O câncer de mama em homens é raro — menos de 1% dos casos — mas o número de homens diagnosticados e mortos pela doença está aumentando em todo o mundo. Os números mais que dobraram entre 1990 e 2025, de acordo com um estudo publicado na revista Clinical Breast Cancer.
Os pesquisadores analisaram informações do banco de dados Global Burden of Disease, que contém dados sobre 371 doenças em 204 países.
Em 2024, houve quase 20.750 casos de câncer de mama em homens entre 15 e 64 anos, um aumento de 272% em relação a 1990.
Leia Mais
Como o câncer de mama é mais frequentemente diagnosticado em homens mais velhos, os pesquisadores também calcularam a taxa de incidência padronizada por idade para o câncer de mama masculino. Esse ajuste leva em consideração as diferenças de idade entre os grupos comparados. A taxa de incidência padronizada por idade para o câncer de mama entre os homens aumentou de 0,40 por 100.000 homens em 1990 para 0,77 por 100.000 homens em 2024.
O número de homens que morrem de câncer de mama também está aumentando. A taxa de mortalidade masculina por câncer de mama aumentou de 0,18 homens por 100.000 em 1990 para 0,22 homens por 100.000 em 2024.
Os pesquisadores também analisaram os fatores de risco e descobriram que, entre os homens diagnosticados com câncer de mama, o consumo excessivo de carne vermelha foi o principal fator associado à morte por câncer de mama, seguido pelo consumo de álcool e pela exposição ao fumo passivo.
Os pesquisadores afirmaram que os resultados do estudo reforçam a necessidade de criar estratégias para reduzir o risco geral de câncer de mama masculino e abordar fatores de risco específicos que podem ser modificados.
COMPREENDENDO UMA OCORRÊNCIA RARA
O câncer de mama masculino compreende menos de 1% de todos os cânceres nos homens e menos de 1% de todos os cânceres de mama. Para cada 100 a 200 pacientes do sexo feminino com câncer de mama, um homem é diagnosticado. Ele tende a se apresentar em pacientes mais velhos e geralmente é uma doença positiva para o receptor de estrogênio (ER), assim como o das mulheres. Em geral, os homens não têm conhecimento sobre o câncer de mama masculino e podem ignorar ou sentir-se desconfortáveis ao procurar atendimento para queixas mamárias mais comumente associadas às mulheres. Isso leva a diagnósticos mais tardios de câncer avançado em homens.
As manifestações clínicas mais comuns são a presença de um caroço na área do tórax, que pode ser acompanhado ou não de adenomegalia axilar (ou “íngua” palpada na região da axila, em geral do mesmo lado do caroço) e também a presença de uma retração na pele. Em situações mais graves do câncer de mama masculino é possível também ocorrer uma retração do mamilo, acompanhada ou não de sangue na região. Quando estes sinais são detectados, é imprescindível a pronta consulta médica para que o diagnóstico seja realizado,
inclusive com a realização de uma biópsia e de exames de estadiamento da doença para se avaliar a extensão da mesma.
Leia Mais
TRATANDO O CÂNCER DE MAMA MASCULINO
Como a mama masculina é pequena e os nódulos são atrás do mamilo, geralmente não temos como fazer cirurgias conservadoras (que retiram apenas parte da mama). A cirurgia costuma ser a retirada de toda a mama com a aréola e o mamilo tendo de sair como margem de segurança (mastectomia total), com a cirurgia axilar (retirada de um gânglio – linfonodo sentinela – ou de vários gânglios da axila) no mesmo tempo cirúrgico.
Outros tratamentos podem ser necessários, como nas mulheres: quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e bloqueio dos hormônios. Tudo vai depender do tamanho do tumor e de suas características biológicas.
IDENTIFICANDO AS DIFERENÇAS ENTRE O CÂNCER DE MAMA MASCULINO E O FEMININO. SÍNDROME DE PREDISPOSIÇÃO HEREDITÁRIA AO CÂNCER DE MAMA E OUTRAS ALTERAÇÕES GENÉTICAS
As diferenças no rastreio, que em geral não é feito nos homens e portanto nos diagnósticos tardios contribue para uma taxa de mortalidade 25% maior nos homens do que nas mulheres, embora, com o tratamento padrão, as taxas de sobrevivência sejam semelhantes.
Proporcionalmente, surgem significativamente mais casos masculinos que estão associados a mutações genéticas hereditárias e exibem características “muito diferentes” em comparação com câncer de mama herdado em mulheres, de acordo com a revisão da histopatologia. Mutações no gene BRCA2 representam o fator de risco mais forte para o câncer de mama masculino, com um risco relativo de 80 vezes o da população em geral. Entre os portadores da mutação BRCA2, o câncer de mama masculino parece ser mais agressivo. Enquanto isso, embora as mutações no gene BRCA1 estejam associadas ao câncer do tipo basal em mulheres com câncer de mama, elas não estão nos homens.
A rigor, todo homem com diagnóstico de câncer de mama deveria ser submetido a uma pesquisa genética de mutação do gene BRCA2. Se a mutação for confirmada, há que se rastrear seus parentes próximos, especialmente irmãos e filhos. Por outro lado, a história familiar de cânceres de mama e ovário em idade abaixo dos 55 anos também deve levantar a suspeita de se tratar de uma síndrome de predisposição ao câncer de mama hereditário, tornando-se imperativa a consulta com um oncogeneticista que fará o aconselhamento genético e os exames genéticos adequados para cada caso.
Diferentes alterações genéticas não herdadas também foram relatadas em homens, embora os estudos tenham sido limitados a pouco mais de 200 pacientes com câncer de mama no sexo masculino, e os resultados sejam mistos.
Alterações no gene PIK3CA são as mutações mais comuns em pacientes do sexo masculino, ocorrendo com mais frequência do que no sexo feminino e em diferentes partes do gene. Ao contrário de mulheres com câncer de mama, estudos recentes não detectaram mutações no KRAS em homens, e a mutação TP53 - a alteração genética mais comum em mulheres - foi observada em apenas 1% dos cânceres de mama masculinos.
Alterações cromossômicas são vistas com mais frequência no câncer de mama masculino, com alguns estudos importantes mostrando mais regiões genéticas que ganharam material erroneamente e menos que perderam material. A metilação de genes, o mecanismo mais comum pelo qual os genes supressores de tumores são silenciados por um câncer, é vista com menos frequência nos homens.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
