Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

O fator Cleitinho e a hora da caça na sucessão mineira

Tentar alinhavar a vice de Flávio Bolsonaro é o caminho natural de Romeu Zema. Incerto é se será viável. É questão de timing

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Cresce a pressão sobre o governador Romeu Zema (Novo) para buscar uma composição no primeiro turno com Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. Alguns fatores contribuem para o movimento. O primeiro: a consolidação da candidatura do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo de Minas. O PL em Minas tende a firmar coligação com ele, que lidera as pesquisas de intenção de voto. Além de já ter declarado que o seu palanque será de Flávio Bolsonaro, Cleitinho tem o apoio de parlamentares do PL que se intitulam “bolsonaristas autênticos”, associados às forças de segurança.

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A se confirmar essa aliança entre Republicanos e PL na sucessão mineira, ganha força a chapa com Cleitinho na cabeça e, para vice, o empresário Flávio Roscoe – que vai se filiar ao PL e se desincompatibilizar da presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O deputado federal Domingos Sávio (PL) é o nome cotado do PL para o Senado. O senador Carlos Viana (Pode), que concorre à reeleição, seria indicado para a outra vaga. Viana vai trocar o Podemos pelo Republicanos.

Ainda que esteja com novo marqueteiro e a qualidade das postagens melhorado, e ainda que tenha a máquina administrativa em seu favor, o vice-governador Mateus Simões (PSD) ainda não é conhecido e segue com o pior desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Tem contra si as forças de segurança no estado. São variáveis que, em parte, explicam o comentário de Flávio Bolsonaro sobre Mateus Simões: “Me puxa pra baixo”.

Quando enfim, a dois meses do pleito, o eleitor mediano dispensar maior atenção às eleições, Mateus Simões terá pouco espaço para crescer na direita bolsonarista. Precisará mirar o centro, neste momento ocupado pelo ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e o ex-presidente da Câmara Municipal Gabriel Azevedo (MDB). O campo lulista ainda em aberto e à espera do senador Rodrigo Pacheco (PSD) segue incógnito no segundo maior colégio eleitoral do país. Mas é mais fácil Cleitinho atravessar o centro para ganhar votos do eleitor popular do que Mateus Simões alcançar a esquerda.

Tal é o cenário da sucessão estadual que exige de Zema a escolha: ou tenta ampliar as chances de Mateus Simões, buscando uma costura com Flávio Bolsonaro, ou insiste em sua aventura ao Palácio do Planalto, mesmo performando o pior desempenho entre governadores presidenciáveis. Tentar alinhavar a vice de Flávio Bolsonaro é o caminho natural de Romeu Zema. Incerto é se será viável. É questão de timing.

Zema entra na negociação em momento favorável a Flávio Bolsonaro: a candidatura do senador se consolidou e está em posição competitiva na disputa presidencial, em situação de empate técnico com o presidente Lula (PT). No plano nacional, a polarização entre lulistas e bolsonaristas é o horizonte esperado, assim como se esvazia a aposta na terceira via de Gilberto Kassab, que tem no PSD três governadores presidenciáveis.

Se Flávio aceitará a cabeça de Zema como vice, como forma de pressionar Cleitinho a desistir de sua candidatura ao governo de Minas, assim salvando a de Mateus Simões, ainda é questão aberta. A jogada favorece mais a Zema do que a Flávio, porque Zema vai mal nos nichos do eleitorado que Flávio não pode se dar ao luxo de perder. Além disso, se em São Paulo Tarcísio de Freitas carrega o Republicanos na cabeça – e poderá trocar o PSD pelo PL na vice – em Minas Gerais, igual composição partidária com Cleitinho e Roscoe sugeriria para Flávio, no plano nacional, um vice do Republicanos. A data é 4 de março de 2026. Está aberta, oficialmente, a temporada da caça. Exceção aos crocodilos à beira do rio, imóveis à espreita da grande travessia das manadas, quem ficar parado nessa savana vai se transformar em saboroso banquete.

Com Cleitinho

O deputado estadual Caporezzo (PL) se reuniu nesta terça-feira com o senador Cleitinho (Republicanos), a quem chama de “seu pré-candidato” ao governo de Minas. “Conversamos sobre a conjuntura política em Minas e como trabalharemos pela candidatura de Flávio Bolsonaro no estado”, explica Caporezzo. Questionado se cogita migrar para o Republicanos e se lançar ao Senado, o parlamentar disse: “Estou no PL e nada farei sem conversar com o meu partido”.

Recorde

O presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), bateu o recorde histórico em apoio para a sua candidatura à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Alcançou 77 assinaturas – 100% do plenário. A eleição será nesta quarta-feira (4/3).

 

Travado

Com problemas no sistema de e-mails da Prodemge, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) está há seis dias sem conseguir encaminhar intimações por via eletrônica. Além de não conseguir enviar as correspondências, não há garantia de que os e-mails estejam chegando.

No STJ

O desembargador Luís Carlos Balbino Gambogi, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), assumiu nessa terça-feira (3/3) a vaga do ministro afastado Marco Buzzi na Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Buzzi foi afastado sob a acusação de crime sexual. Gambogi é formado em Direito pela PUC-Minas e tem mestrado e doutorado em Filosofia pela UFMG. Antes de ingressar na magistratura, atuou como advogado e foi deputado estadual constituinte em Minas Gerais entre 1987 e 1991.

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Desenvolvimento sustentável

Coordenado pelo promotor de justiça Lélio Braga Calhau, que é doutor em direito ambiental, o seminário “Participação Popular Ambiental Material e Desenvolvimento Sustentável”, irá debater, nesta quarta-feira, 4, a participação efetiva da população nas questões ambientais e minerárias. O evento será na Associação Mineira do Ministério Público. “Algumas mineradoras querem forçar a discussão apenas para o campo formal, como o processo de licenciamento, e o evento visa discutir essas questões”, afirma Lélio Braga Calhau. A deputada estadual Bella Gonçalves (Psol) tem a participação confirmada.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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