Quem cresceu lendo a Turma da Mônica talvez se lembre: em setembro de 1991, a revista Mônica nº 57 trouxe a história “O aparelho”. Recém-aparelhada, Mônica aparecia tapando a boca com a mão para esconder o sorriso. Magali chegava a achar que a amiga estava escondendo comida e, ao descobrir o motivo, tentava tranquilizá-la: usar aparelho era algo normal, e muitas crianças também precisavam. Cebolinha e Cascão, claro, aproveitavam para provocar.

Trinta e cinco anos depois, Mônica volta a usar aparelho, mas a postura é outra. No gibi Sorrir é uma Aventura, desenvolvido pela Mauricio de Sousa Produções em parceria com a OrthoDontic, é ela mesma quem conta a novidade: “Oi, turma! Eu estou de aparelho”.

A reação dos amigos também é mais positiva. “Que apalelho difelente!”, comenta Cebolinha. Em vez das provocações de 1991, surgem perguntas e curiosidade: eles querem saber se é difícil de usar, se precisa usar todos os dias e se existem modelos diferentes. As dúvidas levam a turma até uma clínica e transformam a experiência em uma descoberta. No caminho, eles ainda percebem que aparelho não é só coisa de criança: Dona Luísa, mãe da Mônica, também usa, e o pai da Magali vai começar o tratamento.

Para a cirurgiã-dentista Claudia Consalter, sócia-fundadora da OrthoDontic, o contraste entre as duas versões da personagem ajuda a retratar uma mudança importante na forma como crianças e famílias podem encarar a ortodontia.

“Em 1991, a história mostrava uma criança preocupada em esconder o aparelho. Hoje podemos conversar sobre essa fase de forma muito mais aberta. Ele não precisa ser apresentado como a correção de um defeito, mas como parte de um cuidado com saúde, desenvolvimento e bem-estar”, afirma.

O acompanhamento pode começar antes mesmo do aparelho

A ortodontia infantil não começa necessariamente quando chega a hora de instalar um aparelho. O acompanhamento pode acontecer ainda durante a troca dos dentes, período em que o profissional observa como a boca e os ossos da face estão se desenvolvendo.

O próprio gibi traz essa orientação. Logo no início, Mônica conta aos amigos que o dentista explicou que a avaliação ortodôntica pode começar a partir dos 6 anos, quando muitas crianças ainda têm dentes de leite e começam a receber os primeiros permanentes. “Essa primeira avaliação não significa que a criança vai precisar usar aparelho naquele momento. É uma oportunidade para acompanhar o crescimento e identificar precocemente situações relacionadas à mordida, ao posicionamento dos dentes e ao desenvolvimento da boca. Em muitos casos, a melhor conduta é simplesmente acompanhar”, explica Claudia.

Dificuldades de mastigação, alterações na mordida, perda precoce ou demora na troca dos dentes, respiração predominantemente pela boca e hábitos como chupar o dedo por tempo prolongado estão entre os sinais que merecem atenção.

Do sorriso escondido ao sorriso de uma geração conectada

Se em 1991 o desafio da Mônica era não esconder o aparelho dos amigos, hoje crianças e adolescentes convivem também com outro tipo de pressão: a exposição constante a imagens de aparência considerada “perfeita” nas telas.

Um estudo publicado em 2026 no Health Marketing Quarterly, com 502 adolescentes e seus responsáveis na Nova Zelândia, investigou a relação entre autoconfiança em relação à aparência dos dentes, impactos sociais e psicológicos e uso das redes sociais. O trabalho chama atenção para o papel dos ambientes digitais na construção de padrões relacionados à aparência e para a importância de não reforçar imagens idealizadas de sorrisos.

“Sorriso saudável não é sorriso de filtro. O objetivo não deve ser perseguir um padrão irreal de beleza, mas buscar função, conforto, saúde e permitir que a criança se sinta à vontade para sorrir e se expressar”, afirma Claudia.

A aparência continua sendo um tema sensível na escola. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE em 2026, entre os estudantes que relataram sofrer bullying, a aparência do rosto ou do cabelo foi o motivo mais citado, mencionado por 30,2%.

Para Claudia, o dado reforça a importância de não apresentar a ortodontia como uma forma de “consertar” a aparência da criança. “Quando o adulto fala em consertar um dente ou corrigir um sorriso feio, a criança pode entender que existe algo errado com ela. É diferente explicar que aquele acompanhamento faz parte do cuidado com sua saúde e seu desenvolvimento”, afirma.

É justamente essa mudança de olhar que o novo gibi procura traduzir para a linguagem infantil. Em Sorrir é uma Aventura, situações que poderiam despertar dúvidas ou receio ganham outra leitura. No espaço kids, o medo do consultório vira brincadeira; na sala de raio X, Cascão imagina um esquadrão de super-heróis chamado X-Dentes, e o exame se transforma em um “mapa secreto do sorriso”. Com o Doutor Dentelis, a turma também aprende sobre alimentação, higiene e os cuidados necessários ao longo do acompanhamento.

Os personagens descobrem ainda diferentes possibilidades de aparelho: estético, tradicional, invisível e móvel, como o da Mônica. Os modelos coloridos também chamam a atenção. Um dos amigos logo pergunta se tem preto e branco e explica o motivo: “Vai, Corinthians!”. A proposta é aproximar o universo do consultório daquilo que já faz parte da rotina e da imaginação infantil.

A comparação entre as duas Mônicas tem ainda outro significado: muitas das crianças que leram a revista de 1991 são hoje pais e mães e podem ajudar os filhos a viver uma experiência diferente.

Para Lorraine Marcondes, CEO da OrthoDontic, essa conexão entre gerações está no centro da parceria com a Mauricio de Sousa Produções.
“A Turma da Mônica tem uma capacidade única de conectar gerações, e isso torna essa parceria especialmente relevante para nós. O cuidado com o sorriso começa muito antes de qualquer tratamento. Ele nasce da confiança”, afirma. A parceria está presente nas mais de 350 clínicas da rede, com ambientação temática e materiais educativos voltados ao público infantil.

Como os pais podem tornar essa experiência mais leve?

A forma de falar sobre o aparelho em casa costuma ser o primeiro passo. Expressões como “consertar os dentes” ou comentários sobre um sorriso “torto” podem dar à criança a ideia de que há algo errado com ela. Apresentar o tratamento como parte do cuidado com a saúde e com o crescimento muda o ponto de partida da conversa.

Antecipar o que vai acontecer também ajuda. Contar, de maneira simples, como serão as consultas e as novas etapas, e avisar que os primeiros dias podem trazer estranhamento ou algum desconforto, diminui a insegurança. A criança deve saber que pode contar aos pais e ao ortodontista sempre que algo incomodar.

Dar espaço para que ela participe torna o tratamento mais dela. Fazer perguntas ao profissional, acompanhar a evolução e escolher a cor das borrachinhas a cada manutenção são formas de transformar o processo em uma pequena aventura, como propõe o gibi.

Por fim, vale observar o que acontece fora do consultório. Evitar sorrir em fotos, cobrir a boca ao falar ou não querer ir à escola podem ser sinais de que algo não vai bem. Se houver provocações, a escola deve ser envolvida, lembrando sempre que a responsabilidade pelo bullying é de quem pratica, nunca da criança que sofre.

O gibi Sorrir é uma Aventura está disponível para download gratuito em orthodonticbrasil.com.br/ortodontia-infantil-turma-da-monica

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