Anna Marina*
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ANNA MARINA

Dia dos Namorados e o 'dedo podre'

Romper o 'ciclo do dedo podre' não significa rejeitar o amor ou defender a solidão, mas mudar o ponto de partida das relações

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A escritora e palestrante Branca Barão nos enviou material muito bom sobre relacionamentos. Quem já não errou várias vezes em suas escolhas dizendo ter “dedo podre”?

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Com a chegada do Dia dos Namorados, este assunto é bem apropriado. Muitos celebrando, mas, como Branca afirma, a data funciona como espelho incômodo, revelando quem está em uma relação por escolha consciente ou apenas repetindo o “ciclo do dedo podre”. Para ela, este conceito vai além do azar amoroso. Vejam o que ela diz:

“Os clichês como 'amar parceiros tóxicos', envolver-se em relacionamentos abusivos, namorar os 'bad boys' e permanecer por muito tempo em relacionamentos insatisfatórios são narrativas muito simplistas para explicar um problema mais profundo: nós não nos sentimos merecedoras do amor saudável.

Entretanto, 'dedo podre' não é azar. É um ciclo emocional repleto de crenças fundamentais que carregamos sobre nós mesmas, que se repete quando a relação nasce da urgência e não da escolha consciente de que somos inteiras e merecedoras de um relacionamento legal.

Isso começa pela procura ansiosa por um relacionamento por medo de ficar sozinha, passa pela idealização precoce, pela criação de expectativas não verbalizadas e por autoengano diante de sinais claros da realidade, até desembocar no fim tardio, marcado por desgaste emocional.

O problema não é o término em si, mas a dificuldade de sustentar vínculos onde o amor não precisa ser provado, conquistado ou tolerado à custa de si mesma. Assim, o ciclo se repete enquanto a mulher acredita que precisa se adaptar para ser escolhida, e não que pode escolher relações à altura da vida que quer construir.

Esse mecanismo está diretamente ligado à romantização da insistência. A ideia de que amar é tolerar e se adaptar é confundida com maturidade emocional. Mas existe uma diferença grande entre construir um vínculo e se manter em uma relação à custa de si mesma. Relações maduras não exigem convencimento diário nem esforço unilateral.

Acredito que o Dia dos Namorados costuma intensificar esse desconforto justamente por funcionar como um marcador simbólico. Se a data pesa, geralmente não é por falta de amor, mas por excesso de expectativa sustentada sozinha.

Romper o 'ciclo do dedo podre' não significa rejeitar o amor ou defender a solidão, mas mudar o ponto de partida das relações.

Quando a mulher se reconhece como inteira, ela passa a escolher com mais clareza. Isso muda completamente o tipo de vínculo que se constrói.

O processo envolve desacelerar o encantamento inicial, escutar o que o outro diz e faz, além de reconhecer limites antes que a expectativa se transforme em autoengano. Quando alguém mostra quem é, a maturidade está em decidir se aquilo serve, não em tentar adaptar a realidade ao que se gostaria que fosse.

Relações realmente saudáveis não exigem convencimento, treino ou conserto. Na verdade, elas se constroem na reciprocidade.

Quando o esforço é unilateral, o ciclo já está em andamento. Na prática, romper o padrão também envolve aprender a encerrar relações no tempo certo. É preciso entender que encerrar um ciclo é lucidez.

O recomeço que importa não é com outra pessoa, mas com outra lógica emocional. Quando a mulher se reconhece como inteira, deixa de aceitar migalhas como vínculo e passa a escolher relações compatíveis com a vida que construiu.”

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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