Anna Marina
Anna Marina

A fragilidade após os 65 anos

Mesmo que a cabeça e o ânimo não sintam a idade, o organismo traz umas surpresinhas nada agradáveis

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Depois que completei 60 anos, ficava com vergonha de entrar em fila de prioridade porque me achava muito bem e muito jovem. Até que, certa vez, fui ao banco e a fila estava enorme, e usei dessa minha prerrogativa. Apesar de estar constrangida – porque as pessoas ficaram me olhando com cara de poucos amigos –, me dei conta de que não fui eu quem criou a lei, e que se ela foi criada é porque sentiram necessidade, então, se eu estava na faixa etária correta, tinha o direito de uso e não deveria me sentir culpada. Tenho que confessar que achei muito legal abrirem a categoria prioridade 80+.

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Estou com 66 anos, com muito orgulho. Me sinto inteira, dou conta do recado, trabalho muito e tenho prazer no que faço, mas tenho que confessar que depois dos 65 anos comecei a ter umas coisas que nunca tive na vida.

Comecei a pensar e reparar que está acontecendo comigo o que ocorre com as crianças. Os bebês nascem, e no início da vida sentem muita cólica. Natural, afinal seu sistema digestivo está recebendo alimento pela primeira vez, está se adaptando ao mundo e ao que entra do mundo exterior, mesmo que isso seja o leite materno. E qual mãe, em algum momento, não ficou “desesperada” com aquele chorinho sofrido que não passava por nada? Depois, vem as dores de barriga, as gripes, as otites. Mas quando eles fazem três anos é como se criassem uma barreira repentina e essas doenças constantes acabam.

Pelo menos com minha filha e com filhos de várias amigas foi assim. Quantas noites não passei sentada com minha filha deitada sobre meu peito, de barriguinha para baixo, para que conseguisse dormir depois de ter tossido tanto até vomitar tudo que havia mamado, porque estava gripadinha. E quando era dor de ouvido? Quanto sufoco!

Depois que eu entrei nos 65, tive meu primeiro susto. Acordei um dia com meu olho direito arranhando muito. A primeira coisa que pensei é que deveria ter dormido de olho aberto e que estava ressecado. Pinguei colírio hidratante várias vezes, e muito. Nada. A dor só piorava e tive que ir no atendimento de urgência. Sempre recorro ao Centro Oftalmológico, em Lourdes. Estava com herpes ocular, que é herpes na córnea, no olho direito. Nunca tinha ouvido falar que isso existia. E acreditam que depois de cinco meses tive de novo, no olho esquerdo?

Agora, aos 66 anos, tive uma gripe muito esquisita, e depois de uns cinco dias com uma dor também esquisita descobri que estava, pela primeira vez na minha vida, com sinusite. Alguém merece? Não tive dor na testa, só nariz escorrendo muito e uma dor perto do rosto, perto do dente e achei que teria que voltar ao dentista, depois de ter acabado, recentemente, de fazer a vistoria padrão e tratado o pouco de coisa que tinha para ser feita. Contando para uma amiga, ela diagnosticou o que era. A sinusite acabou se transformando depois em uma gripe que está muito apegada a mim.

Já fiz de um tudo e ela não quer ir embora. Passei o feriado na cama, me tratando. Graças a Deus comecei esta semana bem melhor, mas zerada eu ainda não estou.

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Mesmo que a cabeça e o ânimo não sintam a idade, o organismo traz umas surpresinhas nada agradáveis. Espero que não venham mais novidades como essas. E olhem que eu me previno com muita suplementação vitamínica.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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