Os animais se parecem com quem cuida deles? Veterinário explica como o comportamento das pessoas pode ajudar a entender as reações que parecem difíceis de decifrar
Após décadas de carreira no campo, especialista relembra lições valiosas sobre convivência e alerta para os perigos de humanizar bichos de estimação
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O veterinário Pepe García García afirma que o comportamento dos animais reflete a postura de seus criadores. Com a experiência de quem trabalhou décadas no campo, ele sintetiza essa convivência: se o dono é tranquilo, a vaca também. Para o especialista, a conduta de quem cuida define as reações do rebanho, de modo que animais expostos a agressões não são bons, enquanto criadores calmos convivem com bichos tranquilos.
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Nascido em 1959 em Viana do Bolo, García aposentou-se após duas décadas atuando na comarca de O Castro de Caldelas, na Consellería de Medio Rural. Na rotina profissional, percorria cinquenta quilômetros para ir e outros cinquenta para regressar a Ourense. Antes desse período, ele atuou em campanhas de saneamento em Pontevedra e Lugo, além do programa de recuperação de raças autóctones do Inorde, em Fontefiz.
O trabalho no campo e a vocação
García avalia que as atividades agropecuárias oferecem futuro aos jovens diante da industrialização e do aumento do conforto. Ele ressalta que as políticas para estimular o retorno às aldeias e conter o abandono rural dependem de vocação genuína. Segundo o profissional, os animais notam quando o tratador não gosta deles, inviabilizando a convivência de quem deseja viver desse setor.
Crítica à humanização e impacto digital
Sobre a convivência com animais de estimação, García posiciona-se contra igualar bichos a pessoas: não se deve humanizar os animais. O especialista contesta a existência de locais onde crianças incomodam, mas cães são aceitos. Para ele, considerar o cão como uma pessoa é uma postura equivocada.
O profissional também relata uma progressiva falta de respeito com a atividade veterinária impulsionada pela tecnologia. Ele aponta que qualquer pessoa se considera apta a debater vacinas ou genética ao consultar o telefone, classificando a internet como prejudicial e projetando um cenário pior com o avanço da inteligência artificial.
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Aposentado há quatro meses e pai de dois filhos, García aproveita o momento atual para viajar com a esposa pelo mundo. O casal incluiu recentemente Quênia e Tanzânia no passaporte, mantendo o critério de não repetir destinos pelas inúmeras regiões ainda a explorar.