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Pediatra tem papel estratégico no diagnóstico e tratamento do TDAH

Discussão integra a programação do Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte (MG)

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O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) afeta entre 3% e 8% das crianças e adolescentes no mundo e cerca de 7,6% da população brasileira de 6 a 17 anos, segundo estimativas do Ministério da Saúde.

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O cenário ajuda a dimensionar a relevância do tema, que será um dos destaques do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte (MG). Na programação do evento, o simpósio “Expandindo o papel do pediatra no TDAH, sua responsabilidade do diagnóstico ao tratamento” abordará a atuação desse profissional desde o reconhecimento dos sinais até o acompanhamento do tratamento.


Na infância e na adolescência, os sinais do TDAH podem se manifestar de diferentes formas e nem sempre são facilmente distinguidos de comportamentos esperados para cada fase do desenvolvimento. A escola, por ser um ambiente estruturado e com demandas de atenção, organização e interação social, muitas vezes é um dos primeiros espaços em que essas dificuldades se tornam mais evidentes. A observação de professores e equipes pedagógicas pode, portanto, fornecer informações relevantes para a investigação clínica e para a compreensão de como os sintomas se manifestam no cotidiano.


“O pediatra acompanha a criança ao longo de diferentes fases do desenvolvimento e, muitas vezes, é um dos primeiros profissionais de saúde a ter contato com sinais que podem levantar a suspeita de TDAH. Por isso, é importante que esteja preparado para reconhecer esses sinais, realizar a investigação clínica e acompanhar o paciente ao longo do cuidado, em diálogo com a família e, quando necessário, com outros profissionais”, afirma Sergio Nolasco, psiquiatra, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência pela Unicamp, mestre em Saúde da Infância e Adolescência pela Unicamp e médico colaborador do Disapre Unicamp.

Da percepção dos sinais à avaliação clínica


A identificação de dificuldades na escola, no entanto, não significa que o diagnóstico possa ser feito nesse ambiente. A avaliação do TDAH deve considerar a história do paciente, os sintomas, o impacto no funcionamento e a possibilidade de outras condições que possam apresentar manifestações semelhantes ou coexistir com o transtorno. O diagnóstico diferencial é particularmente importante porque ansiedade, transtornos do humor, distúrbios do sono, dificuldades de aprendizagem e outros transtornos do neurodesenvolvimento podem compartilhar sinais com o TDAH.


Nesse processo, o pediatra ocupa uma posição estratégica por acompanhar a criança ao longo de diferentes fases do desenvolvimento. Sua atuação pode envolver o reconhecimento de sinais de alerta, a investigação clínica, a avaliação de possíveis condições associadas e o seguimento do paciente.

Informações fornecidas pela família e pela escola ajudam a ampliar a compreensão sobre o comportamento e o funcionamento da criança ou do adolescente em diferentes contextos.


“O diagnóstico do TDAH é clínico e exige uma avaliação cuidadosa, que considere os sintomas, os prejuízos provocados por eles e o funcionamento da criança ou do adolescente em diferentes contextos. A partir dessa avaliação, o tratamento deve ser definido de forma individualizada, levando em conta as características de cada paciente, os benefícios esperados e os possíveis efeitos adversos”, afirma Sergio Nolasco.


Tratamento deve considerar as características de cada paciente


O tratamento do TDAH é individualizado e pode envolver intervenções comportamentais, suporte pedagógico e medicamentos, de acordo com as necessidades de cada paciente. Entre as opções terapêuticas estão os medicamentos estimulantes e os não estimulantes. A atomoxetina é a única opção não estimulante disponível no Brasil para o tratamento do TDAH.


A escolha da conduta deve ser feita pelo médico em conjunto com o paciente e, no caso de crianças e adolescentes, com a participação da família, considerando as características de cada caso, os benefícios esperados e os possíveis efeitos adversos.

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A definição do tratamento também deve levar em conta a presença de outras condições que possam acompanhar o TDAH ou interferir nos sintomas e no funcionamento da criança ou do adolescente. Por isso, o acompanhamento médico ao longo do tempo é importante para avaliar a resposta à conduta adotada e realizar ajustes quando necessário. A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que o manejo de adolescentes com TDAH pode combinar medicamentos, intervenções comportamentais e suporte educacional, com a escolha da medicação considerando as necessidades e a resposta individual de cada paciente.

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