REFÚGIO PESSOAL

Design e bem-estar: 5 tendências que transformam o jeito de morar

De ferramenta para a saúde mental a espaços com mais identidade e natureza; arquitetura moderna prioriza como nos sentimos dentro de casa

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A arquitetura de alto padrão avança para um modelo mais emocional e conectado ao bem-estar. A tendência atual consolida uma mudança de mentalidade, onde a casa reflete quem somos, como vivemos e, principalmente, como queremos nos sentir dentro dela.

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Um estudo da National Human Activity Pattern Survey (NHAPS), dos Estados Unidos, mostra que passamos cerca de 87% da vida em ambientes internos, além de aproximadamente 6% do tempo em veículos.

Esse comportamento se intensificou nas últimas décadas. Relatórios mais recentes, como o “the indoor generation”, indicam que a população global já passa cerca de 90% do tempo em locais fechados, entre casas, escritórios e meios de transporte. Dados atualizados de 2025 no Reino Unido reforçam esse padrão, impulsionado por hábitos digitais e mudanças no estilo de vida urbano.

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Nesse cenário, a casa deixa de ser um espaço físico e atua como elemento ativo no equilíbrio emocional. Para o arquiteto Fagner Santos, esse movimento transforma sua maneira de projetar.

Veja as 5 tendências que unem arquitetura e bem-estar

As transformações no modo de viver, trabalhar e se relacionar com os espaços consolidam um novo papel para a casa na rotina contemporânea. Com a permanência prolongada em ambientes internos e a incorporação de novas funções ao lar, como o trabalho e o lazer, cresce a demanda por projetos mais adaptáveis, confortáveis e alinhados às necessidades físicas e emocionais dos moradores.

1. Arquitetura e saúde mental

Os projetos agora consideram o impacto emocional dos espaços, priorizando quartos voltados ao descanso, ambientes menos sobrecarregados e uma maior sensação de acolhimento.

“A arquitetura tem um impacto real na forma de como a pessoa se sente. Ela pode transformar o humor, a energia e até a forma como alguém vive o dia a dia”, afirma o arquiteto.

Outro pilar do alto padrão é a busca por ambientes que refletem o DNA do morador. Elementos afetivos e referências pessoais são incorporados ao projeto. “O cliente quer se reconhecer no espaço. A casa precisa traduzir quem ele é, não apenas seguir um estilo”, diz Santos.

2. Projetos com identidade

A busca por ambientes que refletem o DNA do morador é hoje um dos pilares do alto padrão. Elementos afetivos, referências pessoais e escolhas que fogem do óbvio passam a ser incorporados ao projeto.

Com a casa assumindo múltiplas funções, de moradia a espaço de trabalho, cresce a necessidade de ambientes que representem o estilo de vida e os valores de quem vive ali.

“O cliente quer se reconhecer no espaço. A casa precisa traduzir quem ele é, não apenas seguir um estilo”, diz Santos.

3. Ambientes para convivência e natureza

A casa se consolida como um espaço de encontro. Cozinhas integradas, áreas sociais amplas e ambientes preparados para receber ganham mais importância. A valorização da luz natural e da sensação de amplitude também se destacam.

Esse movimento também se conecta a mudanças recentes no mundo do trabalho. Dados de 2024 e início de 2025 mostram que o modelo remoto e híbrido se estabilizou em um novo patamar global.

Segundo o Global Survey of Working Arrangements, profissionais com ensino superior em 40 países trabalham, em média, 25% dos dias em casa, o que reforça a necessidade de ambientes domésticos mais funcionais, confortáveis e versáteis.

Ambientes integrados, com grandes aberturas e conexão com a paisagem, assumem o protagonismo. “Espaços abertos e iluminados mudam completamente a forma de como a pessoa vive em cada espaço. Existe uma relação direta entre bem-estar e qualidade de vida”, explica o arquiteto.

4. Sustentabilidade com sensibilidade estética

A sustentabilidade passa a ser integrada de forma mais natural, com reaproveitamento de materiais, escolhas conscientes e soluções que unem funcionalidade e estética.

No Brasil, essa discussão ganha ainda mais relevância diante das mudanças climáticas e da necessidade de adaptação das cidades. A Política Nacional de Qualidade do Ar, instituída pela Lei nº 14.850/2024, surge em um contexto de eventos extremos: o verão de 2024/2025 foi um dos seis mais quentes já registrados no país desde 1961, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Estudos recentes da Fiocruz apontam que o calor intenso nas grandes cidades tem levado a população a buscar ambientes fechados e climatizados como forma de proteção à saúde, o que reforça a importância de projetos que equilibrem conforto térmico, ventilação e qualidade do ar interno.

O morar como extensão do indivíduo

No centro de todas essas mudanças está uma ideia comum: a casa como extensão da identidade. Mais do que seguir tendências, o morar contemporâneo se constrói a partir de experiências, emoções e escolhas pessoais, um movimento que coloca o bem-estar no centro da arquitetura.

Esse conceito também dialoga com a chamada “geração indoor”, marcada por uma rotina cada vez mais concentrada em espaços fechados, o que transforma a casa em protagonista da saúde, do conforto e da qualidade de vida.

“A casa não é só um lugar físico. Ela ganhou um status terapêutico, trazendo acolhimento, paz e segurança emocional”, conclui Santos.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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