A disputa entre o vice-governador Mateus Simões (PSD) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) entrou definitivamente em fase de confronto. A coluna apurou que o entorno do Palácio trabalha para ampliar, nas próximas semanas, uma linha de desgaste baseada na ideia de que o senador domina a comunicação digital, mas não teria preparo para administrar um estado pressionado por dívidas, demandas sociais e limitações orçamentárias. A estratégia é tirar a eleição do campo do carisma e levá-la para o terreno da capacidade de gestão.

O plano inclui explorar episódios envolvendo a direção estadual do Republicanos como elemento político. Interlocutores do governo avaliam que investigações e denúncias ajudam a sustentar a narrativa de risco institucional em torno de uma eventual gestão comandada pelo senador. A leitura reservada é de que Cleitinho preserva uma imagem pessoal de honestidade, mas poderia ficar dependente de grupos mais experientes nas engrenagens do poder. Em conversas internas, circula a metáfora de um líder popular cercado por “leões”.

 

A tensão atual contrasta com a relação de proximidade que os dois mantiveram por anos. Simões buscou o apoio do Republicanos em diferentes momentos e chegou a cogitar com aliados a presença do prefeito Gleidson Azevedo (Novo) em uma chapa majoritária. A filiação do prefeito Luís Eduardo Falcão ao partido e a consolidação de um projeto político próprio ligado à família do senador ampliaram o distanciamento e criaram um ambiente de competição direta, incluindo o ingresso do chefe do Executivo de Divinópolis na sigla comandada por Euclydes Pettersen.

Pettersen ficou enfurecido com a declaração feita por Simões na quinta-feira (12), quando o vice-governador afirmou que o Republicanos “deve se preocupar com seu presidente”. Investigado pela CPMI do INSS, ele interpretou a fala como um ataque pessoal. Até então, os dois mantinham relação cordial, marcada por boa articulação política.

O primeiro choque público ocorreu quando o vice-governador classificou Cleitinho como despreparado em entrevista ao Estado de Minas. A reação mobilizou o senador e seus irmãos, Eduardo e Gleidson, elevando o tom do embate. Desde então, as críticas passaram a atingir também a estrutura partidária e o papel do Republicanos na reorganização da direita mineira.

Aliados afirmam que Simões não cogita recuar. A aposta é de que a posse como governador, prevista para o fim deste mês, permita ampliar a visibilidade, anunciar mudanças na comunicação e construir pontes com setores da segurança pública e da base parlamentar. A avaliação interna é de que o tempo de campanha pode reduzir a vantagem do senador, que intensificou agendas no interior e se comporta como candidato consolidado.

O cenário ganhou novo ingrediente com o cálculo do PL nacional de admitir dois palanques em Minas para a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um liderado por Cleitinho e outro por Simões. Dirigentes da sigla consideram a rivalidade inevitável e tratam a definição do apoio ao governo estadual como etapa decisiva da estratégia eleitoral. Nos bastidores, a leitura predominante é a de que a campanha mineira deve começar sob clima de disputa aberta, marcada por mágoas acumuladas e sinais de desgaste político.

 

ITUIUTABA

Repercutiu o desabafo da prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes, que relatou ter sido alvo de agressões emocionais, ameaças e violência política atribuídas ao deputado federal André Janones, ambos do Avante. A prefeita afirmou ter obtido medida protetiva contra o parlamentar no ano passado e citou episódios de suposta tentativa de interferência administrativa e chantagens. Procurado, Janones não respondeu aos contatos.

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PARTIDOS

São dadas como encaminhadas ou em negociação as seguintes migrações: Betinho Pinto Coelho pode deixar o PV, Adalclever Lopes avalia saída do PSD, Bosco negocia troca do Cidadania pelo PSD e Enês Cândido também conversa com o PSD, Lud Falcão deve deixar o Podemos, Maria Clara Marra é cotada para sair do PSDB. Na Câmara, André Janones trata de filiação à Rede, Greyce Elias deve migrar do Avante para o PL, Weliton Prado negocia saída do Solidariedade rumo ao PSD e Duda Salabert mantém conversas com o Psol. Também aparecem em articulação Luiz Fernando Faria, que pode acompanhar eventual mudança de Rodrigo Pacheco para outra sigla, e Eduardo Azevedo, que tende a deixar o PL para o Republicanos.

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