MDBs e PSDs, múltiplos pés, múltiplas canoas
Centrão, os PSDs e os MDBs vão se acotovelar em uma única eleição presidencial, para ganhar asas nas 27 sucessões estaduais e do Distrito Federal
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Com a Federação União-PP, o MDB e o PSD neutralizados na disputa à Presidência da República, a polarização entre lulistas e bolsonaristas se consolida, enquanto, nos estados, uma infinidade de arranjos e interesses se chacoalham em torno do PSD e do MDB. Em São Paulo, as duas legendas travam uma disputa pela posição de vice na chapa à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Fogo amigo. Estarão juntas em torno de Tarcísio de Freitas na disputa estadual. PSD e MDB compartilham características: integram o governo Lula, são frentes que reúnem posições políticas diversas, sensíveis aos interesses de cada estado. Mesmo com o PSD de Gilberto Kassab anunciando candidatura própria ao Palácio do Planalto, os dois partidos gostariam de liberar estados para que escolham o seu destino na sucessão presidencial.
O MDB segue uma legenda diversa: em 11 estados trabalha por um apoio ao presidente Lula (PT); em 16 estados, o principal deles, São Paulo, o MDB vai de Tarcísio de Freitas e, a reboque, tende a endossar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Também o PSD, que sugou boa parte da herança do PSDB, segue legenda diversa: no Rio de Janeiro e no Amazonas, as lideranças tendem a apoiar o petista, como o fizeram em 2022.
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) se aproxima de integrantes do Planalto, também em busca do apoio do presidente, aliado de seu principal rival no estado, o prefeito de Recife, João Campos (PSB). É nesse cenário que a candidatura ao Planalto do PSD é o salvo-conduto de Gilberto Kassab para não se posicionar e seguir onde sempre esteve: múltiplos pés em múltiplas canoas.
Em Minas, PSD e MDB vão se enfrentar nas eleições ao governo do estado. Indicam dois nomes – respectivamente Mateus Simões e Gabriel Azevedo – em cenário de três pré-candidaturas formalmente colocadas, ao qual se soma Alexandre Kalil (PDT). Ao filiar Mateus Simões no PSD – e lhe garantir que apoiaria o governador Romeu Zema (Novo) ao Planalto em detrimento inclusive da candidatura do próprio PSD – Gilberto Kassab arrebanhou um ativo político. Já Mateus Simões, que com a migração partidária quis atingir o senador Rodrigo Pacheco (PSD), encontrou para si um problema: a candidatura de Zema e a candidatura do PSD ao Planalto são agora obstáculos para que unifique o campo bolsonarista no estado.
Mateus tenta resolver o seu problema puxando o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e pressionando pela desistência do senador Cleitinho (Republicanos), que lidera as pesquisas de intenção de voto. Bolsonaristas raiz avaliam que Zema na chapa de Flávio resolveria o problema de Mateus. Mas talvez não resolva o problema do filho do ex-presidente, considerando que ter o governador na chapa não seja garantia de transferência de votos dos mineiros, e adicionalmente, ainda carregaria a indisposição com o eleitorado raiz bolsonarista: as forças de segurança.
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Ainda no PSD, Rodrigo Pacheco é o nome desejado pelo presidente Lula para concorrer ao governo de Minas. Até aqui os sinais do senador continuam ambíguos. Por um lado, a articulação nacional conduzida por Davi Alcolumbre (União-AP) – aliado de Rodrigo Pacheco – fracionou a base de apoiamentos partidários do vice-governador em Minas: o União Brasil está sob nova direção e pelo momento, representa recuo no apoio a Mateus Simões.
Por outro lado, Pacheco estuda o seu destino partidário se não para concorrer ao governo, para pausar a sua carreira política em uma legenda com a qual se identifique e na qual possa acomodar o seu grupo político de deputados estaduais, federais, entre outras lideranças. No União, o senador mantém interlocução com o prefeito Álvaro Damião (União), cotado para assumir a presidência da Federação União-PP em Minas.
No MDB, Pacheco conversa com o aliado Gabriel Azevedo, que aposta em sua filiação na legenda também como forma de crescer o partido no estado. Para isso, Gabriel faz a ponte em diálogo com o presidente nacional, Baleia Rossi, e o presidente estadual, Newton Cardoso Jr. Rodrigo Pacheco também conversa com o PSB de Geraldo Alckmin. Se PSD e MDB têm candidatos no estado, quem serão os nomes de Bolsonaro e Lula ao governo de Minas, são respostas ainda não amadurecidas.Minas e o Brasil são muitos. Entre idas e vindas, o Centrão, os PSDs e os MDBs vão se acotovelar em uma única eleição presidencial, para ganhar asas nas 27 sucessões estaduais e do DF.
Bombeiro
Reconduzido até maio na presidência do PL, o deputado federal Domingos Sávio coloca panos quentes nas disputas internas da legenda entre os chamados bolsonaristas raiz – ligados a Eduardo Bolsonaro – e o deputado federal Nikolas Ferreira. “Cada um tem o seu papel. Ninguém pode negar a liderança de Nikolas Ferreira. Quem está criando problema com Nikolas está criando problemas para Flávio Bolsonaro”, afirma Domingos Sávio.
Papudinha
Ao deixar a Papudinha logo após a visita de Nikolas Ferreira, Carlos Bolsonaro (PL) salientou, nas redes sociais, que o pai “está confeccionando, inicialmente, uma lista de pré-candidatos ao Senado, aos governos estaduais e a outras participações políticas igualmente relevantes”. Deu o recado.
Monjaro, sim!
O deputado federal Mario Heringer (PDT) está em campanha para democratizar o acesso à “tizerpatida”, base do medicamento “Mounjaro”, utilizado para redução de peso. O parlamentar realiza um abaixo-assinado na internet em apoio ao projeto de lei que tramita no Congresso Nacional e declara o remédio como produto de “interesse público”, o que abre espaço para quebra de patente. “A quebra da patente é passo fundamental para tornar esse medicamento mais acessível à população, permitindo a mais pessoas acesso a um tratamento eficaz contra a obesidade e suas complicações, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares”, diz o parlamentar, que é médico.
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Transparência
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) sedia, nesta segunda-feira (23), a cerimônia de certificação do Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP) de 2025. Em Minas Gerais, do universo de 1.712 jurisdicionados, 1.581 unidades gestoras participaram da autoavaliação, o que representa 92,35% de adesão. Foram 797 prefeituras e 778 câmaras municipais. No âmbito estadual, seis jurisdicionados se autoavaliaram: os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do próprio TCE, Ministério Público e Defensoria Pública. Enquanto a PBH e Defensoria Pública foram agraciadas com o selo “Diamante”; o governo do estado, o Ministério Público e o TCE receberam selo “ouro”.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
