NOVEMBRO AZUL

Câncer em homens: Inca estima que 30,5% dos novos casos sejam de próstata

Projeções indicam 77.920 novos casos por ano até 2028; especialistas explicam como fatores de risco e avaliação individualizada orientam diagnóstico e tratamento

Publicidade
Carregando...

Três em cada dez novos casos de câncer previstos entre homens no Brasil, desconsiderados os tumores de pele não melanoma, devem ser de próstata. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o período de 2026 a 2028 prevê 77.920 novos casos da doença por ano, o equivalente a 30,5% dos casos novos de câncer estimados entre homens.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Apesar da elevada incidência, o câncer de próstata costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, o que torna a identificação da doença um desafio para médicos e pacientes.

A idade é um dos principais fatores de risco: tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente após os 60 anos.O histórico familiar também influencia o risco de desenvolver a doença. Homens com pai ou irmão diagnosticado com câncer de próstata, especialmente antes dos 60 anos, apresentam maior risco. O excesso de gordura corporal, por sua vez, está associado ao desenvolvimento de formas avançadas da doença.





Para o urologista Alexandre Cavalcante, do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, a investigação deve levar em conta as características de cada paciente. “O desafio atual não é simplesmente realizar mais exames, mas identificar quem realmente precisa deles, quando realizá-los e qual conduta oferece o maior benefício. Nesse cenário, a decisão compartilhada entre médico e paciente é fundamental, considerando os riscos, os benefícios e as preferências individuais”, explica.

Avaliação individualizada

A decisão sobre quando e como investigar o câncer de próstata ganhou destaque em outubro de 2026, quando a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) publicou uma nota técnica sobre o papel do toque retal na avaliação da saúde masculina. A entidade reforçou que a indicação dos exames deve considerar os fatores de risco, os sintomas, os achados clínicos e as preferências do paciente, após discussão sobre os possíveis benefícios e riscos da investigação.

Entre os recursos utilizados está o PSA, exame de sangue que mede os níveis do antígeno prostático específico, uma proteína produzida pela próstata. Embora seja um dos principais exames utilizados na avaliação, um resultado alterado não significa necessariamente a presença de câncer. Os níveis de PSA também podem sofrer alterações por condições benignas, como o aumento da próstata.

 

O toque retal, por sua vez, permite ao médico avaliar características físicas da próstata, como consistência, endurecimentos e possíveis nódulos. Segundo a SBU, o exame não deve ser utilizado isoladamente para rastreamento nem é obrigatório para todos os homens sem sintomas, mas pode complementar a avaliação clínica em situações específicas.

A ausência de sintomas não exclui a possibilidade da doença. Por outro lado, alterações urinárias não devem ser consideradas consequências inevitáveis do envelhecimento. Dificuldade para urinar, jato urinário fraco, necessidade de se levantar várias vezes durante a noite para ir ao banheiro e presença de sangue na urina merecem avaliação médica. Esses sinais também podem estar relacionados a doenças benignas da próstata, mas precisam ser investigados.

Quando os resultados dos exames e a avaliação clínica indicam suspeita de câncer, podem ser necessários procedimentos complementares. A ressonância magnética multiparamétrica auxilia na identificação de áreas suspeitas, enquanto a biópsia permite a análise do tecido e a confirmação do diagnóstico.





O estágio da doença influencia as possibilidades de tratamento

Após o diagnóstico, o estágio e a agressividade do tumor orientam as possibilidades de tratamento e o prognóstico. “Quando o câncer é identificado ainda restrito à próstata, temos mais possibilidades de tratamento com intenção curativa. Se a doença já se espalhou para outras partes do corpo, o tratamento costuma ser mais complexo e pode exigir acompanhamento por períodos prolongados”, alerta Daniel Vargas de Almeida, oncologista clínico do Hospital Sírio-Libanês.

“Hoje contamos com recursos capazes de controlar a doença mesmo em estágios avançados, mas precisamos considerar também os impactos na saúde física, na função sexual e na qualidade de vida. O estágio do câncer no momento do diagnóstico influencia tanto as opções de tratamento quanto o prognóstico do paciente”, explica.

Nem todo diagnóstico exige intervenção imediata. Em casos selecionados de câncer de próstata de baixo risco, pode ser indicada a vigilância ativa, estratégia que consiste no acompanhamento periódico da doença por meio de exames e avaliações médicas. A proposta é monitorar o comportamento do tumor e identificar eventuais alterações que justifiquem o início do tratamento.

Cirurgia e radioterapia estão entre as principais opções de tratamento com intenção curativa para muitos pacientes com câncer localizado. Nos casos em que a doença ultrapassa os limites da próstata ou se dissemina para outros órgãos, podem ser necessárias diferentes combinações de tratamentos, incluindo terapias hormonais e outros medicamentos.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Tópicos relacionados:

cancer-de-prostata homens inca novembro-azul

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay