Anna Marina*
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ANNA MARINA

Venha a nós, tudo; ao vosso reino, nada...

O brasileiro faz questão de exigir seus direitos, mas nem sempre se lembra de que também tem deveres. Vemos isso todos os dias em atitudes cotidianas

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Sou observadora. Fato. Mas tem coisas que nem precisamos observar para ver. Uma delas é o jeito que funciona a cabeça do brasileiro. Briga por qualquer coisinha e exige seus direitos.

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E como exige, mas esquece totalmente do fato de que quem tem direitos também tem deveres. Se critica algo ou alguma atitude, não deve fazer o mesmo. Porém, não é assim que funciona.


O brasileiro reclama que a cidade está suja, mas não fica com o lixo na mão até chegar em uma lixeira para dispensá-lo. E olha que tem lixeira espalhada em todos os quarteirões da cidade, prefere jogar no chão mesmo.


Pior foi o que eu presenciei semana passada. Andando na Avenida Getúlio Vargas, tinha uma mulher na minha frente, chamou minha atenção porque estava de chinelo e meia curta. Ela foi caminhando, até que viu uma lixeira e foi até ela para descartar seu lixo. Fiquei impressionada. Sem parar, ela jogou o material e ele caiu no chão. Ela parou, viu que ele tinha caído fora da lixeira, virou as costas e continuou andando, como se nada tivesse acontecido.

Alguém me explica? Será que ela achou que ele levitaria e pularia para dentro do local devido? Custava dar um passo para trás e recolher o lixo e colocá-lo na lixeira? Era dia chuvoso. Aí chove, a água empurra esse lixo para o bueiro. As galerias ficam cheias de entulho e com as fortes chuvas as ruas alagam.


Viram, é nosso dever jogar o lixo no local devido, mas as pessoas não querem cumprir seus deveres.


Em condomínios então, é uma festa: reclamam do barulho do vizinho, mas não prestam atenção no barulho que fazem. Não respeitam a demarcação da vaga da sua garagem; seguram o elevador para bater papo com o vizinho; querem tudo em perfeita ordem no prédio, mas não pagam o condomínio.


Na vida em comunidade, reclamam do trânsito, mas param em fila dupla; furam fila, reclamam da corrupção, mas compram a maquininha pirata que dá acesso a todos os canais e streams, para não pagar assinatura. Isso é o quê?


Falamos que todo político é mentiroso. Não posso provar que todos são, mas que a grande maioria é, sem dúvida. Mas já cansei de pegar várias pessoas em grandes mentiras. E quem ensina a pessoa a mentir? Provavelmente os pais, que cansam de falar que mentir é errado, que é pecado, mas quando alguém telefona para casa e chama pelo pai, ele vira para o filho e fala para dizer que ele não está. Isso é o quê? Mentira. Mas aí vem aquela desculpa, é mentira social, porque não faz mal a ninguém.


Outro dia, uma amiga presenciou uma cena inacreditável. Uma mãe, com o filho de 7 ou 8 anos, chegando ao clube para a aula de natação. O carro devia estar no estacionamento do clube ou na rua. O menino disse para sua mãe que tinha esquecido a touca no carro e que o professor havia dito que, sem ela ,ninguém poderia participar da aula. Ela disse ao filho que falaria que ela tinha esquecido em casa. Acreditam??? Em vez de corrigir a preguiça do filho – e dela – de voltar no carro e pegar o objeto – ensinou o filho a mentir e assumiu a culpa por ele. O que ela ensinou? O que esse menino vai virar?


E o corporativismo? Isso existe em todas as profissões. Ninguém assume seu erro. Se o médico erra, conta com a “cobertura” dos colegas que usam de todos os artifícios, ou melhor, de todas as ferramentas disponíveis para esconder o erro, ou transformar o erro em incidente. “Alergia ao medicamento que era desconhecida.” Citei o exemplo médico, mas existe em todas as profissões, estamos vendo isso acontecer no Supremo.


Por que não assumir os próprios erros? Todos estamos passíveis de errar, porque ninguém é perfeito. Claro que, em algumas profissões, o erro se torna mais grave do que em outras, mas até o jornalista tem que tomar cuidado, porque, se fizer uma denúncia errada, pode destruir a vida ou o negócio de alguém inocente.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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