Por que não damos o melhor para nós mesmos?
Guardava tudo de bonito para usar quando recebesse visitas. No dia a dia, usava os inquebráveis copos de requeijão. Por que guardar o melhor para o outro?
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Quando estava editando o caderno Feminino & Masculino do último domingo, li a coluna da Patrícia Espírito Santo. Ela contou que, logo que se casou, colocou ao lado do filtro uma bandeja com copos de cristal. Quebraram na primeira “estabanada”, e ela resolveu o problema substituindo-os por copos de requeijão.
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Na mesma hora, me lembrei de quando me casei. Guardava tudo de bonito que ganhei para usar quando recebesse visitas. No dia a dia, usava os inquebráveis copos de requeijão, que naturalmente se proliferaram em nossa casa. E vivia muito bem com isso.
Vale ressaltar que os adornos foram todos usados, meu enxoval era lindo. Posso dizer hoje, na maior tranquilidade, que era pouco prático. Muita roupa de cama bordada de linho (terrível para passar) e de cetim, como se usava na época. Lindas, mas péssimas para dormir. A de linho é desconfortável e a de cetim escorrega. Socorro!
Certo dia, sentada em uma roda de amigas, conversávamos sobre coisas domésticas. Lembro-me como se fosse hoje de Liliane Carneiro Costa dizer com naturalidade que jamais usava copo de requeijão em sua casa.
Ela usava os de cristal. Comentou isso sem nenhum pedantismo, porque era a sua verdade.
Fiquei muda, claro, mas aquilo me bateu fundo. Ela estava certa.
Por que guardar o melhor para o outro? Por que eu e meu marido não merecíamos usar o que tínhamos ganhado?
Tá certo que copo de cristal era caro naquela época, ainda não existiam aqueles bonitos de vidro. No dia seguinte, peguei o “aparelho” de requeijão, doei e coloquei para uso diário os copos de cristal mais resistentes que havia ganhado.
Vi que minha autoestima estava bem baixa, pois valorizava os outros mais do que a mim mesma e a meu marido. O mais engraçado é que ele aceitou isso, sem nunca falar nada. Poderia ter questionado de forma carinhosa. Mas não, calou-se e aceitou. O melhor tem de ser para nós mesmos.
A Bíblia diz que devemos amar o próximo como a nós mesmos. Ela não diz ame o próximo mais do que você se ama. Isso significa que devemos nos amar muito, nos valorizar muito e que merecemos o melhor. Mas cuidado para não confundir alta autoestima com egocentrismo exacerbado.
Quebrei muitos copos de cristal antes que o mercado colocasse à venda belos copos de vidro, mas valeu a pena.
* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
