Anna Marina*
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SAÚDE

Aumento do uso de cigarro eletrônico acende alerta para o câncer de boca

Adolescentes e jovens adultos são os maiores consumidores do vape. É falsa a ideia de que ele oferece menos risco do que o cigarro convencional

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Febre entre os jovens, o cigarro eletrônico, ou vape, faz mais mal à saúde do que os cigarros comuns. São proibidos no nosso país, mas, mesmo sabendo disso, adolescentes e jovens adultos na faixa de 14 a 24 anos são os que mais consomem esse perigoso produto.

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Estudos experimentais recentes indicam que o vapor do cigarro eletrônico provoca alterações celulares e genéticas na mucosa da boca, capazes de favorecer o desenvolvimento de tumores ao longo do tempo. O alerta preocupa especialistas, pois, como o câncer costuma levar anos para se desenvolver, os efeitos do consumo entre adolescentes e jovens adultos só devem aparecer nos consultórios daqui a algum tempo.

Ana Gabriela Neis, cirurgiã de cabeça e pescoço do hospital paranaense São Marcelino Champagnat, faz vários alertas, sobretudo aos jovens. Hoje, o foco precisa ser a prevenção. Já se observam diversas repercussões respiratórias, mas ainda não houve aumento expressivo de casos de câncer de boca, embora existam evidências consistentes de que os mecanismos envolvidos no desenvolvimento da doença já estejam presentes.

O câncer de boca está entre os tumores que mais crescem no Brasil, com cerca de 15,1 mil novos casos por ano no triênio 2023-2025, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os principais fatores de risco são tabagismo, consumo de álcool, exposição solar dos lábios e infecção por HPV.

Apesar da comercialização proibida desde 2009 pela Anvisa, o vape continua circulando por canais informais e nas redes sociais, frequentemente associado a sabores adocicados e à falsa percepção de ser alternativa mais segura ao tabaco.

O contato repetido da mucosa da boca com o aerossol do vape desencadeia processos inflamatórios, aumenta o estresse oxidativo, reduz a capacidade de defesa do organismo e pode provocar alterações nas células. Esse conjunto de fatores, ao longo dos anos, favorece o surgimento de tumores.

Estudo publicado na revista científica Drug Testing and Analysis reuniu evidências de que o vapor do cigarro eletrônico causa danos ao DNA das células bucais por exposição a compostos potencialmente cancerígenos identificados na saliva de usuários.

Estudo do InCor, realizado em 2025, mediu os níveis de nicotina na saliva de 417 usuários de vape. Foram identificadas concentrações equivalentes àquelas observadas em pessoas que fumam cerca de 20 cigarros por dia.

Além de nicotina, os dispositivos contêm propilenoglicol, glicerina e aromatizantes que, submetidos a altas temperaturas, podem formar compostos tóxicos, incluindo metais pesados como níquel, chumbo e cromo, reconhecidos pelos efeitos nocivos à saúde quando inalados.

A especialista afirma que um dos maiores desafios é combater a falsa ideia de que o cigarro eletrônico oferece menos riscos do que o cigarro convencional. A ausência do cheiro de tabaco e a presença de aromatizantes reforçam essa percepção, favorecendo o início do consumo.

A doutora Ana Gabriela alerta que alguns sintomas do câncer não devem ser ignorados, como feridas na boca que não cicatrizam por mais de duas semanas; dor persistente para engolir; rouquidão ou mudança na voz por mais de 15 dias; caroços no pescoço; e também sangramentos sem causa aparente.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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