Anna Marina*
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SAÚDE

'Celulite de corrida': por que furinhos surgem durante o movimento?

Nem sempre as marcas que incomodam durante o exercício são as mesmas que vemos com o corpo parado

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As incômodas celulites realmente não nos deixam em paz. E aparecem. Outro dia, fui encontrar com uma amiga no Belvedere, na região com muitas lojas. Enquanto andava, observei um grupo de mulheres com uniforme branco – devem ser de alguma clínica ou salão. A calça branca era de malha, modelo bailarina. Até a moça mais magra tinha marcas evidentes das temidas celulites na região das nádegas e coxas. Nem preciso me referir às outras.

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Recebi material da médica Danuza Alves, da Clínica Leger, referência em tratamentos para celulite. Como o assunto desperta o interesse de todas nós, decidi publicá-lo. Ela diz que nem sempre as marcas que incomodam durante o exercício são as mesmas que vemos com o corpo parado. Ou seja, temos dois tipos de celulite?

Socorro! Se as corredoras, que são magras e firmes, têm celulites, podemos nos esquecer da vida...

A médica explica: leggings esportivas vendidas com a promessa de melhorar a aparência da celulite durante o movimento fazem parte do mercado de roupas para treinar, inclusive correr. Enquanto essas peças anunciam ação massageadora sobre a pele, um vídeo durante a corrida pode mostrar justamente o que incomoda: depressões mais evidentes do que no espelho.

Essa percepção, a “celulite de corrida”, tem relação com a maneira como a contração muscular modifica a tensão dos tecidos, sem representar um tipo diferente de celulite.

A pele tem conexões com estruturas mais profundas por meio de faixas de tecido fibroso, que participam da formação dessas depressões. A cada passada, a contração muscular altera a tensão na região e pode acentuar sua aparência, explica Danuza Alves.

“A mulher não desenvolveu celulite durante a corrida. O movimento destacou uma característica que estava menos visível com o corpo relaxado”, afirma.

A mesma distinção vale para as roupas: ação massageadora ou mudança temporária na aparência não equivale ao tratamento das estruturas envolvidas.

Fora do treino, sentar ou cruzar as pernas também modifica a posição e a compressão dos tecidos, enquanto subir escadas ou fazer agachamento muda a aparência da região durante a contração muscular. Até a iluminação interfere: a luz lateral acentua as sombras, a luz frontal pode deixar as irregularidades mais discretas.

Comparar uma foto posada com um vídeo correndo, portanto, não permite concluir que houve piora. O exercício continua contribuindo para a saúde e o fortalecimento muscular, embora esses benefícios não signifiquem eliminação da celulite.

A diferença entre as marcas que surgem durante a contração e as que permanecem com o corpo relaxado orienta a escolha do tratamento. A avaliação considera a profundidade das depressões, a flacidez e o contorno da região.

Nos casos em que existe indicação, o GoldIncision envolve a liberação das faixas fibrosas que tracionam a pele, podendo ser associado a outras abordagens.

“A marca que aparece apenas na contração não recebe automaticamente o mesmo tratamento de uma depressão persistente. Primeiro, identifico o que está causando aquela alteração e o que podemos melhorar, considerando os riscos e os limites de cada procedimento”, conclui a doutora Danuza Alves.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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