Alimentos causam ou evitam o câncer de mama?
Quanto mais alimentos ultraprocessados as pessoas consumiam, maior era o risco de câncer de mama
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A pesquisa sobre nutrição e câncer de mama é complexa. Além da dieta, muitos outros fatores contribuem para o risco de câncer de mama, como a prática de exercícios físicos, o tabagismo ou o consumo de álcool.
Mas, além do álcool, não há alimentos comprovadamente causadores “per se” de câncer de mama. No entanto, certos alimentos têm sido associados a um risco aumentado de câncer de mama.
Ao entender o que limitar, as mulheres podem fazer mudanças para ter uma dieta mais saudável, incluindo alimentos que apresentam um potencial de reduzir o risco de câncer de mama. As mudanças dietéticas também são úteis para as mulheres que já apresentam o diagnóstico de câncer de mama. Uma dieta saudável pode ajudar a reduzir não só o risco de recorrência, mas também os efeitos colaterais do tratamento. As pacientes em tratamento devem almejar substituições que sejam atraentes e nutritivas.
Não há motivo para restringir grupos alimentares inteiros ou mesmo alimentos específicos da dieta. Mas reduzir o consumo de certos alimentos pode ajudar a manter o risco de câncer de mama baixo e melhorar a saúde geral.
Ultraprocessados
São aqueles que contêm muitos aditivos e conservantes. Geralmente, são ricos em açúcar, gordura e sal, e pobres em fibras, proteínas e nutrientes essenciais. Estão associados a diversos problemas de saúde, incluindo obesidade e câncer.
Um estudo de 2023, combinando dados de seis pesquisas que incluíram cerca de 462 mil participantes, mostrou que quanto mais alimentos ultraprocessados as pessoas consumiam, maior era o risco de câncer de mama. Ainda não está claro por que os alimentos ultraprocessados aumentam o risco de câncer, mas os especialistas têm algumas teorias.
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Ultraprocessados geralmente contêm muito açúcar, gorduras saturadas e aditivos, e, quando consumidos de forma consistente e excessiva, impactam negativamente o peso corporal, a inflamação e a microbiota intestinal. Pesquisas iniciais sugerem que a saúde intestinal pode influenciar o risco de câncer de mama. Quanto menos processado for um alimento, mais nutrientes — como fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos — ele contém.
A maioria dos nutricionistas define esses alimentos como aqueles que contêm um ou mais ingredientes que não estariam presentes em uma cozinha doméstica, como conservantes químicos, xarope de milho rico em frutose, corantes e aromatizantes artificiais. Outros alimentos são considerados ultraprocessados devido à forma como são produzidos — por exemplo, gorduras de produtos de panificação são hidrogenadas, um processo que converte óleos líquidos em gorduras sólidas.
De certa forma, todos os alimentos passam por algum nível de processamento para chegar às nossas mesas. Mas existe uma grande diferença entre alimentos minimamente processados, como massas e lentilhas secas, e ultraprocessados, como biscoitos e cupcakes industrializados.
Ultraprocessados comuns incluem: refrigerantes e bebidas energéticas, açucaradas; produtos cárneos como nuggets de frango, salsichas e frios; salgadinhos e doces industrializados, como batatas fritas e biscoitos; doces; ”fast food”; sopas instantâneas; pizzas congeladas, refeições para microondas e carnes processadas.
O consumo de carnes processadas pode aumentar o risco de câncer de mama. Uma revisão de 2022 combinou dados de 13 estudos (com mais de 1 milhão de participantes). Quando os pesquisadores compararam pessoas que consumiam carnes processadas regularmente com aquelas que não consumiam, descobriram que as primeiras tinham um risco 9% maior de desenvolver câncer de mama.
Carnes processadas incluem: cachorro-quente, bacon, linguiça e salame. Carnes processadas são aquelas preservadas por defumação, cura, salga ou adição de conservantes químicos, como nitratos ou nitritos, para realçar o sabor ou prolongar a vida útil. Alimentos defumados também são considerados processados.
Carne vermelha
Contém altos níveis de gordura saturada e colesterol - fatores de risco conhecidos para o câncer de mama. Quando pesquisadores compararam pessoas que consumiam carne vermelha regularmente com aquelas que não consumiam, descobriram que as pessoas que consumiam maiores quantidades de carne vermelha apresentavam um risco 6% maior de desenvolver câncer de mama. A carne vermelha inclui: carne bovina; vitela; carne suína e carne de cordeiro.
Gorduras saturadas
São encontradas em muitos produtos cárneos, manteiga, queijo, creme de leite, salgadinhos processados e produtos de panificação. Uma revisão de 2024 de 55 estudos com mais de 500 mil participantes mostrou que uma alta ingestão de gordura saturada levou a um risco maior de câncer de mama e vários outros tipos de câncer. Reduzir o consumo de ultraprocessados e carnes vermelhas e processadas pode ajudar a diminuir a ingestão total de gordura saturada.
Existem alimentos que reduzem o risco de câncer de mama?
Nenhum alimento ou dieta pode individualmente prevenir o câncer de mama, mas consumir principalmente alimentos integrais, ingerir bastante fibra e manter um peso saudável pode ajudar a reduzir o risco de câncer. Um estudo recente descobriu que mulheres na pós-menopausa que seguiam regularmente uma dieta mediterrânea apresentavam um risco 40% menor de câncer de mama com receptor de estrogênio negativo em comparação com aquelas que não seguiam essa dieta regularmente.
Sabemos hoje que a dieta mediterrânea — que inclui alimentos integrais, frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras — comprovadamente ajuda as pessoas a viverem mais, a evitarem diabetes e doenças cardíacas e a manterem o peso estável.
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Pesquisas também mostram os benefícios de uma dieta rica em fibras. A fibra é um dos elementos mais importantes nos alimentos quando se trata de prevenção de doenças.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
