa Genial Quaest.

No PSB

O “pool” de ex-prefeitos e lideranças municipais, que buscou coletivamente um novo partido para a filiação decidiu-se, finalmente, pelo PSB. Juntos, têm expectativa de alcançar 300 mil votos, com potencial para garantir uma vaga no quociente partidário e uma segunda pelo sistema de médias. Os novos “socialistas” são Duarte Júnior, ex-prefeito de Mariana e ex-deputado federal; Duílio de Castro, ex-prefeito de Sete Lagoas e ex-deputado federal; Julvan Lacerda, ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM); Kátia Dias, ex-deputada federal e irmã do deputado estadual Noraldino Júnior; Laércio Cintra, ex-prefeito de Guaranésia; Luís Fernando, ex-prefeito de Itamarandiba; Neider Moreira, ex-prefeito de Itaúna e ex-deputado estadual; Renato Andrade, ex-deputado federal; e Beto Guimarães, ex-prefeito de São José do Goiabal.

Representação

O PSB de Minas não tem hoje nenhum deputado federal. Com esse movimento, o presidente estadual da legenda e prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacilinho, dá passos na estratégia nacional do prefeito de Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, para superar a cláusula de barreira. O coletivo de lideranças municipais rodou vários partidos avaliando o destino mais favorável ao projeto.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Salas de cuidado

Em iniciativa inédita no país, a UFMG inaugurou 21 fraldários e cinco Salas de Cuidados Parentais, direcionadas às necessidades materno e paterno-infantis de estudantes que sejam mães ou pais de crianças e que estejam regularmente matriculados na universidade. Até julho, serão construídos mais 10 fraldários e mais uma sala de cuidado parental. O projeto é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE/UFMG) e é apoiado com recursos de emenda parlamentar da deputada federal Dandara (PT). A iniciativa é inédita em todo o Brasil. “Essas salas de acolhimento representam a integralidade da política do cuidado na universidade. Mães solo universitárias no Brasil enfrentam a tripla jornada de estudos, trabalho e cuidados com os filhos e representam cerca de 12% (1,3 milhão) do total de mães solo, e 25% dessas mulheres são negras”, considera Dandara.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay