Um em cada quatro adultos com mais de 25 anos terá um acidente vascular cerebral (AVC) ao longo da vida, segundo a World Stroke Organization. Quando ele acontece, o que se faz nos primeiros minutos influencia as chances de recuperação e o risco de sequelas. É essa a mensagem da campanha internacional do Dia Mundial do AVC, lembrado nesta quinta-feira (29/10): “Every M1nute Counts” (Cada minuto conta, em inglês).





O AVC acontece quando o sangue deixa de chegar a uma região do cérebro por entupimento de uma artéria (AVC isquêmico) ou rompimento de um vaso (AVC hemorrágico). De acordo com o Ministério da Saúde, o isquêmico responde por cerca de 85% dos casos.

Os sinais aparecem de repente: de um momento para o outro, algo deixa de funcionar no corpo. Os mais comuns são alteração da visão, desequilíbrio, boca torta ao sorrir, perda de força em um braço ou em uma perna e dificuldade para falar. Dor de cabeça súbita e muito forte, sem causa aparente, também é alerta e pode indicar AVC hemorrágico. O mesmo vale para confusão mental, dificuldade para entender o que os outros dizem e perda de sensibilidade em um lado do corpo.

Uma fraqueza na mão ou uma fala enrolada que dura poucos minutos e passa pode ser um ataque isquêmico transitório (AIT). O episódio precisa ser investigado, porque identificar a causa e tratá-la reduz o risco de um AVC maior nos dias seguintes.

“Qualquer um desses sinais, mesmo que seja leve, já é motivo para procurar atendimento de emergência. No AVC, não temos tempo para esperar a melhora. Quanto mais rápido o paciente receber o tratamento adequado, maiores são as chances de reduzir as sequelas e preservar a sua independência”, afirma a neurologista Júlia Kallás, coordenadora do Serviço de Neurologia do Hospital Mater Dei Contorno.

Primeiros minutos

A diretriz de 2026 da American Heart Association e da American Stroke Association para o atendimento inicial do AVC isquêmico recomenda que o paciente acione o serviço de emergência (SAMU) ou seja levado a um hospital de referência em urgência neurológica, sem esperar para ver se o quadro melhora.

Anote o horário em que os sinais começaram, ou em que a pessoa foi vista bem pela última vez. Essa informação orienta as decisões de tratamento. Ao chegar, avise imediatamente na recepção da emergência que há suspeita de AVC. Até o atendimento médico, o paciente não deve receber comida, bebida e medicamento.





Prevenção

Hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, alcoolismo, estresse, má alimentação, obesidade e sedentarismo aumentam a chance de AVC, e esses fatores podem ser controlados. Parar de fumar, beber menos, comer de forma equilibrada e praticar atividade física reduzem o risco. Idade e histórico familiar também influenciam. O risco cresce com a idade, mas o AVC também atinge crianças, adolescentes e adultos jovens, por outras causas, como fatores genéticos, traumas e uso de hormônios (anticoncepcionais ou esteroides).

Quem tem arritmia cardíaca precisa de acompanhamento: “nem sempre é possível evitar a condição, mas o tratamento adequado reduz o risco de AVC”, orienta a neurologista.

O Ministério da Saúde também recomenda consultas regulares, porque a pressão alta e o colesterol elevados costumam não dar sintomas e só aparecem nos exames de rotina. “Só tomar as medicações não significa que o paciente terá os níveis recomendados de pressão e colesterol”, alerta Júlia.

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